Entrevista: Simple Plan comenta documentário “The Kids In The Crowd”, passagem pelo Brasil e mais

Hey, dads, look at them... did they grow up according to plan? — essa pergunta...

Foto: Reprodução/Instagram

Hey, dads, look at them… did they grow up according to plan? — essa pergunta nunca soou tão natural — e tão potente — quanto no documentário “Simple Plan: The Kids In The Crowd“, que chegou nesta terça (8) ao Prime Video. A produção mergulha na história da banda, misturando imagens de arquivo, bastidores íntimos e cenas inéditas que não caberiam num clipe.

Em entrevista ao Tracklist, o guitarrista Sébastien Lefebvre falou sobre o amadurecimento do grupo, que não abandonou as raízes, mas aprofundou conexões — com histórias dos perrengues do começo, o impacto do sucesso precoce e aquele vínculo inesperado com o público.

Ele também comentou o processo de revisitar memórias, as decisões por trás do projeto e, claro, o laço com o Brasil — onde o Simple Plan encontrou fãs apaixonados. Entre nostalgia e reflexões, ele mostra como a música constrói comunidade — mesmo quando tudo parece desmoronar. Confira a entrevista completa!

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Seb, guitarrista do Simple Plan, fala sobre documentário “The Kids In The Crowd”, conexão com o Brasil e mais

Logo no começo do documentário, tem aquele momento em que vocês estão ensaiando no porão e um dos pais pergunta: “O que vocês estão fazendo aí?” E o Pierre responde: “Estamos ensaiando… porque somos ruins.” Aquilo foi em 2002. Tantos anos depois, o que passa pela sua cabeça quando percebe que vocês realmente fizeram história — e se tornaram uma das bandas mais influentes do pop punk?

Muito obrigado pelas palavras gentis. Sinceramente? O que me vem à cabeça é que… foi uma história linda, linda mesmo, a que o Simple Plan construiu. E como se a vida já não tivesse sido generosa o bastante com a gente, os últimos três anos foram ainda melhores. Tipo, 20 anos depois do primeiro álbum, a gente está fazendo os maiores shows da nossa carreira. Tem algo acontecendo com a banda — talvez pelas redes sociais, pela nostalgia, ou pelas turnês incríveis que temos feito — mas parece que temos mais fãs do que nunca. E, com certeza, fãs mais apaixonados do que já tivemos.

Então quando vejo aquele ensaio no porão… eu tento lembrar, sabe? Porque aquilo ali é o começo de tudo. E quando escrevemos o álbum, a gente sabia que “Perfect” era uma boa música, mas… era algo muito pessoal. Era sobre… largar a escola e apostar tudo numa banda. Mas acho que, em um nível maior, essa música tocou tantas pessoas porque fala sobre tentar entender se as expectativas que os outros têm sobre você são mais importantes do que aquilo que você realmente quer fazer da sua vida.

Olhar pra gente naquele porão e pensar que a gente não fazia ideia de como essa música pessoal ia se conectar com tantas pessoas ao redor do mundo… é surreal. Até hoje, é com ela que encerramos todos os nossos shows. E o jeito que a plateia canta de volta é uma das minhas partes favoritas do show — 25 anos depois. É uma loucura.

Logo no começo do filme, o Jeff fala sobre se sentir deslocado — e como a música salvou ele. Acho que muita gente se identifica com isso, inclusive eu. Você sente que esse sentimento de pertencimento ainda é o vínculo mais forte entre vocês e o público?

Sim, acho que sim. Acho que isso é bem possível. Acontece algo na vida de muitas pessoas quando elas encontram uma banda ou um álbum específico, num momento específico, e isso cria uma conexão que permanece. E eu tenho plena consciência de que muita gente que vai aos nossos shows carrega o Simple Plan com elas — seja desde recentemente ou há 20 anos.

Tem uma música pra cada momento, tem um álbum pra cada fase. E foi assim comigo também, quando eu era mais novo. Pra algumas pessoas isso acontece com o esporte, pra outras com arte, pode ser qualquer coisa — mas a gente ouve muitas histórias de pessoas contando o quanto a nossa música foi importante. E eu entendo totalmente essa emoção. Consigo me conectar de verdade com as pessoas que compartilham isso com a gente nos shows.

No começo da trajetória, as coisas foram difíceis. Vocês juntaram dinheiro, gravaram uma demo e enviaram pra todas as gravadoras que encontraram nas “Páginas Amarelas do Rock”. Depois veio mais de um ano de rejeições. O que fez vocês continuarem, mesmo depois de tantas portas fechadas — até armarem aquele “show fake” pra impressionar o Andy Karp?

Isso é engraçado, porque acho que os quatro teriam respostas diferentes pra essa pergunta. Talvez isso até apareça ou não no início do documentário. Mas falando por mim: tem alguns fatores. Eu era jovem, estava tocando com o Pierre, o Chuck e o Jeff — eles eram só dois ou três anos mais velhos, mas isso já fazia eu admirá-los muito, especialmente pelos projetos que eles já tinham feito antes.

Ver que eles estavam dispostos a continuar me fez pensar: “Ok, vamos seguir.” E por eu ser mais novo, ainda morando com meus pais, era fácil me jogar de cabeça — se não desse certo, eu ainda tinha tempo pra fazer outra coisa. Eu gostava muito da música que estávamos fazendo e de tocar com eles. Então, se todo mundo ainda estava dentro, eu também estava.

Acho que o documentário mostra bem o quanto o Chuck é determinado. Pra ele, era tipo: ou a banda dá certo agora, ou ele vai ter que estudar e ter uma “carreira séria”. Então ele pensou: “Vou dar tudo de mim. Se não funcionar, pelo menos eu tentei.” Por tudo isso junto, eu pensei: vamos continuar e ver no que dá.

Em um certo ponto do documentário, o Pierre e o Chuck falam sobre os sacrifícios de estar numa banda — que exige muito em nome de algo maior. Hoje, qual você diria que foi o maior sacrifício do Simple Plan pra continuar?

Acho que o maior sacrifício que todos nós fazemos é deixar a família pra trás quando saímos em turnê. E isso não é fácil, definitivamente. A gente tenta equilibrar da melhor forma, cada um do seu jeito — levando a família junto, desligando o celular quando está em casa, tentando mudar a mentalidade.

Alguns anos atrás, isso bateu forte em mim. Eu sempre me via como “um cara em turnê que volta pra casa às vezes”. Hoje, tento ver o oposto: sou pai, sou marido, minha casa é aqui. E a turnê é algo temporário, pra onde eu vou e depois volto. É aqui que me recarrego, que encontro meu centro.

A gente tem tido muita sorte nos últimos anos. As turnês são divertidas, com bandas incríveis como [The]Offspring, com festivais maravilhosos no Brasil e pelo mundo. Quando éramos mais jovens, às vezes saíamos pra tocar sem nem saber se alguém ia aparecer. Hoje, cada show tem um propósito claro, é com pessoas queridas, fãs incríveis e uma vibe maravilhosa. Isso faz tudo valer a pena, mesmo quando temos que sair de casa.

No documentário, tem uma frase sua que diz que você era “muito, muito tímido” e hoje é “só tímido”. Como foi esse processo de romper a timidez e se abrir mais como artista?

Essa frase, na verdade, é bem antiga — acho que de 2004 ou 2005. Naquela época, eu sentia que a gente precisava ser um certo tipo de pessoa em frente às câmeras, nas fotos, nas revistas. Como se todo mundo que fosse figura pública tivesse que se encaixar num molde.

Isso era difícil pra mim. Mas com o tempo, fui aprendendo que ser honesto é uma boa forma de se apresentar. Falar sobre seus interesses pessoais, também. Aí percebi: “Ah, eu posso falar sobre videogame. Posso fazer piadas se quiser. Ou posso ficar quieto num dia que não estou a fim de falar — os outros caras seguram a onda.”

Quando entendi que tudo bem ser eu mesmo, ou até me preservar quando quiser, comecei a me sentir mais à vontade em todas as situações públicas — nas entrevistas, nos encontros com fãs, em tudo.

O Simple Plan é um sucesso global, mas é claro que vocês têm uma conexão especial com o Brasil. Vocês até gravaram um vídeo experimentando comidas típicas numa praia no Rio — e vimos que o Jeff tem um caso sério com pão de queijo. Mas e o resto da banda — alguma comida ou bebida brasileira favorita?

Acho que não dá pra não mencionar a caipirinha, né? Sempre tem. Toda vez que vamos pra um churrasco brasileiro, comemos demais. É maravilhoso aí. Os fãs são incríveis, o apoio de vocês dura anos e anos. É um lugar muito especial pra gente — tem uma paixão e uma intensidade únicas. Por isso que a gente sempre dá um “algo a mais” quando vai pro Brasil. Simple Plan e Brasil é um relacionamento pra durar.

Inclusive, vocês postaram um vídeo usando camisas do Flamengo e do Fluminense. Mas alguém da banda realmente acompanha algum time brasileiro?

Não, não… (risos) A única coisa de futebol que eu acompanho hoje em dia é o documentário “Welcome to Wrexham”, do Ryan Reynolds e do Rob McElhenney, sobre o time que eles compraram no País de Gales. Esse é o meu limite de conhecimento em futebol! (risos) Mas olha, não consigo imaginar um evento esportivo mais legal do que assistir a um jogo no Brasil. Deve ser incrível!

Nosso site se chama Tracklist, então a pergunta é inevitável: se você tivesse que contar a história do Simple Plan só com títulos de músicas de vocês, qual seria a tracklist definitiva?

Acho que tem que ter “I’m Just a Kid”, né? E “Perfect”, “Welcome to My Life”, “Astronaut”, “This Song Saved My Life”, “Where I Belong”… e “Antidote”. A maioria das nossas músicas fala ou sobre lutas pessoais, ou sobre a conexão com os fãs. E isso resume o Simple Plan perfeitamente.

E pra encerrar, sim — essa é a pergunta clichê de fã, mas a gente precisa saber: quando vocês voltam pro Brasil? E por favor, não deixem o Rio de Janeiro de fora!

Em breve! Quer dizer… ainda não temos planos confirmados, mas a gente costuma ir ao Brasil a cada dois, três anos. E agora, antes de voltarmos a qualquer lugar que visitamos recentemente, queremos lançar músicas novas. Assim que a turnê atual terminar, esse vai ser nosso foco: compor, gravar, lançar algo novo. Aí, sim, começamos a planejar a próxima turnê.


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