O ano promete muitas novidades para Rodrigo Suricato! O artista lançou recentemente seu EP homônimo, com três faixas de sonoridade um pouco mais diferente do que está acostumado a fazer. Agora, Suricato trabalha com faixas mais voltadas ao pop, mas sem perder a essência do folk, gênero que o consagrou.

O cantor conversou com o Tracklist sobre autoconhecimento, o novo trabalho, seu próximo álbum – com previsão de lançamento em agosto – e sobre a conciliação de seu projeto estando, também, à frente do Barão Vermelho. Leia!

Tracklist: Vamos falar de seu novo EP. Você pode nos contar como foi o processo criativo?
Durante dois anos, eu compus um repertório maior de 30 músicas, e dessas 30, eu selecionei dez pro trabalho. Não foi algo planejado, mas eu já estava tão imerso que eu acabei tocando 85% dos instrumentos, produzi, compus todas as faixas… direcionei esse momento para onde eu estou sentindo, que é um momento mais pop. A linguagem que eu trouxe do folk e do folk rock foi repaginada, está muito mais colorido, mas sem perder a essência.

A grande diferença desse para os outros trabalhos talvez tenha sido que eu resolvi ser minha propria banda nele. “Suricato” é o nome do projeto que eu fundei há oito anos, é o terceiro disco desse projeto, e esse projeto passa por fases. Nessa fase, estou querendo participar, querendo estar mais imerso com uma maturidade maior, e trazendo meu momento pessoal, de autodescoberta, para o momento de onde eu cuido de toda a parte do processo. Está sendo bem bonito viver isso. E também estar sozinho no palco… nesse show, que começo a fazer a partir de agosto, estarei performando todos os instrumentos sozinhos. Está sendo bem divertido, e acho que é um dos diferenciais do meu trabalho.

E você estava falando da sonoridade que mudou do folk para o pop. Você disse que foi um processo de autodescoberta. Mas que estalo que te deu para mudar de um gênero musical para outro?
Não foi uma mudanca muito radical. O violão continua sendo meu instrumento principal nesse projeto “Suricato”. O que me apropriei foi de uma linguagem, em algumas canções, com coisas sutis de música eletrônica, que eu também consiga executar ao vivo. É pop no sentido mais contemporâneo. Ele não tem aquele clichê do folk com poeira, com uísque do lado, calça rasgada… não é nada disso. Estou vendo meu trabalho muito mais colorido, mais plural, falando em uma linguagem que diz mais ao meu coração agora.

O lançamento de seu EP também contou com a divulgação do clipe da faixa “Admirável Estranho”. Como foi a gravação do clipe?
O disco inteiro tem 10 faixas, e todas ganharam webclipes. Escolhemos “Admirável Estranho” por ser uma canção que simboliza o espírito desse disco. Tem uma coisa romântica e talvez uma certa singeleza nessa mísica – a Orquestra de São Peterbusrgo que toca nessa faixa. E os clipes não têm nenhuma dramaturgia, não tem beijo em ninguém, nada acontecendo, mas sim uma atmosfera do meu trabalho para esse momento novo, mais colorido. São clipes com enfeites muito bonitos que trazem um pouco dessa nova estética.

Você pode dar um spoiler do seu próximo álbum? Qual vai ser a ligação dele com o EP?
Na verdade, o EP está dentro desse álbum. Só a forma que a gente está lançando é diferente. O EP serve para dar um teaser do que vem por aí. O álbum se chama “Na mão as Flores”. As músicas do EP traduzem bem esse universo das canções novas, desse universo pop… acho que as pessoas vão curtir bastante. As letras estão super bonitas. O trabalho foi super cuidadoso e minucioso, passando por um momento de autocrítica. É muito intenso, muito bonito, de forma que eu pudesse me fazer entender.

Como foi conciliar as gravações do seu projeto com o Barão Vermelho?Para mim é maravilhoso, pois entrei no Barão Vermelho já Suricato. Não acabei com meu projeto, foi um tempo de composição no qual eu estava preparando esse álbum novo para ser lançado. Para mim, é muito bom ter essas duas plataformas de trabalho. Eu amo o Barão Vermelho, eu amo estar com eles compondo canções novas nesse momento tão importante para a banda. O Barão foi muito importante na minha vida e está sendo muito bom devolver para eles o que eles me deram. Eu vivo isso de uma forma que não sinto melindrado em ser um novo Cazuza ou um novo Frejat – eu sou o Suricato, que já tem uma personalidade mais definido.

É muito bom ter esse processo coletivo, e muito bom ter na Suricato o lugarzinho onde cuido do meu jardim da forma como desejo. É como na vida, às vezes a gente quer estar sozinho e às vezes acompanhado, e tenho muita sorte de ter essas duas plataformas de trabalho pra ser feliz.

Você falou algo que antecipou minha próxima pergunta, que era como fugir da comparação com o Frejat e com o Cazuza e adicionar seu toque na banda.
Quando entrei no Barão, foi algo engraçado, porque fã de rock é geralmente um pouco ranzinza. Então as pessoas falavam muito em legado, manter a honra, que não sabia se eles estavam falando em “Senhor dos Anéis” ou de música (risos). Mas para mim foi muito tranquilo, absorvi as críticas de forma muito natural, pois eu tinha ciência de que conseguiria desempenhar bem aquele papel, de executar aquelas canções. Eu tenho muita familiaridade com o repertório do Barão, eu sabia que não teria muita dificuldade técnica para cantar e para tocar aquelas canções que já estavam feitas.

Na verdade, meu desafio era saber se a gente daria bem na composição, pois, pra mim, composiçao é intimidade. Então a gente combinou: primeiro a gente namora, depois a gente tem um filho. Então fomos pra estrada, com repertório, e passamos a compor juntos. Daqui a pouco vem um disco novo do Barão, maravilhoso, e estaremos todos juntos na estrada fazendo o que a gente sabe fazer de melhor.

Rodrigo Suricato e Barão Vermelho. Foto: Leo Martins/O Globo

E você acha que vai conseguir conciliar tantas coisas ao msmo tempo?Consigo conciliar sim! Tem gente que fica olhando horas para o celular, com esse tempo eu faço muita coisa (risos).

E voltando ao assunto de seu EP e o álbum do Suricato, você teve alguma referência ou inspiração para compor as novas músicas, e dar essa nova sonoridade a elas?
Talvez a maior referência seja a aproximação com o universo eletrônico. Passei a ouvir muita música eletrônica e absorvi muito isso. Vendi uma guitarra e comprei uma bateria eletrônica, me apaixonei pelo instrumento e comecei a trazer isso (para o trabalho). As pessoas acham que folk e eletrônica são opostos, mas na verdade eles podem conviver muito bem, assim como convivem no meu disco. Juntar isso foi uma felicidade. Acho que essa foi minha principal referência. Eu posso dar muitas referências, mas se eu falar que queria fazer uma música igual ao Gilberto Gil, saiu uma música igual ao Suricato. O tiro sempre sai pela culatra quando a gente quer ser uma pessoa diferente do que a gente é. Isso que foi maravilhoso. Um disco com minha cara, com minha pegada, e acho que as pessoas vão notar essa coisa repaginada.

Para finalizar, você disse que sua agenda com o novo EP começa a partir de agosto, e também vai ter o lançamento do novo álbum do Barão. Você pode adiantar seus planos para os próximos meses, sabe por onde vai passar?
Quero passar primeiro pelas principais capitais do país, levando a turnê desse disco, e quero estar onde me chamarem. Quero levar minha música para o mundo.

Muito obrigada, foi um prazer conversar com você!
O prazer foi todo meu! Obrigado!

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