Quem conhece, sabe: Letícia Novaes – mais conhecida como Letrux – é um dos destaques que mais chama a atenção na atual cena da música brasileira. Já foi atração do festival Lollapalooza e, além de cantora, é também atriz e poetisa. Uma artista completa.

Em entrevista, Letícia bateu um papo bem divertido e descontraído com o Tracklist, logo após sua apresentação no Palco Arnica do Coolritiba. Ela conta um pouco da sua visão sobre festivais, seu amor à poesia, seus fãs e ainda mandou um beijo para o portal! Confira:

Vida longa aos festivais!

Como se sente apresentando-se em um festival grande como esse?

Então, como eu já havia me apresentado em Curitiba antes, no Festival Saliva, daquela outra vez a galera ficou: “Caraca, um show da Letrux!”. E nessa apresentação tinha mais gente, tinha mais público, tinha até criança! Tinha um garoto de oito aninhos cantando todas as músicas.

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hoje no show em curitiba tinha o davi, com seus 9 aninhos, cantando TU-DO. depois do show, migrando pro outro palco, nos encontramos e ele me deu o abraço mais gostoso do mundo. música não tem idade. música não tem nicho. música é pra geral. música é força livre, democrática. música cura, música transforma, música questiona, música diverte, música pergunta, música responde. música é corpo.

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Acho que festival é um pouco isso, é todo mundo, né? Sempre que a gente toca uma segunda vez em uma cidade, sempre tem mais gente, porque o “boca a boca” é maravilhoso. E eu sou muito grata a isso. A gente é uma banda independente – claro, a gente tem assessorias –, mas esse “boca a boca” é a parada mais forte.

E aqui é um festival. Podia ter gente aqui que veio para ver, sei lá, o Criolo. Mas alguém pode pensar “vou conferir essa menina aqui que todo mundo fala, mas que eu nunca dei uma chance”. É um lugar também para as pessoas ouvirem uma banda que nunca ouviram. É maravilhoso. A gente se divertiu muito, foi demais.

Letrux no Palco Arnica – Coolritiba (11/05/2019)
(Foto: Manuela Sant’Ana)
Foi mais ou menos igual ao Lollapalooza, certo?

Sim, em festival grande, o público que às vezes não é seu, é capturado naquele dia, e isso é muito importante. Vida longa aos festivais!

Em Noite de Climão

Sobre o seu álbum, o tamanho sucesso que ele alcançou hoje. Você esperava essa repercussão toda?

Não esperava não, imagina! Acho que a gente faz música, no meu caso, para tentar transformar algumas sensações que tive na vida. Eu uso muito a arte como transformação. Claro, tem o entretenimento envolvido, mas eu preciso passar por algumas catarses para fazer esse tipo de coisa, né?

Eu fiz para viver um processo. A consequência aconteceu e foi lindo, porém não foi o que eu esperava. A gente espera que dê certo, mas o que é “dar certo”? É um mistério muito profundo.

Mas, que lindo que está acontecendo isso! Que lindo que as pessoas são tocadas. É um disco muito honesto, em que eu fui muito honesta com os meus sentimentos, com a minha verdade, com as minhas emoções. Tenho também essa banda maravilhosa. Eu acho que é um mix muito bonito, sabe? Um encontro de muitas coisas, de muita emoção, de músicos talentosos.

Sua própria história, família, amigos…?

Sim, tudo. Tudo é um resumo. Esse disco é um resumo humano muito forte na minha vida.

Letrux e a poesia

Toda essa performance, você recitando poesias. Como é essa Letrux no palco?

Em festival às vezes é mais corrido, e até dá medo de falar uma poesia. Porém, no Coolritiba, eu senti que a plateia estava ali comigo. Pensei “cara, acho que dá para fazer essa poesia”. E ficou um silêncio. Muito respeitoso. Muito maravilhoso.

Acho que as pessoas são ávidas por arte, apesar de o governo querer dizer que não importa… um imbecil (risos). Não, as pessoas têm curiosidade sim! É só falta de acesso, é só falta de educação para te direcionar a ser aberto à arte. “Ah, poesia é chato”. Não, você foi apresentado de uma maneira equivocada.

Poesia é legal pra cacet*, poesia muda vidas, poesia te faz achar que viver é emocionante, poesia te dá paixão, poesia te dá ódio, poesia mexe com você. Então, eu sempre que posso, nos shows, recito uma!

Resposta aos fãs

Quanto a essa provocação no palco, você recebe muitas críticas a isso?

Pois é! Eu sempre tento fazer um show mais… “vamos lá, só tocar as músicas!”. Mas eu sou muito prolixa, não consigo não falar, não consigo não levar um papo com a plateia.

Nessa apresentação, por ter sido em um festival, eu até falei menos. Porém, quando é meu show, eu falo igual a uma louca! Música é importante, mas o diálogo também é importante. E eu converso muito com as pessoas! Os meus fãs me mandam e-mails, me pedem ajuda até com mapa astral! Eles me pedem conselhos terapêuticos, amorosos, é maravilhoso!

Nossa, eles perguntam de tudo?

Tudo. E, se eu tiver tempo, eu respondo! Às vezes, a minha vida está mais enrolada que outros dias, mas quando eu estou com tempo, cara… eu res-pon-do.

Conheça Letrux

Antes de Letrux, Letícia Novaes fazia sucesso nos anos 2000 a banda Letuce, duo com o músico e seu parceiro à epoca, Lucas Vasconcellos. No ano seguinte ao encerramento das atividades do grupo, em 2016, ela lançou seu primeiro trabalho solo, chamado “Em Noite de Climão”. O álbum foi eleito o 10º melhor disco brasileiro de 2017, pela revista Rolling Stone.

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