A banda Fresno lançou, neste mês o álbum "Eu Nunca Fui Embora (Deluxe)"! A nova...

A banda Fresno lançou, neste mês o álbum “Eu Nunca Fui Embora (Deluxe)”! A nova edição do projeto chega acompanhada de versões acústicas, intepretações ao vivo e outras reformulações, além de faixas como o cover de “Disk Me”, originalmente de Pabllo Vittar.
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Outro grande destaque da expansão do repertório é a nova versão de “Se Eu For Eu Vou Com Você”, parceria do grupo com NX Zero – e uma das canções queridinhas dos fãs. O single ganhará, ainda, um videoclipe oficial em breve.
Em entrevista recente ao Tracklist, Lucas Silveira, vocalista da Fresno, falou sobre a nova versão do projeto “Eu Nunca Fui Embora”, a atual turnê do grupo, próximas apresentações e mais. Confira a conversa abaixo!
“Antigamente, os álbuns deluxe eram uma coisa que aconteciam, sei lá, quando ia sair numa loja específica, uma coleção específica ou o aniversário de um álbum. Mas hoje, eu acho que ele tem uma outra função, que é ampliar a audiência daquele disco e, talvez, mostrar as músicas de um outro jeito. Mas, ainda assim, é uma coisa bem celebratória do disco. Às vezes as pessoas põem umas inéditas, umas músicas que não entraram, umas obras que a gente optou por não fazer… isso porque a gente sempre teve a opinião de que, se ficou para fora, era para ficar para fora mesmo. Não é agora, porque é um deluxe, que vai lá e coloca. E, dito isso, a gente estava muito feliz com esse álbum e com o que ele nos trouxe nesse último ano”.
“Mas tem muita coisa que às vezes vai ficando aqui no estúdio, e que a gente fala: ‘Pô, isso aqui dá para soltar, né’. Tipo uma versão acústica, os shows que a gente grava, alguma música numa versão diferente. Mas o principal, assim, é que hoje em dia a atenção das pessoas dura muito pouco. Então é óbvio que nossos fãs pegaram o disco, cantam as músicas nos shows e tal. Mas às vezes tem um outro público que talvez ainda não tenha pegado 100%. E aí, com um novo lançamento, mesmo que ele seja basicamente o mesmo, tu consegue impactar essa galera de novo. Então isso é uma possibilidade. E aí tem, também, o lance de poder impactar com uma versão acústica, alguma coisa assim. Então isso é uma coisa que faz bastante sentido”.
“Eu acho que o álbum é como se a gente colocasse mais trilhos no nosso caminho – supondo que a banda seria uma locomotiva, e os álbuns apontam para um caminho. Às vezes, quando tu vai fazendo música, como um EP, tu põe um trilho menor; daqui a pouco tu pode mudar de ideia e vai sempre corrigindo esse curso. O álbum já é uma aposta mais definitiva. Estamos lançando álbuns desde 2003, e a gente trabalha com essa noção de um álbum que vai ser um trabalho de dois anos, por aí. A gente sempre manteve essa média entre os lançamentos, e nada mais justo que continuar isso. Eu não consigo pensar de uma outra forma, e não consigo inaugurar uma ‘nova era’ sem estar com um álbum ali de dez ou mais músicas. E eu acredito que o público também foi educado a se comportar dessa forma”.
“Então, o que dá para dizer desse disco, é que justamente ele traz uma coisa que aponta; ele é bem autorreferente no sentido musical. Se eu for falar a grosso modo, ele tem muitas coisas que são classicamente Fresno, né? De sonoridade, de um jeito de fazer música. E, por muito tempo, eu procurei experimentar outras coisas, óbvio; outras formas de fazer música. Porque eu acho que experimentar é sempre positivo. Mas, ao mesmo tempo, tu saber o caminho de volta para algumas coisas é muito bom. E esse disco tem muito disso em várias músicas. Isso é meio que um lema que eu estou seguindo muito, até para as próximas coisas que a gente vai fazer – ter encontrado o que eu acredito que seja o DNA da banda. Claro que ele vai mudando; mas, assim, é acreditar no que a gente faz, e apostar cada vez mais alto nisso”.
“Ah, sim! Eu acho ele até menos experimental do que outros álbuns. Eu sou um cara que me preocupo muito com a canção, de fazer músicas que contenham ali todos os ingredientes de uma canção. Então, às vezes, não é um negócio feito pensando só em sonoridade, ou só em estilo, ou só em outras coisas que não são musicais. É um negócio muito… Nossa, eu quero que uma pessoa lá em Manaus pegue um violão e toque a música, e que a música fique com a cara dessa pessoa, entendeu? Música que funcione no violão, música que funcione em versão de tudo quanto é jeito, porque é muito como eu vejo que são as grandes músicas que me emocionam, eu gosto assim. Elas simplesmente funcionam em qualquer roupagem. Eu acho que isso eu busco bastante quando estou compondo alguma coisa”.
“É que o acústico abre muitos precedentes, né? Tu pode colocar piano, umas cordas, uma orquestra, tu pode colocar um arranjo completamente diferente, deixar a música muito mais lenta. E, normalmente, o acústico é um convite a acontecer isso – trazer a música para uma forma mais relax. E eu percebo que os fãs gostam de maneira mais fácil de uma música que é uma versão que, às vezes, tu foi lá numa rádio e tocou ela no violão, só com o microfone”.
“Ou, então, tu tá em um churrasco, a pessoa fala: ‘Mostra aquela música lá’, e tu toca ela, só no violão mesmo. Não tem como apelar para nada, não vão ter arranjos ou batidas, não vai ter nada. É somente a música. Aí por isso virou ‘sabor churrasco’. Eu não faço ideia, mas é que eu tenho muito aquela visão do cara que está numa churrascaria, aquele músico da noite, assim; que vai lá e toca a música sem pensar muito, que fica meio que só o violão e a voz. Acho que isso tem um valor muito grande, tanto é que as mais ouvidas do deluxe são assim”.
“Hoje é um assunto que cada vez se fala menos – sobre e estar fazendo um clipe para a internet. E um clipe é uma coisa que custa muita grana, e mobiliza muita gente, e fica difícil se justificar dentro de um trabalho de uma banda. Só que, nesse caso, é uma música que tem Fresno e NX Zero; é uma música que a gente vai fazer um trabalho de rádio também bem old school, e seria meio que uma burrice não ter a imagem disso, né. Acho que os fãs sempre quiseram ver as duas bandas juntas, então a gente tinha que fazer um clipe disso”.
“E, daí, surgiu a ideia de fazer uma outra coisa bem nostálgica, também: que eu cresci vendo isso, quando comecei a estudar de manhã, ligava a TV e estava dando Programa Livre. E tinha sempre uma banda lá, tocando, e a gente não viveu isso. A gente pegou já a época do ‘Altas Horas’ quando começamos a fazer televisão. Aquilo ali era incrível, era música ao vivo, entrevista, e tu via aquela pessoa falando coisas… e tem viralizado muito os cortes de ‘Programa Livre’ para mim. E aí eu tenho uma amizade com o Serginho, e falei: ‘Cara, vamos fazer um clipe que é igual ao Programa Livre, só que com outro nome e tal'”.
“E tem um cara que trabalha com a gente, o Gabriel, que é colecionador de câmeras antigas. Então ele tem as câmeras de televisão que faziam esse programa. Então, deu para a gente chegar naquele look dos anos 90 sem ter que usar um filtro. E aí a gente montou esse set muito baseado nesses programas de auditório dos anos 90; e botamos lá o Fresno e o NX Zero com os fãs, todo mundo caracterizado. E, óbvio, vai ficar um bagulho divertido e engraçado, mas essa música também é algo que a gente está apostando muito alto. A gente acha que ela tem o potencial de crescer bastante”.
“Ah, o nosso show aumentou bastante de dimensão, e tem bastante gente trabalhando para fazer jus ao tamanho que a banda tá tomando. Tem várias cidades novas pintando nessa turnê, cidades que a gente não vai há muito tempo, tipo São Luís do Maranhão. E tem mais coisas para pintar aí! Essa turnê é um negócio que, sim, ela foi impulsionada por esse álbum; e esse álbum impulsionou também a banda para uma dimensão que a gente almejava bastante”.
“E cada disco que tu lança fica mais difícil montar o teu setlist, porque a gente tem um número limitado de músicas para tocar e de tempo para tocar. Tanto que, hoje em dia, a gente apela muito os medleys – assim como fazia o Roupa Nova, que é uma banda que tem milhões de hits. E aí tem alguns momentos do show que a gente pega e toca três, assim, que são num tom parecido. para caber tudo”.
“E eu acho que mais que caber tudo, é uma coisa que sintoniza com a mente das pessoas que hoje vão aos shows. Às vezes tu quer ouvir aquela música, mas não necessariamente ela inteira. Então a gente pincela, e com isso a gente consegue cobrir mais músicas, porque a gente quer trazer músicas de todas as fases para o show. Mas, ao mesmo tempo, tem um trabalho novo, e as pessoas que vão ao nosso show muitas vezes também querem ouvir o que a banda está fazendo agora. É cada vez mais difícil, cada vez é um parto para a gente conseguir montar um show novo. Mas é um desafio massa, porque a gente a gente percebe que, se tem demanda pelas coisas novas que a gente está fazendo no show, é sinal de que estamos no caminho certo”.
“O Polifonia vai ser um show totalmente diferente que a gente vai fazer – porque é um show onde a gente só vai tocar músicas dos três primeiros discos. Então, se for pegar o nosso show atual do ‘Eu Nunca Fui Embora’, tem alguma coisa dos três primeiros discos, mas quase nada. Vai ser um show composto de um material bem inédito, assim, dos últimos anos. A última vez que a gente fez uma turnê de músicas velhas, acho que foi nos 10 anos do ‘Ciano’, em 2016; e em 2015 a gente fez ‘O Começo de Tudo’, que era de fato um show só com músicas dos três primeiros discos, mas era em formato acústico”.
“Então é um show novo que a gente está montando, é praticamente um outro show. Talvez só que o se repita aí desse setlist seja ‘Quebre As Correntes’. Mas músicas das antigas, tipo ‘Onde Está’; coisas do primeiro disco, ‘Teu Semblante’, ‘Stonehenge’, isso aí faz bastante tempo que a gente não toca tudo junto. E vai ser massa, porque é um show que, dependendo da recepção que vai ter no festival, isso pode ser repetido. A gente pode colocar uma outra dessas no nosso show do ‘Eu Nunca Fui Embora’, para às vezes fazer alguma coisa diferente”.
“Estamos bem ansiosos e animados. Isso está meio que nos forçando a ensaiar mais músicas e aumentar o nosso repertório. Uma coisa é eu ter feito 200 músicas, agora quantas músicas a Fresno chega lá e toca? São meio que as músicas daquele ano, daquela vez. E a gente também tem músicos que tocam com a gente que não conhecem toda a obra da banda. Então cada musiquinha que entra, é um trabalho que dá. Vai ser uma apresentação bem raiz e meio imperdível, assim, porque não está programado a se repetir”.
“Ah, isso é uma pergunta que eu meio que me faço o tempo todo. Para, inclusive, afinar a minha expectativa com as vontades que a gente tem como banda, enquanto artista, aonde a gente pretende chegar, o que a gente ainda não conseguiu fazer. Essa pergunta é uma coisa que a gente se faz sempre: tipo, quem nós somos, por que chegamos onde chegamos; por que ainda não chegamos onde não chegamos? Então é difícil, mas tem uma coisa que é inegável, é que a gente nunca parou, a gente nunca desistiu. Nunca teve um momento que a gente falou: ‘Ah, pensando bem, eu acho que chega’. Nunca tivemos essa vontade por muito tempo, a ponto dela se transformar numa realidade”.
“Então a resiliência é uma coisa, porque não são todos os momentos que a gente atravessa que são fantásticos, com show bombando, a agenda, vidas pessoais… também não são todos os momentos que são assim. Mas, hoje em dia, temos a percepção de que estamos vivendo um momento que é muito bom. E que mesmo quando agora, em retrospecto, quando a gente olha para momentos que não eram tão bons da banda, a gente estava meio que motivado igualmente”.
“Porque tocar, fazer as músicas e gravar era justamente a válvula de escape, era a coisa mais legal do nosso dia. Então enquanto fazer música for a coisa mais legal que a gente pode fazer, o melhor tempo que a gente consegue gastar, a gente vai continuar fazendo; e os resultados disso são meio que secundários, assim. Que bom que eles existem, porque a gente não precisa ter outros empregos e coisas assim. Mas o principal é que a gente faz porque a gente gosta mesmo – se a gente seria fã da nossa banda. Acho que é isso aí”.
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