Entrevista: Fresno detalha novo álbum, “Carta de Adeus” e mais

O novo projeto da banda chega às plataformas no dia 24 de abril

Foto: Divulgação / Cred. Camila Cornelsen

A Fresno prepara, atualmente, um novo capítulo de sua história – que chega, desta vez, com o lançamento do álbum “Carta de Adeus”, marcado para o dia 24 de abril. Com 10 faixas inéditas, o 11º disco da banda gaúcha acompanha um momento mais orgânico e maduro da trajetória dos artistas.

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Produzido por Lucas Silveira, o projeto apresenta um princípio claro: fazer que os instrumentos soem exatamente como são. Assim, o novo trabalho é conduzido por uma abordagem analógica; que se completa com composições intimistas e um olhar mais experiente.

E é nesse contexto que nascem faixas como o single Tentar De Novo e De Novo”; a faixa-título “Carta de Adeus (BYE BYE TCHAU)”; e “Pessoa” – que marca, pela primeira vez, a presença de um cover em um álbum da Fresno A composição de Marina Lima ganha, agora, uma nova interpretação pelo grupo.

Para celebrar a chegada de um novo projeto, o trio – formado por Lucas Silveira, Vavo e Guerra – apresentam um show especial de lançamento da era “Carta de Adeus”. A apresentação acontece neste sábado, 18 de abril, no Espaço Unimed, em São Paulo. Ainda é possível garantir ingressos para o concerto aqui.

Em recente entrevista ao Tracklist, os integrantes da banda Fresno falaram sobre a produção do álbum “Carta de Adeus”, além das temáticas e sonoridades exploradas no novo projeto. Confira a conversa abaixo!

Entrevista: Fresno fala sobre o álbum “Carta de Adeus” e mais

Vocês lançam, neste mês, o álbum “Carta de Adeus”. Então, inicialmente, queria saber como vocês definiriam esse projeto.

Lucas: “É difícil resumir assim uma coisa que a gente ficou fazendo por muito tempo. Mas, enfim, o resumo é esse: a gente tem dois empresários, né? E teve um empresário que ficou a reunião inteira quieto enquanto a gente estava falando sobre o disco – isso lá atrás. Aí, no final da reunião, ele falou uma coisa muito importante: ‘É o 11º álbum’. E quantas bandas chega, a fazer um 11º álbum, né? Então, foram 11 vezes já que a gente viveu essa coisa de colocar um disco no mundo”.

“Se pegar o primeiro lançamento que a gente fez, que foi o ‘Quarto dos Livros’, em 2003, a gente já estava vivendo o que está vivendo hoje, que é lançar um disco. Acho que, se tem uma coisa que resume muito isso é, de fato, esse número aí, bem cabalístico. Isso denota que uma banda que lança 11 discos em 27 anos não parou em nenhum momento de fazer música; sempre esteve com um disco sendo feito. Acho que isso nunca deixou de acontecer. Então, é também sobre essa nossa resiliência, sim, nessa constância de trabalhos”.

E como vocês chegaram a esse título? Sei que o álbum traz algumas composições sobre despedidas e fim de ciclos, mas queria saber – para quem é essa “carta de adeus”?

Lucas: “É para quem quiser! A gente até fez um convite para que os fãs mandassem as suas cartas de adeus – para que a gente fizesse, então, uma lobotomia coletiva, assim, de descarrego. E eu acho que, com uma maturidade da idade mesmo, vem essa tranquilidade para soltar alguns dos pesos que tu estava segurando ao longo da vida; esse peso das histórias. Eu acho que a gente vai vivendo muitas coisas e vai carregando todas essas histórias. Às vezes, elas nos transformam em pessoas que são pesadas, sombrias. E essas cartas estão meio que dando adeus a essas sombras. Então, são várias despedidas que talvez a gente devesse ter dado ao longo da vida; mas que talvez ficamos levando com a gente aquela história, com um apego, alguma coisa que até nos faz repetir padrões. Então é justamente sobre esses finais”.

“Mas aí vão perguntar: ‘Mas, assim, tem alguma coisa a ver com ser a Carta de Adeus da Fresno’? Não, não. Mas a gente sabia que iam pensar nisso, e curtimos um pouco esse sentimento, né? A gente meio que brincou um pouco com essa ideia do fã poder colocar isso na cabeça dele de que, cara, tu não sabe quando é a última vez de nada. E isso cada vez fica mais claro para a gente, assim. Então não é [o fim], mas e se fosse, sabe? A gente tem sempre que estar vivendo essas coisas, e não dar valor a elas só quando já era”.

Comparando com trabalhos anteriores – principalmente “Eu Nunca Fui Embora”, que está mais recente -, como vocês descreveriam a sonoridade desse novo disco?

Lucas: “A sonoridade partiu de uma busca de um som mais puro. Porque, hoje em dia, a gente tem tantas possibilidades sonoras que isso pode ser um pouco enlouquecedor. E a gente, no palco, se mostra como uma banda de guitarra, baixo e bateria, né? A gente procurou fazer as músicas girarem muito nesse trinômio aí da guitarra, da bateria e da voz. E, óbvio quando isso vai sendo levado para o processo [de produção], tu percebe que as músicas vão ficando até mais simples – porque elas partiram de elementos muito simples”.

“Eu acho que esse é um disco em que os arranjos estão mais na cara; porque eles têm um certo minimalismo. Nunca vou conseguir ser insanamente minimalista, tipo algumas bandas indie. Eu admiro, eu gosto, mas a gente tem um maximalismo. Mas isso nos provoca a necessidade de, às vezes, tirar o que tem de mais valioso num arranjo, né? No primeiro disco da Fresno, eu ficava empilhando ideias – se for prestar atenção, é meio enlouquecedor a quantidade de coisas que acontecem ao mesmo tempo. E, com o tempo, a gente vai ganhando uma clareza – de que tem coisas que são mais bonitas; e que precisavam mais de palco ali. Então tem essa certa pureza, assim”.

Ainda nesse tema, a descrição do projeto diz que ele tem um princípio claro, que é “fazer com que os instrumentos soem exatamente como eles são”. Então, o que significa isso na prática? Como é que foi a experiência de usar, talvez, uma abordagem mais analógica? Foi um desafio trabalhar nesse novo formato?

Lucas: “Acho que foi divertido. Porque esse trabalho mais analógico te coloca em contato com mais gente, né? Por exemplo, até na preparação do material gráfico… a gente poderia ter tirado uma foto nossa e botar lá um fundo, ‘Ah, ChatGPT, me coloque aqui no lugar assim, faça isso’. Mas não, a gente prefere juntar 50 pessoas, gastar uma fortuna e provocar a construção de um mundo que a gente vai ficar explorando esse mundo por 2 anos, pelo menos. Então isso se reflete em todos os processos – desde a música, que a gente foi buscar sons em estúdios específicos; até o material visual, que a gente foi fazer de fato com muitas pessoas. E tem o show, o disco ser mostrado ao vivo no formato do show. Tudo tem essa característica humana, que é um negócio que estamos bem focados em inserir em tudo que a gente faz”.

Foto: Divulgação / Cred. Camila Cornelsen

Qual faixa cada um de vocês acha que vai gerar mais conexão com os fãs, e por quê?

Vavo: “O fã de Fresno tem uma particularidade de se identificar mais com músicas que tenham letras muito fortes. Tem muito fã que fala: ‘Parece que essa música foi escrita para mim’. Então, lógico, tem as músicas do Lucas ali contando história de alguma coisa, de alguma situação; que são coisas que acontecem na vida de várias pessoas, obviamente. Então a gente sabe que as pessoas estão ouvindo uma música e elas estão relacionando isso a alguma coisa que aconteceu com elas”.

“Dito isso, eu acho que são músicas com histórias mais pessoais, como por exemplo ‘O Cantor e o Taxista’. Não que necessariamente a pessoa tenha passado pela mesma história, dentro de um táxi, provavelmente não; mas as músicas que têm essa letra mais pessoal, que parece que estão contando uma história mais detalhadamente, eu acho que são as que os fãs se identificam mais. Historicamente, o comportamento do fã sempre foi assim, e isso meio que tende a ser nas músicas maiores. Como em ‘Cada Poço Dessa Rua Tem Um Pouco De Minhas Lágrimas’, ‘Milonga’, são músicas que contam histórias maiores e são músicas maiores. Eu acho que ‘O Cantor e o Taxista’ tem um potencial nesse álbum para ser uma dessas músicas. Outras também, agora parando para pensar aqui, mas eu acho que essa tem mais potencial”.

Lucas: “Pois é, essa é meio óbvia, assim, a ‘classicona’, mas tem pessoas ouvindo e falando muito sobre ‘Tentar de Novo e de Novo’, que explora muito uma sonoridade bem clássica nossa; mas que, sabe, com o tempo tu vai refinando. Mesmo que tenha uma espécie de fórmula – que não é -, tu vai refinando até esse teu artesanato, assim. E eu fiquei muito feliz de ver muitas pessoas falando que essa era a preferida delas, porque essa é uma música que vai ser nosso single de rádio e tal. É música que tem força, e não apenas de ser radiofônica”.

“Mas também tem uma outra impressão. É que a banda, por ter mais de 25 anos, tem um público de pessoas que começaram a ouvir a banda sem aquela coisa da fase emo, ali. Então tem pessoas que ouvem a banda há menos tempo, e essas pessoas têm uma cabeça mais aberta a outras sonoridades nossas. E isso eu acho muito legal; porque às vezes tem um fã que é mais emo purista, e ele não consegue conceber como música algo que não tenha um drama sem fim e tal. E ao mesmo tempo tem outro que fala: ‘Pô, adoro o clima daquela música lá, achei dançante, achei legal, achei divertido’, sabe? Coisas assim que também são frescas. E isso é legal, porque as bandas que eu aprendi a ser fã são muito multifacetadas. Talvez o Queen, que é a minha banda preferida, seja a banda mais multifacetada que existe, né? No mesmo disco tem uma ópera e tem um metal, e tudo saiu da cabeça daqueles caras. Eu acho que essa é a complexidade que faz também a gente ter um show que é legal de fazer, porque não é só uma energia o tempo inteiro”.

Guerra: “Eu concordo muito com o que eles falaram aí. E, só para botar uma pimentinha aqui, eu acho que muita gente vai achar que ‘Pessoa’ é uma música nossa, porque muita gente que não viveu a época dessa música estourada na voz da Marina Lima. Porque é uma música que você vê que realmente quem ouvir e não conhecer vai achar que é nossa – porque a gente nunca uma música que não era nossa; essa daí é tão nossa que a gente teve que gravar”.

Falando em “Pessoa”, esse é justamente um destaque do projeto por ser o primeiro cover presente em um álbum da Fresno. Por que escolheram essa composição para o disco, e como ela se encaixa no conceito geral do projeto?

Lucas: “Ah, primeiro que ela é uma música muito linda, que me marcou desde que eu a ouvi ainda criança. E também, durante o ano passado, eu comecei a compilar algumas músicas que eu considero, assim, infalíveis, músicas que são perfeitas; e essa daí estava nesse compilado. E aí eu risquei uma demo meio rápida dessa música. Aí, quando essa demo ficou andando para aqui e para lá, dentro das nossas conversas da banda, foi natural que em algum momento a gente disse: ‘Tá, mas essa música eu acho que a gente tinha que botar no disco’. E aconteceu assim, porque ela casava muito, já que nesse momento o disco já estava ganhando talvez esses contornos, assim, meio Brasil dos anos 80. Acho que tudo veio a calhar”.

Para terminar, vocês vão apresentar o álbum aos fãs antes mesmo do lançamento oficial, em um show que acontece no Espaço Unimed, no dia 18 de abril. Quais são as expectativas de vocês para o evento?

Lucas: “O show vai começar com o álbum inteiro, né?”

Vavo: “E é o prometido, né? É a ideia: tocar o álbum inteiro para a galera escutar. Eu acredito que várias pessoas não vão ter escutado ainda, apesar de terem recebido um link com uma prévia”.

Lucas: “Ah, eu acho que todo mundo escutou”!

Vavo: “Mas vai ter gente que às vezes tá sem tempo, escutou uma vez ali, meio trabalhando… e vai estar lá, ao vivo, vendo várias coisas novas. Vai ter gente que escutou 10 vezes, 30 vezes o disco e vai cantar todas as músicas. Mas a ideia é tocar o disco inteiro no início, né, fazer essa experimentação. E, na sequência, a gente vai continuar fazendo o show. Obviamente que a gente tem uns 40 e poucos minutos, e seria um show muito pequeno se fosse só isso. A gente vai continuar tocando as músicas clássicas, músicas da história da Fresno – já que, nessas alturas, a gente está no 11º disco. Então, a continuação é meio que uma música de cada disco, ou duas de algum disco, mas é meio que uma condensação de tudo que a gente já lançou até hoje. E aí o show vai se transformar num show de 2 horas. E vamos ver se dá certo. Foi uma ideia que a gente teve há muito tempo atrás, seguimos fiéis a ela até agora, e eu acho que tem tudo para dar certo. Vão ser pessoas com experiências diferentes ali, níveis diferentes de conhecimento do disco, mas eu acho que a experiência vai ser bem legal”.

Guerra: “E eu aposto que vai estar todo mundo cantando”.

Vavo: “Todo mundo? Então quer dizer que, se tiver uma pessoa não cantando, eu ganho a aposta, é isso? [risos] Eu aposto em até todo mundo, menos um”!

Por fim, queria que vocês deixassem um convite para o público participar desse evento de pré-lançamento, e também escutar o disco “Carta de Adeus”.

Lucas: “É isso, galera, venham para o nosso mundo agora, que, nessa era, chama-se ‘Carta de Adeus’. É um disco que está muito rico, tem muita coisa linda pra ouvir ali. A partir de agora, os shows vão ser altamente com esse material. E esses dois primeiros, em São Paulo e Brasília, com certeza vão ter o disco na íntegra. E é isso. É mais um momento em que a gente vai ficar monotemático, falando sobre essa coisa. E, enfim, entrem nessa que vai ser legal”.


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