São Paulo se prepara para receber neste sábado (30) a Fresno na I Wanna Be...

São Paulo se prepara para receber neste sábado (30) a Fresno na I Wanna Be Tour, turnê realizada pela 30e, que celebra a cena emo e pop-punk dos anos 2000 e que no ano passado reuniu 150 mil pessoas. Com 25 anos de carreira, a banda gaúcha continua firme na estrada e promete uma apresentação que mistura clássicos e músicas do disco mais recente, “Eu Nunca Fui Embora”.
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Em entrevista ao Tracklist, Guerra, Gustavo e Lucas contaram como é voltar a tocar para milhares de fãs, a emoção de ver o público cantando cada música e os desafios de manter a banda ativa por mais de duas décadas. Eles também deram spoilers do setlist, incluindo a histórica “Onde Está”, e falaram sobre o futuro da banda após o encerramento da turnê. Confira!
Gustavo: Podem dormir até um pouco mais tarde, né? [risos]
Lucas: Isso, porque era cedo demais aquele show, puta que pariu [risos]. Mas, pô, eu acho que essa turnê representa um arco muito legal. A gente está vivendo um momento muito f*da como banda – e isso não reflete necessariamente o momento do mercado de shows. A gente vê muitas pessoas preocupadas com isso, tipo: “Ah, o mercado está saturado, muita coisa acontecendo…”. Mas, independentemente disso, a gente está vivendo shows muito bons, e conseguindo levar esses shows para muitos lugares.
O I Wanna Be Tour é um evento de um tamanho tão grande que deixa tudo isso muito óbvio. Mostra não apenas a força da Fresno, mas a do cenário do qual fazemos parte. Lá no começo, muita gente achava que esse movimento era passageiro, que a gente era só “aquelas bandas de criançada”. E hoje é muito f*da poder bater no peito e falar: “Viu?”. A gente sempre teve um lugar nesse movimento, e o Brasil sempre teve uma cena emo e hardcore muito forte, que manteve esse amor vivo – não só pelas bandas brasileiras, mas também pelos gringos que agora estão vindo para os festivais. Então vai ser um baita negócio.
O spoiler do show é que a gente vai tocar “Onde Está”, que é a música mais antiga da banda que estourou, a primeira que as pessoas ouviram e falaram: “Isso aqui é hit, maluco!”. A gente fez um show no Emovive só com músicas dos três primeiros discos, bem raiz mesmo, e “Onde Está” foi uma música que marcou muito. Então, nos últimos 4 ou 5 shows, a gente começou a tocar ela para criar essa massa crítica, sabe? É meio que uma aposta nossa, porque nunca sabemos exatamente quem é o público que vai estar ali. Tem fãs da Fresno, claro, mas Fresno tem vários tipos de fãs. Então pensamos: “O que pode ser um grande momento no festival?”. E resolvemos arriscar. Então, estou te dizendo agora: “Onde Está” vai estar no setlist do I Wanna Be Tour. Isso sem falar no nosso material atual, do disco “Eu Nunca Fui Embora”.
Guerra: É doido, porque eu vejo a “Eu Nunca Fui Embora” nos vídeos, mas eu nem realizava que a gente já estava tocando ela no primeiro I Wanna Be [Tour]. Porque tipo assim, era só ela. O disco ainda não tinha saído, então agora vai ser a nossa chance de tocar músicas novas todas bonitinhas.
Lucas: O que dá nervoso mesmo é quando a gente faz algo fora do normal. Quando está tudo certo, não importa as condições. Mas num show desse porte, é diferente. A gente está acostumado a tocar para 4, 5 mil pessoas, às vezes 10 mil. Mas agora é bem mais do que isso. E sabe o que realmente deixa a gente nervoso? Quando tem uma galera ali no lado do palco, de outras bandas que a gente respeita muito, olhando. Dá uma travada, você acaba tocando uns 30% pior só porque aquele cara está te vendo [risos].
Mas, cara, se tem um festival em que a gente se sente em casa, é esse. Esse é o nosso rolê. É a noite de gala para quem curte esse som, para quem acompanha Fresno e tantas outras bandas. Vai ter Fake Number, Glória, Dead Fish… Guerreiros desse movimento. Vai ser uma missa emo de muitas horas. E também é um momento para mostrar a força do cenário brasileiro, que é cavalar. O emo no Brasil sempre foi muito grande – e ainda é.
Gustavo: Cara, vou te dizer da minha parte: a gente está muito preparado para essas situações. São 25 anos de banda, já tocamos em lugares enormes. E temos uma equipe fenomenal, que garante tudo perfeito no palco. Nossa única preocupação é performar bem para o público. Eu fico mais nervoso em programas de TV ao vivo, porque se algo der errado, fica registrado para sempre e sem a estrutura que a gente tem em show. Mas no palco, com a nossa equipe e os nossos fãs, me sinto super tranquilo. É claro que uma multidão de dezenas de milhares de pessoas faz diferença, mas ainda é um ambiente controlado. É onde estamos na nossa zona de conforto.
Lucas: A casa própria. Não, tô brincando [risos]. Cara, é difícil, porque tem aquelas conquistas pontuais: ganhar prêmio, gravar um disco, fazer um show específico… Mas, para mim, o mais bonito do nosso trabalho foi a construção lenta, de formiguinha, diária. Acho que esse é o aspecto pelo qual a gente mais é admirado – não só por fãs, mas por outras bandas também. É tipo: “Mano, como os caras trabalham!”. E no fim, isso se provou nosso maior triunfo. Foi o que garantiu nosso sucesso e longevidade.
Então é difícil apontar um único momento em que tudo mudou. Foram muitos. Acho que o mais importante foi manter uma relação saudável entre nós três, porque é isso que faz a banda rodar bem. A gente sempre conseguiu tocar esse barcão sem ninguém puxar para trás, sem sabotar a banda por questões pessoais. E é por isso que chegamos até aqui – e ainda vamos mais longe, porque não temos nenhuma pretensão de parar.
Lucas: A gente vai parar de tocar para sempre… [risos] Brincadeira. A turnê tem shows marcados até novembro, mas deve seguir mais um pouco. E, claro, já estamos trabalhando no próximo momento. Quem acompanha mais de perto já viu alguns easter eggs aqui e ali, porque tem coisas acontecendo no processo criativo. Agora estamos no momento de formatar isso, entender qual vai ser a próxima estação da Fresno.
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