Canção foi lançada no Dia Internacional da Floresta

A cantora Cella lançou, em março, a faixa “Encantaria”, pop tropical com menção ao folclore amazônico. A canção, que homenageia o Dia Internacional da Floresta, em 21 de março, antecede o primeiro álbum da artista, “Efeito Borboleta’’.
Em entrevista ao Tracklist, Cella conta a narrativa por trás da canção, aborda as principais nuances de sua trajetória e compartilha quais são os próximos passos da carreira.
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Você vem do teatro musical, um ambiente onde narrativa, personagem e emoção são fundamentais. Quando você entra no estúdio para criar uma música, a Cella cantora pensa como compositora ou ainda existe ali uma atriz construindo uma personagem dentro da canção?
Eu acho que as duas coisas caminham muito juntas em mim. Eu sou compositora, claro, mas a atriz nunca sai totalmente de cena. Quando eu entro no estúdio, eu penso muito em imagem, em emoção. Acho que o teatro me ensinou muito sobre narrativa, então eu gosto que a música tenha começo, meio e fim… que ela faça a pessoa sentir alguma coisa.
Muitos artistas pop falam sobre identidade sonora depois de lançar vários trabalhos. No seu caso, a mistura de referências amazônicas com o pop já aparece logo no início da sua fase autoral. Isso foi algo planejado desde o começo ou surgiu de forma intuitiva no processo criativo?
Foi bem intuitivo, na verdade. Eu nunca sentei e falei “vou fazer um pop amazônico”. Mas eu sou de Manaus, cresci cercada por essas referências, por esses sons, então isso naturalmente aparece na minha música. Quando comecei a compor, percebi que queria que o pop que eu faço tivesse a minha cara, o meu lugar de origem. Acho que isso acabou virando uma base artística sem eu forçar.
O pop brasileiro vive um momento de muita mistura de gêneros e regionalidades. Quando você olha para sua música, o que sente que está trazendo de novo para essa conversa dentro do pop atual?
Acho que estou trazendo um olhar muito afetivo para essas referências da Amazônia dentro do pop. Não é só uma estética, é algo que faz parte de quem eu sou. Eu gosto da ideia de misturar o pop, que é universal, com elementos muito nossos, essa energia meio mágica da cultura amazônica.
Seu novo single, “Encantaria”, tem uma atmosfera quase mística e visual, como se fosse uma história acontecendo na pista de dança. Qual foi a primeira imagem ou sensação que veio à sua mente quando começou a compor essa música?
A primeira sensação foi muito visual mesmo. Eu imaginei uma noite quente, gente dançando, luzes, e uma energia de encantamento no ar. Aquela sensação de quando você entra num lugar e parece que todo mundo está meio hipnotizado pela música. “Encantaria” nasceu muito dessa ideia de poder feminino, de festa, mas também de mistério.
A faixa traz referências bem marcantes da cultura amazônica, como o boi-bumbá e a cachaça de jambu, dentro de um pop dançante. Como foi equilibrar essas referências culturais com uma estética pop contemporânea?
Foi um processo muito natural. Eu queria que essas referências estivessem ali de forma orgânica, não como uma “citação”, sabe? Ao mesmo tempo, a produção traz esse pop mais contemporâneo, dançante. Pra mim foi justamente sobre encontrar esse equilíbrio: manter a essência da cultura, mas apresentar isso numa linguagem pop de hoje.
“Encantaria” chegou justamente no Dia Internacional das Florestas, o que traz uma camada simbólica interessante para o lançamento. O quanto sua relação com Manaus e com a Amazônia influencia a forma como você cria música hoje?
Influência total. Ser manauara é uma parte enorme de quem eu sou e da vida minha vida artística. Eu cresci nesse lugar maravilhoso que tem uma relação muito forte com a natureza, com o imaginário da encantaria, dos mitos… e isso tudo acaba atravessando meu processo criação. Lançar “Encantaria” perto do Dia das Florestas tem um simbolismo bonito, porque a música também é uma homenagem a essa energia da Amazônia e a essa cultura tão brasileira.
“Encantaria” é a porta de entrada para o seu primeiro álbum. Que tipo de universo sonoro e visual você pretende apresentar nesse projeto e como ele conversa com as outras fases da sua trajetória artística?
Esse primeiro álbum vai apresentar muito desse universo que eu estou começando a mostrar agora. É um pop bem imagético, muito ligado à natureza, à espiritualidade, ao movimento da vida… por isso até o nome Efeito Borboleta. As músicas conversam entre si como se fossem capítulos de uma mesma história. Tem essa mistura de pop com ritmos brasileiros, especialmente do Norte, e também um lado mais emocional e íntimo meu.
Você tem uma bagagem muito forte de palco por causa do teatro musical. Quando está criando ou gravando uma música, você já pensa na performance, no visual e na experiência ao vivo que aquela faixa pode ter?
Com certeza. Eu sempre penso no palco. Acho que isso vem muito do teatro musical, porque lá a música já nasce pensando na cena. Então quando eu estou gravando ou compondo, eu imagino a luz, o figurino, a coreografia, o momento do show… Eu gosto de pensar que cada música pode virar uma experiência ao vivo, quase como uma pequena cena dentro do espetáculo. Isso é algo que me empolga muito como artista.






