Entevista: DJ Tamy fala sobre ocupar espaços na música, carreira e mais

Em entrevista, a artista adiantou os próximos passos da carreira

Foto: Reprodução/Instagram

Cria da Zona Norte do Rio de Janeiro, DJ Tamy transformou resistência em combustível e se tornou um dos nomes mais potentes da cena urbana nacional. De projetos sociais como o Favela Beats e o RAPensando à presença em grandes festivais e campanhas de marcas globais, ela construiu uma trajetória marcada por propósito, autenticidade e representatividade.

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Reconhecida pela energia nas pistas e pelo estilo inconfundível, Tamy faz da moda uma extensão da própria arte — uma maneira de comunicar identidade e reforçar o protagonismo de mulheres pretas dentro e fora da música. Para ela, estar nesses espaços é mais do que conquista: é um ato político e coletivo.

Em entrevista ao Tracklist, a artista reflete sobre sua caminhada, o desafio de se impor em uma indústria majoritariamente masculina, a relação com a moda e os próximos passos de uma carreira que segue em ascensão — agora com o olhar voltado também para o mundo.

DJ Tamy fala sobre trajetória, moda e representatividade na música

Tamy, na nossa última conversa, você estava prestes a lançar o EP Baile da Tamy. Como você inspira sua evolução de lá para cá?

Ah, o Baile da Tamy foi meio que o meu primeiro filhinho no mundo, né? Já estou pensando em produzir outra coisa, quem sabe lançar um álbum. Talvez não em 2026, mas já tenho algumas ideias. Eu acho que o Baile da Tamy mistura muito o que eu gosto e quem eu sou. Acredito que através dele as pessoas conseguiram entender um pouco da minha identidade.

Você começou na música em projetos como o Favela Beach. Quando percebeu que aquele espaço, que era de formação e resistência, poderia ser também o início de uma carreira sólida?

Eu comecei no projeto Repensando da Turpa e, na sequência, participei do Red Bull Favela Beach. Foram dois projetos sociais que me permitiram aprender e fomentar minha carreira. Para mim, a música já era
um sonho, mesmo não estando em primeiro lugar na minha vida naquele momento. Estar nesses projetos foi primordial, porque foi ali que comecei a construir minha trajetória artística.

Ser uma mulher preta da Zona Norte do Rio, em uma indústria dominada majoritariamente por homens, é um ato de coragem. Como foi se impor nesse meio e fazer com que sua presença fosse ouvida e respeitada?

Isso levou um tempo para acontecer. Quando se é uma pessoa negra da Zona Norte, a gente enfrenta vários obstáculos. Minha estratégia de evolução e ocupação foi muito baseada na resistência. Sempre pensei: eu tenho que estar aqui, eu sou boa, eu mereço esse lugar. Mas sem esquecer de onde vim, de valorizar minha cultura. Por exemplo, recentemente estive em um lançamento na Baixada com amigos e percebi o quanto é longe e difícil chegar a esses espaços centrais. A gente precisa ocupar os lugares que nos foram negados, mas sem esquecer nossas origens, porque é daí que surgem talentos e explodem culturas que muitas vezes não são vistas.

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Além dos palcos, você fala muito sobre moda como forma de comunicação. Como você enxerga seu estilo pessoal e o que ele expressa sobre você como artista e mulher?

Meu estilo pessoal reflete minha essência e quem eu sou. O jeito que me visto comunica muito sobre minha profissionalidade. Acho que meu estilo é jovial, alegre, gosta de cor, é marcante. Ele mostra minha
personalidade e como me expresso como DJ e artista.

Quando você olha para sua caminhada, dos projetos sociais às grandes marcas, qual sente que é sua maior contribuição para a cena hoje?

Acho que é meu corpo estar presente nesses lugares e com essas marcas. Não é um corpo padrão, é um corpo que passou por várias questões até chegar aqui. Estar aqui possibilita que outros iguais a mim ocupem esses espaços também. Isso é legado e me deixa muito feliz.

O que você diria para meninas pretas e periféricas que veem no palco e sonham em seguir um caminho parecido?

Isso acontece muito. Quando vou tocar em alguns lugares, as meninas vêm falar comigo, não só as que querem ser DJs, mas também as que querem trabalhar com música de alguma forma. Eu sempre digo: é
possível. A gente sabe que há obstáculos, mas se você quiser, se movimentar e batalhar, acontece. E eu estou aqui para fortalecer, ajudar, dar dicas e fomentar esses caminhos.

E, olhando para frente, quais são os próximos espaços que você ainda quer ocupar?

Ano passado, falei que já realizei o sonho de tocar em vários festivais no Brasil. Meu próximo objetivo era tocar em um festival fora do país, preferencialmente na América, e consegui realizar isso este ano no
SXSW, no Texas. Para o próximo ano, quero ocupar mais espaços de comunicação, trocar ideias, conversar com pessoas e estar mais presente nessas experiências. Claro, sem deixar de lançar música, que é minha vida, e sem deixar de participar de outros festivais internacionais, que também
quero explorar.


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