Conheça Horsegirl, banda indie que estreia no Brasil no C6 Fest

A banda de indie rock é uma queridinha da crítica musical; e não tem nenhuma relação com a DJ que usa fantasia de cavalo

Banda indie Horsegirl abre o C6 Fest | Foto: Ruby Faye/Divulgação

Uma das apostas curatoriais da edição de 2026 do C6 Fest, Horsegirl, banda indie natural de Chicago nos Estados Unidos, estreia nos palcos brasileiros no próximo sábado (23/5) como um dos atos de abertura do fim de semana de eventos no o Parque do Ibirapuera em São Paulo. Formado por Nora Cheng, Penelope Lowenstein e Gigi Reece, o grupo apresenta a turnê do novo disco “Phonetics On and On”, de 2025, e mostra para o público o motivo dessas jovens mulheres serem queridinhas da crítica musical internacional.

As norte-americanas iniciaram a carreira em 2019 e um ano depois já começavam a aparecer em listas de artistas promissores da nova cena musical nos Estados Unidos. A boa recepção dos primeiros lançamentos as levou ao disco de estreia “Versions of Modern Performance” em 2022. O álbum recebeu elogios de toda crítica musical especializada e, em pouco tempo, a banda começou a ser pintada como uma das salvadoras da cena indie internacional.

Entretanto, antes de serem as paladinas de um novo indie rock para os portais de música, Nora, Penelope e Gigi são amigas de longa data que conversam cada detalhe do que está sendo escrito, composto e tocado na banda. “Talvez o que é diferente na nossa relação se nos compararmos a outras bandas é o fato de nós ouvirmos o que cada uma tem a falar de forma séria e sincera”, pondera Nora, guitarrista e co vocalista, em entrevista ao Tracklist.

“Tudo que escrevemos, fizemos como uma banda, de forma coesa. As músicas têm nos três cérebros pensando em cada pequena parte como se fossem apenas um”, acredita a guitarrista. “Nada na banda é a visão de uma pessoa, tudo somos nós juntas”, acrescenta.

De alguma forma, a união se reverte em um sentimento sonoro. “Nós tentamos sempre considerar o que cada uma faz e às pessoas já falaram que isso ressoa na música. Acho isso lindo”, diz Nora. A cantora acha que essa colaboração é a chave para a excelência. “A gente sempre deixa a outra entrar para falar o que da parte dela pode ajudar a fazer a melhor música possível”, crava

Passado, presente e futuro da música

No processo, Horsegirl chegou a uma música que mistura rock, shoegaze e uma pegada mais slacker. Com isso, a banda acabou transportando os fãs de volta para uma sonoridade mais popular no som dos pioneiros do gênero que é chamado de indie, no final dos anos 1990.

Ao distorcer as guitarras e soar de maneira “suja” com as letras cantadas com uma voz angelical, Horsegirl acabou chamando a atenção daqueles que gostavam de nomes como Stereolab e Yo La Tengo ou até Pavement, Bikini Kill e My Bloody Valentine. “Algumas vezes nossa música leva as pessoas para um lugar que a gente não existia. Retoma elas para um passado, mas não era a nossa intenção”, reflete Nora.

No início, elas se surpreenderam com a chegada de um novo público. “É estranho, porque é como se carregássemos uma nostalgia de algo que não é do nosso tempo”, explica Nora. Porém, logo se acostumaram e veem com ternura a capacidade que a música tem de tocar as pessoas. “Aquece os nossos corações saber que podemos conectar pessoas com um período da própria juventude que parecia não estar mais vivo”, complementa.

No entanto, as artistas têm buscado evoluir a própria sonoridade para mostrar uma essência mais atual. Nesta toada, veio o “Phonetics On and On” no ano passado. “Estamos cada vez mais interessadas em explorar para que o nosso som seja mais contemporâneo, enquanto pegamos referências de épocas da música que amamos”, afirma a guitarrista que já tem um público em mente: “Nós queremos nos conectar também com pessoas da nossa idade. Queremos que as pessoas olhem para o que estamos fazendo e sintam que isto é o agora”.

O desconhecido Brasil

A busca por novidades as colocou em rota direta de encontro com os brasileiros. Um público que anseiam conhecer, mas que sabem pouco sobre ainda. “É empolgante descobrir que o público brasileiro é animado. Quero realmente saber se vai parecer um tipo de público que nunca vimos na nossa vida antes”, conta Nora que também diz achar toda história dos comentários “come to Brasil” muito engraçados, mesmo não utilizando muito redes sociais.

Elas entendem que estão em uma posição de serem descobertas pelos brasileiros no C6 Fest. Em meio a nomes como The xx, Beirut, Robert Plant e Wolf Alice, a banda vai encontrar muitos ouvintes de primeira viagem que estarão na plateia no aguardo dos artistas favoritos. “É renovador tocar para pessoas que não tem muita noção do que você é ou como soa a sua música”, conta a cantora.

“Nesse show nós vamos tocar as músicas que já lançamos, mas também terão canções novas, que ninguém nunca ouviu”, antecipa Nora que pretende usar o público brasileiro como termômetro. “É interessante pensar que pode ter parte do público que não vai ter a noção de quais músicas são novas e quais já são mais antigas. Pessoas que vão aceitar todas no mesmo nível”, adiciona. “Quando a plateia não nos conhece, é interessante ver ao que ela responde”, conclui.

Não confundir com a “DJ cavalona”

HorsegiirL: a grafia do no da DJ tem um “i” a mais e um “L” maiúsculo | Reprodução/Instagram

A apresentação da Horsegirl precisa resolver um mal entendido. A banda indie norte-americana tem uma DJ praticamente homônima: HorsegiirL, pseudônimo da musicista alemã Stella Stallion. A artista se veste de cavalo e fez parte da lineup mais recente do Lollapalooza Brasil em 2026.

As estadunidenses estão há mais tempo usando o nome, mas a excentricidade do visual da DJ chama muita atenção o que gera certa confusão. “Às vezes, as pessoas se confundem. A maioria quando vão marcar a gente, ou ela, em uma postagem no Instagram”, lembra Nora.

A banda espera que isso nunca se desenvolva para um problema efetivamente e leva numa boa a coincidência. “Adoraria conhecê-la, porque temos o mesmo nome e acho isso bem divertido”, almeja a artista que até aceitaria um remix da “DJ cavalona”. “É, seria legal”, brinca.

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