16 de junho de 2019 por Redação Tracklist.

Por Andressa Gonçalves e Giovana Bonfim

No último sábado (15), fomos agraciados com a segunda edição do Queremos! Festival, que ocorreu na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. O festival abriu os portões às 13h30, e, desde 14h30 até às 4h aconteceram shows sem pausa. O line-up em sua maioria brasileiro de peso: Baco Exu do Blues, Duda Beat, Criolo e mais. Mas também houveram atrações internacionais, como a norte-americana Allie X.

O Portal Tracklist esteve por lá e acompanhou alguns shows. Você pode conferir abaixo o que presenciamos:

Orquestra Petrobras Sinfônica

A Orquestra Petrobras Sinfônica abriu o Queremos! Festival com uma coleção de hits da banda britânica Queen. Teve “Love of My Life”, “Don’t Stop Me Now”, e, não pode faltar: “Bohemian Rhapsody”.

A orquestra, que foi criada em 1972, é bem conhecida por seus projetos inusitados. O mais recente deles se chama “O Clássico É…” e consiste em criar versões orquestradas de músicas populares de diversos gêneros. A apresentação no festival de foi uma espécie de “O Clássico É…” especial, visto que o grupo homenageou não um estilo musical, e sim uma banda.

A energia e o carisma do regente Felipe Prazeres incentivou o público a soltar a voz e cantar junto com a orquestra. Foi um dos pontos altos do concerto.

Outros momentos marcantes ocorreram nas músicas “We Will Rock You”, quando a plateia bateu palmas e os pés no ritmo da música; e, em “Another One Bites The Dust”, quando a voz da plateia sobrepôs os instrumentos da música do início ao fim.

O show animou o início de festival e contou com público desde crianças à jovens e adultos.

Carne Doce

Com uma roupa preta e acessórios em branco: foi assim que Salma Jô subiu no palco – que também recebeu música experimental, energia alta da banda e uma vocalista performática.

Foto: Luisa Born/Tracklist

Apesar de performances das músicas impecáveis, sonoridade boa e o palco até mais cheio, o público não parecia tão animado. Talvez Carne Doce funcionasse melhor à noite, já que seu show começou lá pelas quase 16h.

A apresentação terminou com um início de pôr do sol, pelo fim da tarde. Mesmo com público desanimado, foi um bom show, mas que ainda não conseguiu levantar tanto a vibe de um festival.

Jade Baraldo

Jade já começou seu set com a energia lá em cima! Trocando de roupa ainda na primeira música, a catarinense esbanjou ousadia, coreografias elaboradas, e jogo de cintura até mesmo quando precisou pausar seu show por alguns minutos, devido a problemas técnicos do festival.

Foto: Luisa Born/Tracklist

Marco e Eddy, coreógrafos e dançarinos da cantora, também foram destaques em sua apresentação. Ganharam aprovação total da plateia em cada movimento executado.

Luedji Luna

Luedji foi o primeiro diferencial dessa edição: negra, fugindo do pop industrial e com show voltado às suas raízes. Com energia do samba e ritmos nordestinos, foi o show que de fato começou a animar o público.

Foto: Luisa Born/Tracklist

Performática, expressiva e sentimental, mostrou sem medo ao que veio. Os destaques são à canção “Saudações Malungo” e “Banho de Folhas”.

O primeiro show de fato da noite que envolveu questões políticas. Luedji se emocionou em “Saudações Malungo” e pedia para que as PMs parassem de matar os negros. Além do discurso antes de começar a canção falando sobre o seu significado.

Em “Notícias de Salvador”, chamou todos os baianos ali presentes para cantar e sentir saudade da Bahia.

Duda Beat

Tendo sido um dos shows mais aguardados da noite, grande expectativa foi gerada em torno do show da pernambucana Duda Beat. E ela não falhou na entrega.

Leia também: Entrevista: Duda Beat fala sobre show no Lolla e suas composições

Duda pulou, brincou, gritou, dançou, protestou e dominou o público. Detalhe: tudo isso estando com dor de garganta.

Foto: Luisa Born/Tracklist

Vidrados, os espectadores cantavam junto com a cantora, o que resultou nela afirmando no fim do show de que “esta foi a melhor plateia do ano”.

“Comigo é assim, numa música você se empodera e na outra você chora”. Talvez seja essa sinceridade, esse fator ‘gente como a gente’ autêntico que torne muita gente fã da cantora.

Um dos momentos mais memoráveis do show foi quando Duda cantou com uma bandeira LGBT, dada pela plateia. A cantora também fez um cover de “Say You Will Be There”, das Spice Girls, em tecnobrega e levou o público às alturas.

Falando em tecnobrega, o estilo se mostrou muito presente no show. Talvez o reconhecimento do estilo no sudeste no último ano tenha se dado por parte graças as músicas de Duda, que misturam o ritmo com letras mais pessoais.

Allie X

Uma das apresentações mais fortes do dia, a voz poderosa de Allie ecoou por toda a Marina da Glória, até quem estava chegando conseguia ouvir a voz da cantora com clareza. Além disso, Allie foi muito simpática, trocando palavras em português e sorrisos com a plateia. Em certo momento do show, ela soltou um “nos Estados Unidos eles não fazem isso”, em referência ao acolhimento do público aqui.

Foto: Luisa Born/Tracklist

O pique da cantora também chamou a atenção, já que mesmo fazendo várias coisas ao mesmo tempo, ela não parava um minuto. Algumas pessoas, que já estavam no Palco Rosa esperando pelo show de Gal Costa e não conheciam o trabalho de Allie X, assistiam seu show pelo telão com atenção e comentavam entre si que procurariam mais sobre o seu trabalho posteriormente.

Gal Costa

Sendo um dos principais nomes do MPB, Gal Costa dispensa apresentações. A cantora começou seu set pontualmente às 20h30, para um dos shows mais cheios do festival.

Passando por clássicos como “Azul” e “Vaca Profana”, versões de músicas conhecidas pelo público como “London, London” de Caetano Veloso e “Que Pena (Ela Já Não Gosta Mais de Mim)” de Jorge Ben Jor, Gal Costa fez um show memorável e que agitou o público no Palco Rosa.

Foto: Luisa Born/Tracklist

O final do show se tornou uma grande festa! Gal apresentou um medley com várias músicas animadas, inclusive “Festa do Interior”, que sempre remete ao São João. Nela, inclusive, todos pulavam e dançavam, com direito até a tuneis humanos imensos de festa junina. Definitivamente uma ótima finalização.

Criolo

Sem duvidas o show mais político do festival. Durante todo ele, ressaltou a importância de lembrar que o racismo existe sim, falou sobre o atual governo e sempre pedindo boas energias.

Uma das coisas que talvez deem um toque a mais no show de Criolo são seus discursos entre as músicas, sempre muito atuais e que tornam seu show humano demais. Certamente, se alguém ali tivesse votado no presidente Jair Bolsonaro ou apoiado o ex-juiz e atual ministro da Justiça Sérgio Moro, estaria nada feliz com suas performances, sempre marcadas por críticas relevantes ao governo, seja nas músicas ou próprias falas.

Foto: Luisa Born/Tracklist

Um dos pontos altos foi a parte que ele falou que o público dele ali era o futuro do país. Que dali sairiam as novas esperanças, os novos talentos, e, o mais importante, os professores. E pediu muitos aplausos para os professores, dizendo que só com eles e com livros, sem armas, chegaríamos em algum lugar.

Criolo tocou ao lado de Ganjaman, produtor quase sempre presente em seus shows.

A apresentação foi quase que inteira de rap, podendo destacar “Boca de Lobo”, “Casa de Papelão”, “Grajauex” e “Não Existe Amor Em SP”. Só não em um momento: “Menino Mimado”. Presente em seu último álbum inteiramente de samba, lançado em 2017, foi feito especialmente para época do governo Temer, mas continua atual. “Foco força e fé, já falou meu irmão. Meninos mimados não podem reger a nação” “eu não aceito essa indisciplina”. Foram tais versos que arrancaram gritos e aplausos de concordância.

Baco Exu do Blues

Outro que foi também muito esperado pelo público e jogou política pelo show.

Uma coisa une os três negros que passaram pelo festival (Baco, Criolo e Luedji): ninguém aguenta mais PM matando pela cor da pele. É triste. E é sempre importante ressaltar e dizer o quão errada nossa sociedade está.
A introdução de Baco mostra artistas e políticos negros importantes em um telão, enquanto há um discurso sobre a importância deles na história. Figuras como Marielle Franco e Elza Soares são citadas.

O rapper passou por todos seus álbuns, tendo até levado suas backing vocals que fizeram toda a diferença em “Flamingos”, “Te Amo Desgraça” e “Me Desculpa Jay-Z”.

Baco com toda sua carisma abriu mares – literalmente dizendo. Naquele mar de gente, Baco conseguiu que o público se separasse em dois, para que em certo momento eles começassem a pular, se embolar e criar algo incrível e divertido. Também houve a parte que ele pediu para que dessem passos para trás, para que depois todos fossem chegando para frente correndo. Foi muito bonito e divertido de se ver.

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