Depois do sucesso com os covers no Youtube e chamar a atenção das gravadoras com seu talento, Jão lançou seu primeiro álbum de estúdio “Lobos” nessa última sexta-feria, 17 de agosto.

 

Com a ascensão do pop brasileiro nos últimos anos, foram surgindo diversos novos artistas nesse meio. No entanto, Jão não veio com mais do mesmo, e sim nos apresenta toda uma nova vertente ao pop nacional atual, mostrando o seu grande diferencial. O chamado “pop sofrência”é um estilo que não é tão comum ao cenário pop brasileiro. Essa onda do pop é bem comum no exterior, que no passado ficou bem popular com as músicas de Robyn e influenciou toda uma geração. Hoje, uma grande representação desse tipo de pop é a Dua Lipa.

Nessa vertente do pop, Jão nos traz letras que são na sua essência bem tristes, porém são produzidas com um estilo musical super dançante e para cima, resultando em uma música que ao mesmo tempo em que você dança, você pode chorar ao se identificar com a letra.

Por isso, desde o início desse projeto, Jão me deixou muito empolgado por está trazendo para o Brasil toda aquela estética de pop-star de fora, com todo um conceito para sua nova era, super produções de vídeo clipes, que acaba refletindo no álbum. Também trazendo algo mais dark pop, com uma vibe de misticismo. Junto à todas essas referências do exterior, Jão ainda sim consegue abraçar toda a brasilidade em suas músicas, com letras super identificáveis.

Destaques do álbum

O álbum possui 10 faixas, e além do grande sucesso de “Imaturo”, separamos alguns dos maiores destaques do disco:

-“ Vou Morrer Sozinho”: Esse é o atual single do álbum. Aqui ele mistura o pop com influências de batidas do trap. Nessa faixa, Jão fala sobre as tantas vezes que seu coração foi partido e a grande sofrência com isso. É um ritmo muito bom e convidativo à dançar coladinho com alguém, ou sofrer sozinho. A música tem um refrão de querer gritar todas as letras. Logo, é muito evidente a questão do pop sofrência, por ter uma produção para cima e divertida, com uma letra bem triste e melancólica.

– “Lindo Demais”: Com uma música cheia de detalhes da produção, harmonias e efeitos vocais, a faixa tem um refrão bem marcado e intenso. Essa é uma música que é essencial ouvir no volume máximo ou com fone de ouvido, por ser rica em detalhes e tem um refrão super eletrônico e delicioso de sentir. Essa música celebra o amor em todas as formas e dá vontade de abrir os braços e gritar o refrão o mais alto possível!

– “A Rua”: Chegamos então a minha queridinha do álbum, que faixa genial! Nessa música temos uma estrutura bem pop e com muita brasilidade. Os acordes da guitarra ao fundo, junto a um coral presente em vários momentos da faixa, tornam uma música com um clima totalmente místico e folclórico. Na Ponte da música isso fica anda mais evidente, com palmas e o coral, nos transportam talvez a uma roda de capoeira. A letra segue essa linha e é bem sarcástica, em especial pela forma que Jão entrega seus vocais. Ao longo da faixa, a música torna-se super bem produzida, ganhando influência também da batida trap. Para mim é o destaque do álbum, mostrando a grande diversidade desse projeto.

– “Eu Quero Ser Como você”: O grande destaque dessa faixa é a produção mais experimental do álbum. Essa música me lembra algo que o Silva faria em seus projetos mais iniciais. Pela produção e o modo como entrega os vocais, a música é mais intimista, muito sincera e direta. Ele se entrega e abraça todas suas inseguranças e timidez. Ele fala sobre como queria ser menos assim, por no final acabando sofrendo mais, mas demostra toda sua vulnerabilidade, trazendo uma música muito identificável.

– “Monstros”: Com um encerramento belíssimo do álbum,  Jão nos entrega sua música mais emocional e sincera do projeto inteiro. Aqui temos uma balada com piano e violinos, que fala sobre autoconfiança, seguir o seu caminho, auto-estima e assim como cita na letra, abraçar sua escuridão e monstros. Com a letra escrita de forma super emocional, seguida de um piano de fundo e gradativamente a crescente de violinos, acompanha a jornada emocional da canção, e que faz o álbum se encerrar de forma extremamente sincera e positiva, mostrando o lado mais pessoal do cantor.

No final, Jão traz muita personalidade e sonoridades consistentes ao projeto, que poderia ser um pouco mais longo. Tem estruturas de músicas pop internacional e letras bem sinceras e descritivas. Em Lobos, Jão nos mostra várias vertentes de seu pop, trazendo algo novo e refrescante ao cenário musical brasileiro. Com vários destaques, o cantor consegue fazer um álbum bem produzido e com letras inspiradas, sem se tornar monótono, e trazendo suas vulnerabilidades, com assuntos facilmente identificáveis pelo público. Mostrando assim, seu potencial de ser uma grande estrela do pop nacional, sem perder suas origens e influências da música nacional.

Nota: 8/10

 

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