BANKS lança “III”, o seu melhor e mais maduro álbum até agora

Jillian Banks, ou como é conhecida nos palcos, BANKS, sempre entregou trabalhos sólidos e bem produzidos. […]

Por em 16 de julho de 2019

Jillian Banks, ou como é conhecida nos palcos, BANKS, sempre entregou trabalhos sólidos e bem produzidos. Após ‘Goddess’ (2014) e ‘The Altar’ (2016), nessa última sexta-feira (12), a cantora norte-americana lançou seu terceiro álbum de estúdio, “III”.

PRODUÇÃO

Algo sempre presente em seus trabalhos é a qualidade da produção. Por mais simples que a música seja, BANKS opta por produções interessantes, fora do convencional, com textura e melodias criativas. Suas canções são ricas de detalhes, efeitos vocais, camadas e profundidade, contribuindo para a criação de uma ambientação em suas músicas. Tudo isso, que já é uma marca da cantora, é executada de forma mais profunda, arriscada e primorosa em seu terceiro álbum de estúdio.

Em “III”, BANKS entrega aquilo que menos esperamos. A cantora optar por produções experimentais, e quando achamos que sabemos a direção que a música vai levar, ela quebra nossa expectativa e vai para o lado oposto. Mas tudo isso com coerência às propostas das músicas.

LETRAS

As letras do álbum continuam com a identidade sombria e pessoal que BANKS normalmente aborda. Porém, nesse disco a cantora se mostra muito mais madura, demonstrando as nuances de seus sentimentos, e sendo mais agressiva e objetiva do que nunca. O tema central do álbum é sobre um término de relacionamento e todas as consequências dele. O disco aborda todos esses sentimentos das formas mais extremas possíveis. O momento em que você percebe que aquela relação não te faz bem mas mesmo assim você não consegue sair dela. O término, o pós-termino e os sentimentos e lembranças que vem junto à situação. E também aquele momento de se encontrar e se sentir bem consigo mesmo. Tudo isso torna o álbum sólido, coerente e bem pessoal.

ABORDAGEM

Ao relembrar de seu repertório, é possível notar que nesse novo disco BANKS optou por experimentar e se arriscar com novas sonoridades. O gênero predominante é o r&b alternativo, que sempre esteve presente em suas músicas, junto ao pop alternativo, e até em alguns momentos, com influência do hip-hop/trap. Ela consegue entrega um álbum com sonoridade mais pop, e com algumas faixas bem mais sexys e upbeat, do que seus discos anteriores.  

DESTAQUES DO ÁLBUM

TILL NOW

Sendo a faixa introdutória do álbum, a música começa quase toda acapella. Ao decorrer dela, são adicionados sintetizadores, quase estourados, deixando com um clima sombrio e épico. Pelos vocais nessa música, é possível sentir toda a raiva que a cantora aborda na letra. É sobre aquele estágio de raiva que você tem pelo seu ex após o término, e do sentimento de saudade que ela mesmo não desejava ainda estar sentindo. Mesmo curta, a faixa é poderosa e grandiosa, conseguindo dar o tom de como o disco vai ser.

SAWZALL

É uma das faixas com a sonoridade mais diferente de sua carreira. Ela inicia com leves acordes de guitarra com teclado, que deixa o clima do álbum mais leve. No decorrer da música, são acrescentados sintetizadores, que dão uma leve clima de anos 80. De início, o vocal de BANKS é bem limpo e sem efeitos, que combina com clima acústico da música. No entanto, a partir do segundo verso, ela ganha detalhes na produção, com alguns instrumentos e sons experimentais, junto a uma batida grave voltada para o r&b, e assim a música se encaminha sonoramente para outra direção. A faixa consegue intercalar esses momentos experimentais e acústico muito bem. Na letra a cantora reflete sobre seu antigo relacionamento. Ela se sente culpada por não ter enxergado os problemas que a pessoa tentava lhe alertar, mas que no final ela não podia fazer nada, já que pessoa não estava sendo clara sobre os seus sentimentos.

HAWAIIAN MAZES

O instrumental remete a um r&b clássico e retrô, que no decorrer da música, deixa um clima etéreo. Isso fica evidente com o refrão suave e cheio de camadas vocais, deixando o clima da música ainda mais agradável. Chegando perto do final, a produção ganha belíssimos acordes de violinos e barulho de água, o que deixa tudo ainda mais belo e impressionante. Aqui ela fala sobre a necessidade de um momento de paz, e principalmente sobre precisar sair desse relacionamento que ela se vê presa, e que para o seu bem ela precisa deixar para trás. É uma música que recomendo ouvir de fone, pela riqueza de detalhes da produção!

ALASKA

Em Alaska, fui totalmente surpreendido. Também é um estilo de música que é novo e diferente dos antigos trabalhos de BANKS. Aqui ela experimenta melodicamente, cantando em um registro bem mais agudo do que o normal, de forma que você consegue sentir sua atitude debochada e sexy. A música conta também com vários detalhes na produção bem experimentais, com uma base r&b e leves influências de trap. Tem um refrão que pega fácil, com uma batida contagiante, divertida e sexy! Na narrativa, a cantora fala sobre alguém com que ela se relacionava, e que em vez de resolver os seus problemas, ele resolveu ir embora e fugir para o Alaska. Uma curiosidade é que a música surgiu a partir de um sonho, e ela acordou com a frase “He’s going to leave me for Alaska” na cabeça.

THE FALL

Quando eu pensava que BANKS não iria me surpreender e se arriscar mais, ela chega com ‘The Fall’. A música alterna entre um começo um pouco mais tranquilo, com acordes de violão ao fundo, e ao chegar no refrão são adicionados sintetizadores graves. Essa mistura funciona muito bem, tem um refrão bem fácil de pegar, e na ponte da música a cantora faz até um rap. A composição da música teve parceria com o famoso cantor de r&B, Miguel. É aquele tipo de música que dá para sentir muito bem a raiva e poder que BANKS quer transmitir!

WHAT ABOUT LOVE

BANKS finaliza seu disco com uma balada linda. A música é toda acompanhada pelo piano de fundo, mas rica de detalhes na produção. Tem vários efeitos vocais, reverberações, camadas de voz e pequenos detalhes de instrumentos, e ao fim a presença de violinos. A letra é direta, fala sobre os altos e baixos do amor, e termina com sua sobrinha falando “I love You”, o que deixa tudo mais bonito e sensível.

Por fim, foi o seu projeto mais ousado até agora. Tanto no sentido de produção como em sonoridade. É perceptível ver o crescimento de BANKS como artista. Comparando com seu primeiro álbum “Goddess”, é possível ver como ela saiu de uma menina inocente, tímida e machucada pelo amor, e se transformou e passou por todas essa transições, se afirmando e consolidando como artista, em seu álbum “III”. É possível notar sua força, maturidade, raiva, sinceridade e vulnerabilidade, sem medo de sentir todas as suas emoções. Com certeza é seu melhor e mais maduro disco lançado até o momento.

NOTA: 5/5


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