O Allianz Parque estava lotado ontem com 45 mil pessoas. A plateia estava ensandecida e não era sem motivo: fazia cinco anos desde a última apresentação da banda, no Rock In Rio, em 2011. Em 2012, a agenda de shows no país foi cancelada. Multiplicando o fato à atmosfera de “Holi Festival”, é possível entender a agitação intensa.

Precedido pela brasileira Tiê e pela britânica Lianne La Havas – a qual, diga-se de passagem, fez uma performance belíssima e merecedora daquela plateia que não era dela – o Coldplay começou a apresentação às 21h35 com ” A Head Full Of Dreams”, que contou com uma chuva multicolorida que parecia ainda mais intensa com as pulseiras que mudavam de cor durante as músicas. Em seguida, veio “Yellow”, uma das mais esperadas pelos fãs mais antigos, não muito satisfeitos com a “guinada pop” do grupo. Nessa música, balões amarelos foram liberados pela plateia e a cor predominava também no palco, o que tornou o momento – sem dúvidas – um dos mais belos do show.

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“Every Teardrop Is a Waterfall” veio em seguida e, novamente, pedaços de papeis coloridos foram jogados, o que ainda iria se repetir novamente em outras canções mais “pops” da banda.

“The Scientist” foi a quarta música. Nessa parte, a apresentação pareceu mais intimista, sem efeitos que distraíssem a banda do seu objetivo que não se resume a entreter apenas, mas cativar de um modo mais sincero. Essa atmosfera também prevaleceu em “Birds”, que executada sem tamanha histeria também trazia no telão imagens com um quê “conceitual”, que chega a remeter às bandas indies, como Tame Impala. Mas, os momentos de psicodelia muitas vezes foram passados despercebidos e ofuscados pelas cores em demasia.

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“Paradise” vem em seguida, com remixagem. Aqui houve um decréscimo visível da apresentação. O clima de “rave” persistiu e essa foi a primeira vez que Chris Martin andou até o final da passarela, em meio ao público.

Nas próximas três músicas, “Everglow”, “Ink” e “Magic”, a banda deu às costas a plateia vip da área premium e voltou aos momentos mais intimistas, o que pedem as canções. Depois “Clocks” e “Charlie Brown” vieram para proporcionar outros instantes belos da apresentação, quebrados por “Hymn for the Weekend”.  Em “Fix You”, Chris Martin se volta ao público novamente: canta e anda pela passarela, recebendo inclusive presente de fã.

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A homenagem a David Bowie veio em seguida. A banda fez uma versão de “Heroes” que deixou a desejar. Com “Viva la vida”, o clima bastante festivo retorna e continua em “Aoal”, que permite ao vocalista retornar à plateia de novo. “Trouble” propõe um momento mais intimista, o que volta a balancear o show.

“Speed of Sound” foi a canção escolhida para ser tocada em São Paulo. A banda ouviu uma solicitação de um fã, que apareceu em vídeo antes. Depois, são executadas “Amazing Day” e “A Sky Full Of Stars”. Nessa última, Chris Martin chama dois casais para subir ao palco com ele e fala para eles ficarem noivos. Falso e exagerado. Não havia necessidade. Mas, parece que a maioria do público gostou.

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Com “Up & Up”, a melhor faixa de “A Head Full Of Dreams”, o Coldplay encerra a participação da noite com Chris Martin no piano e com maestria.

Com a apresentação, fica visível a vontade da banda em se configurar como pop, principalmente. Há momentos íntimos com a plateia, mas que às vezes não são suficientes para equilibrar o exagero das pirotecnias e de pedidos extravagantes, como o que foi feito para a plateia agachar no chão. Mas, não há dúvidas de que a banda sabe comandar seus fãs e lotar estádios. Na saída, não se podia ouvir críticas: os seguidores estavam totalmente rendidos.

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