A primeira vez que ouvi falar de Francis and the Lights foi durante minha entrevista com Tegan Quin, do duo Tegan and Sara.

Não conhecia, então fui logo atrás e conferir o som. E que som! É uma mistura de eletrônica com R&B que eleva a alma! Me lembrou bastante Blood Orange (que lançou um disco incrível no ano passado, que está na nossa lista de Melhores do Ano) e o novo trabalho de Bon Iver, artista que colabora com o projeto na faixa “Friends” – uma composição belíssima, com várias camadas, backvocals, estalos de dedo, sintetizadores e outros elementos que funcionam muito bem sonoramente. Também tem a participação de Kanye West.

Francis and the Lights não é um projeto solo do produtor, compositor e músico Francis Farewell Starlite, nascido em Oakland (Califórnia). É um projeto aberto, que não existem membros fixos. “Sou eu e quem quiser se envolver, incluindo você [o público]”, declarou em entrevista.

E foram essas colaborações que contribuíram para deslanchar a carreira do artista. Tinha me esquecido (ou melhor, não tinha percebido), mas ele colaborou com Chance the Rapper na faixa “Summer Friends” do disco Coloring Book do artista (também na nossa lista dos melhores de 2016).

Mas, Francis and the Lights não chama atenção apenas pelas colaborações. “Farewell, Starlite”, disco de debute do músico lançado no ano passado, é um trabalho para se analisar por completo: começando pela faixa de início “See Her Out (That’s Just Life)” que fala sobre uma mulher que tenta escapar da realidade em que vive, sem sucesso. A frase “whole damn world is a cage” (“o mundo inteiro é uma gaiola”) soa como uma sentença, com o auxílio de sintetizadores e várias camadas de voz (efeito que só dá pra obter em estúdio).

“May I Have This Dance” é outra faixa marcante do disco, que remete ao pop dos anos 80. Com uma ótima batida e um coro de vozes ao fundo em alguns momentos, a canção trata de um amor perdido que o eu-lírico quer recuperar. “My City’s Gone”, outra colaboração com Kanye West, traz visivelmente outras influências, remetendo a James Blake (principalmente pela abertura com piano e pela vibe mais melancólica).

Com dez faixas no total, “Farewell, Starlite” é um álbum para ser ouvido não apenas uma, mas diversas vezes. Por conta das tantas camadas e partes instrumentais estonteantes, é difícil perceber e sentir tudo logo na primeira audição.

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