Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis revisitam papéis no filme que estreou na última quinta (07)

Não é de hoje que a nostalgia está em alta. Reuniões de bandas, tendências de modas e, claro, sequência de filmes que marcaram épocas. “Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda”, sequência do clássico clichê do início dos anos 2000, “Sexta-Feira Muito Louca”, chegou aos cinemas brasileiros na última quinta-feira (07), provando mais uma vez que nostalgia vende e, na maioria das vezes, vale a compra.
Para os fiéis telespectadores do Disney Channel e fãs do clássico lançado em 2003, o anúncio da sequência veio certamente acompanhado da dúvida: é realmente necessário continuar uma história que já possui um fim? E é na resposta dessa pergunta que mora a leveza do filme. “Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda” não é uma continuidade que precisava ser feita, mas é com certeza a sequência certa para quem procura se divertir em uma ida ao cinema com a família.
Na adaptação lançada há 22 anos, a história é inspirada no livro de Mary Rodgers, “Que Sexta-Feira Mais Pirada!”. A trama acompanhava a, ainda adolescente, Anna (Lindsay Lohan) e Tess (Jamie Lee Curtis) quando elas trocavam de corpos após conflitos clássicos entre mãe e filha.
Às vésperas do casamento de Tess com Ryan (Mark Harmon), mãe e filha precisam encontrar um jeito de passar despercebidas em seus corpos trocados, ao mesmo tempo que precisam entender os desafios do dia a dia uma da outra para consumar a troca de volta aos corpos certos.
Em “Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda”, somos apresentados a uma Anna mãe solteira da Harper (Julia Butters) e à versão avó de Tess, que não poupa esforços para estar presente em cada momento da vida das meninas. As coisas começam a mudar para o trio quando Harper, uma jovem ligeiramente rebelde e apaixonada por surf, passa a ter problemas na escola com a britânica Lily (Sophia Hammons).
Anna se apaixona por Eric (Manny Jacinto) que é, coincidentemente, pai de Lily. Quando as jovens descobrem que estão prestes a se tornar irmãs, os desentendimentos da nova família começam a se intensificar. Durante a despedida de solteira de Anna, as duas duplas: Anna e Tess, Harper e Lily, conhecem a Madame Jen (Vanessa Bayer), que por um descuido, as coloca sob um feitiço já conhecido pela dupla mais velha.
Qual a melhor forma de continuar essa história, se não incluindo novas pessoas no troca-troca de corpos? Dessa vez, Anna trocou de corpo com sua filha Harper, enquanto Tess está presa no corpo da quase neta Lily, e vice-versa.
No primeiro momento, as trocas aumentadas causam certa confusão no entendimento de quem assiste, mas nada que as atuações e química certeiras de Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis não possam resolver. Enquanto a dupla mais velha aproveita as maravilhas de estarem presas em dois corpos jovens, sem dores ou dificuldades de ingestão, Harper e Lily tem um objetivo claro: aproveitar o privilégio de seus corpos mais velhos e responsáveis para destruir o casamento de Anna e Eric.
Há sempre uma preocupação de uma sequência estragar aquilo que, anos atrás, já funcionou. A boa notícia é que não é o caso nesse filme. Aqui, a diretora Nisha Ganatra consegue equilibrar os elementos nostálgicos que funcionaram nos anos 2000, ao mesmo tempo que implementa certo frescor na narrativa, com timing cômico sagaz e piadas que nunca saem do tom.
À medida que procuram Madame Jen para reverter o feitiço, o quarteto protagonista diverte e até mesmo emociona com as reflexões e empatia que nesse contexto, vem de estar – literalmente – nos sapatos do outro. O plano de Harper e Lily envolve até mesmo o Jake, ex-namorado de Anna, interpretado por Chad Michael Murray. A participação do galã não é de grande importância para a história, mas é um ingrediente crucial para a receita nostálgica e divertida do longa.
A trilha sonora, com clássicos da banda fictícia Pink Slip é também mais um desses ingredientes, acompanhada de uma novidade: a participação de Maitreyi Ramakrishnan no papel de Ella, representação fiel de uma pop star gen z.
O aumento nas trocas de corpos em “Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda” poderia ser um problema, não fosse pelo roteiro de Jordan Weiss e, principalmente, a direção de Nisha. Mas o grande trunfo está na química intacta que Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis trouxeram de volta à telona mais de 20 anos depois.
A entrega de Jamie no papel de uma adolescente de 15 anos presa no corpo de uma sextagenária é naturalmente hilária. A atriz vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” não poupa diversão genuína em todas as suas cenas, e essa energia flui igualmente com a dupla. Lindsay Lohan, que estava afastada de grandes produções já há algum tempo, revisita brilhantemente o papel de Anna Coleman e mostra que está pronta para abraçar novas oportunidades.
Mesmo nos momentos que parecem forçados em prol de uma narrativa coesa, como a troca de corpos entre Tess e Lily que, até então, não possuíam nenhuma conexão, funcionam à medida que a história se desenvolve. Julia Butters e Sophia Hammons, por sua vez, têm a grande responsabilidade de acompanhar essa dupla consagrada, e o fazem de forma satisfatória, agregando pontos positivos ao universo mágico que envolve a trama.
“Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda” prova que não é necessário inventar a roda para produzir um filme divertido. Às vezes, revisitar uma receita já testada e aprovada é suficiente para adicionar um novo tempero que vai entreter uma família ou toda uma legião de fãs dispostos a pagar pela nostalgia.
Nota: 8,5/10






