Apresentação na capital paulista no dia 30 foi o segundo de três shows do artista no Brasil

São poucos os artistas capazes de transformar um estádio inteiro em uma extensão do próprio universo criativo. Porém, na última quinta-feira (30), no estádio Morumbis, em São Paulo, The Weeknd fez exatamente isso. Se havia alguma dúvida sobre seu status na música contemporânea, a sua passagem por aqui tratou de desfazer.
Com um repertório sólido, o canadense entregou, na turnê After Hours Til Dawn, um setlist que percorreu toda sua trajetória, desde as mixtapes independentes aos grandes sucessos como “Blinding Lights”, além de faixas mais recentes como “One of Your Girls”, da série The Idol.
A conexão com o público brasileiro foi um dos pilares da apresentação. Entre uma música e outra, o cantor fez questão de declarar seu amor pelo país, reforçando o sentimento de pertencimento, que era respondido instantaneamente pelo público.
A estrutura do palco também foi algo que impressionou tanto quanto o repertório. Gigantesca, ela cria diferentes atmosferas ao longo do show, ora futurista, ora quase litúrgica. Em certos momentos, a experiência se aproxima de um culto, com luzes, projeções e deslocamentos constantes que dificultam até identificar de onde exatamente ele está cantando. Essa grandiosidade, no entanto, não compromete o essencial: o vocal ao vivo, que ficou estável do início ao fim.
Se há um ponto de crítica, podemos dizer que ele existe na própria ambição do espetáculo. Com um repertório extenso, algumas transições entre músicas soaram abruptas, quebrando momentaneamente a imersão construída com tanto cuidado.
Entretanto, isso não apaga o brilho da segunda apresentação da turnê “After Hours Til Dawn” no Brasil – a primeira no Rio, no último domingo (26), e a terceira também em São Paulo, ontem (1). O que se viu no Morumbis foi a consolidação de uma trajetória e do propósito de Abel em construir experiências cada vez mais imersivas para o público.
O ápice dessa troca aconteceu quando Anitta retornou ao palco para “São Paulo” e a inédita “Rio”. O primeiro foi, sem dúvida, um dos grandes momentos da noite, não apenas pela força da música, mas pelo simbolismo de ver um artista global mergulhando no funk brasileiro com naturalidade.
A artista já é presença constante nas performances de Abel. A parceria ganhou força em 2024, com o lançamento de “São Paulo”, que teve uma apresentação arrebatadora no show único do canadense no Brasil naquele ano. Em 2026, as três datas do cantor no país contaram com o nome da Anitta em destaque como ato de abertura.
No show do dia 30, a carioca entregou um show enxuto, porém eficiente, e priorizou a divulgação de sua nova fase, “Equilibrium”. Faixas como “Vai Dar Caô”, “Mandinga” e “Choka Choka”, parceria com Shakira, dominaram a apresentação, enquanto hits já consolidados como “Vai Malandra”, “Bola Rebola” e “Joga Pra Lua” apareceram na parte final do show.
Segura e apoaida por um grande ballet, todos estavam na estética da nova era. O show foi rápido, mas cumpriu bem a função: aquecer a plateia já ansiosa por The Weeknd.






