Resenha: Reneé Rapp equilibra diversão e honestidade em “BITE ME”

Reneé Rapp precisou se perder para se reencontrar em “BITE ME”, seu segundo álbum de...

Mariana AlvesNotíciasMúsicaColunas1 de agosto de 2025

Foto: Reprodução

Reneé Rapp precisou se perder para se reencontrar em “BITE ME”, seu segundo álbum de estúdio lançado nesta sexta-feira (01). No novo trabalho, a artista se livra da necessidade de agradar os outros e abraça por completo o direito de fazer música do seu próprio jeito. O resultado é um disco divertido e honesto em essência. 

A artista de apenas 25 anos já passou pelos palcos da Broadway, quando interpretou Regina George na versão musical de “Mean Girls”, em 2019 – e posteriormente também na adaptação para o cinema, em 2024. Foi nos bastidores da série “The Sex Lives Of College Girls”, no entanto, que ficou evidente a sua prioridade na arte: fazer música. Após debutar a carreira musical com o impressionante “Snow Angel”, Reneé decidiu deixar a série para focar em sua música. 

A multiartista passou por diversas cidades dos Estados Unidos e países da Europa com a Snow Hard Feelings Tour entre 2023 e 2024. Se apresentou no Coachella, lançou o hit “Not My Fault”, com Megan The Stallion, se redescobriu lésbica, terminou um relacionamento e encontrou uma nova parceira.

Enquanto esse sucesso se expandia com a agenda lotada, Rapp se sentia perdida. “Eu me perdi e perdi todas as coisas boas desse trabalho que eu amo e que significa tanto para mim, que é muito maior que eu. Tornou-se uma preocupação constante na minha cabeça”, contou durante entrevista ao Zane Lowe

Ela precisou parar e encarar suas preocupações, para então voltar melhor. Foi assim o nascimento de “BITE ME”, um álbum que não se desculpa pela personalidade gritante de Reneé, muito menos se afunda na tristeza que a cercava durante sua produção. São 12 faixas que a retratam fielmente: nem sempre feliz, mas sempre bem-humorada e, agora, segura de onde quer chegar. 

Reneé Rapp quer se divertir em “BITE ME” 

Em entrevista ao Zane Lowe, Reneé compartilhou que chegou a um momento da depressão em que pensou que nunca mais voltaria a fazer música. No entanto, ao finalizar “BITE ME”, ela pela primeira vez sentiu orgulho pleno do seu próprio trabalho. 

Enquanto no primogênito “Snow Angel” Rapp estava experimentando ao passear por ritmos diversos, em “BITE ME” ela se mostra mais certa na sua arte. O equilíbrio entre pop enérgico, baladas e punk rock é resultado de uma busca incessante pela sua forma mais satisfatória de arte. Não para os outros, mas para ela mesma. 

Para quem a acompanha há algum tempo, não é novidade a essência irreverente e profundamente sincera de Reneé, marca registrada não somente nas redes sociais, como também em entrevistas e, claro, em suas músicas. 

“Assinei uns cem NDAs, mas sempre digo alguma coisa. Me deixa em paz, vadia, eu quero me divertir”, canta em “Leave Me Alone” lead single autoexplicativo da nova era. Não somente foi a primeira música lançada, como é também a primeira faixa do álbum, introduzindo a sequência que vem a seguir, repleta de sarcasmo, confissões e, claro, muita confiança.

O equilíbrio entre a euforia e as cicatrizes de Reneé Rapp

Em “MAD”, é possível ter um gosto das explosões e riffs que acompanham letras atrevidas e sem rodeios sobre seus relacionamentos e, principalmente, sua sexualidade. “Todo o tempo que você gastou pensando, nós poderíamos estar transando”, ela clama nessa faixa. 

Novamente o ouvinte é transportado para o mundinho bem humorado de Rapp em “Kiss it Kiss it”, quando em meio a guitarras elétricas ela brinca: “Acho que quase fizemos um bebê. Digo, nós não podemos, mas chegamos muito perto”. 

A sonoridade torna-se quase nostálgica com os elementos de pop punk que se misturam com sintetizadores oitentistas, criando melodias coesas e, de certa forma, aconchegantes. “Shy”, um dos grandes destaques do disco, é um desses momentos, juntamente com “You’d Like That Wouldn’t You”, uma espécie de Disney Pop Punk que já ouvimos de estrelas como Demi Lovato em “Here We Go Again”, ou mais recentemente com Olivia Rodrigo em “ballad of a homeschooled girl”

Em “At Least I’m Hot”, ela quer passar o recado de forma sútil, usando de uma emoção secundária. Apesar do momento de tristeza e a insegurança insistente sobre si mesma, ela usa do sarcasmo e humor para reconhecer que, pelo menos, ela se sente e sabe que é bonita. Nessa faixa, o faz acompanhada da guitarra da namorada, Towa Bird, com quem já havia colaborado anteriormente em estúdio e nos palcos. 

As explosões enérgicas se equilibram com as doses de melancolia e confissões das baladas, como “Sometimes”, “I Can’t Have You Around Me Anymore” e “That’s So Funny”. Sem medo de soar exagerada, ela expõe suas experiências em letras quase catárticas que sustentam o caráter de renascimento presente neste disco. 

“BITE ME” é um passo à frente para Reneé

Em “BITE ME”, Reneé Rapp está cada vez mais próxima de se encontrar – ou ao menos entendeu que não precisa mais fugir de si mesma; muito menos voltar a se moldar para caber nas expectativas colocadas nela. 

Ela entendeu que pode, e deve, viver a sua verdade em alto e bom som, ao mesmo tempo que mantém sua personalidade inabalável. Não que não haja medo, tristeza e insegurança em suas vivências. Mas, mesmo se tudo desabar, ela não tem medo de sentir demais, errar, rir e depois cantar sobre isso para dançar até as dores sumirem. É aí que mora a beleza da resiliência que ela buscou para tratar suas dores nesse álbum. 

Nota: 8,5/10


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