Nova aposta da produtora 30e reuniu nomes da música alternativa

Por Manuela Sant’ana e Luciana Lino – O último domingo (2) em São Paulo foi marcado pela estreia do Índigo, novo festival da 30e. A primeira edição contou com apresentação de Weezer, Bloc Party, Mogwai e mais. Veja como foi a seguir!
As fortes chuvas que tomaram conta da capital paulista nos dias anteriores não deram as caras ao longo do festival. O tempo firmou para as apresentações do dia; porém, era possível visualizar uma certa dificuldade de locomoção do público por conta de espaços enlameados no Parque Ibirapuera, embora boa parte estivesse coberta por tapumes.
O dia começou às 13h30 com um DJ set dos apresentadores do podcast “Vamos Falar Sobre Música?“. O evento percorreu com o show da banda japonesa de punk rock Otoboke Beaver, tendo na sequência o set de Linda Green e a apresentação da cantora espanhola Judeline.
Um ponto que chamou atenção foi o tamanho do palco. O espaço reservado para as bandas era pequeno se comparado a outros festivais e dificultou a visão de quem assistia às apresentações nas laterais, mesmo os que se posicionaram na grade. Entretanto, isso não afugentou o público, que começou a encher o local por volta do set de DJulia e do show da banda escocesa Mogwai, que teve foco em suas canções mais instrumentais e experimentais.
Após a DJ Brenda Ramos, já à noite, começou o show do Bloc Party, 17 anos depois desde a primeira vinda ao Brasil. No setlist, o grupo britânico deu destaque ao seu álbum de estreia, “Silent Alarm”, que completou duas décadas e até hoje é considerado como um dos grandes nomes da discografia do rock alternativo.

Por vezes, o vocalista Kele Okerekeo interagiu com o público, que em grande parte do tempo respondeu de forma… morna – e um fator que talvez explique a falta de aderência foi o som baixo durante a apresentação, que rendeu alguns pedidos por parte da plateia para “aumentar o volume”. A falha atrapalhou a imersão em um show que prometia potência do início ao fim, mas que pelo menos conseguiu cumprir seu intuito em hits como “Banquet”, “Mercury” e “This Modern Love” – sem falar no grande sucesso “Helicopter”, o ápice da apresentação.
Mais tarde, o Índigo finalizou com a apresentação mais aguardada da noite: Weezer. Com grande recepção do público, a banda comemorou os 30 anos do “Blue Album” também passeando pelo restante de sua discografia – além de clássicos do disco como “Buddy Holly” e “Say It Ain’t So”, sucessos de outros lançamentos como “Perfect Situation”, “Island In The Sun” e “Porks and Beans” estiveram presentes no setlist.
Assim como os fãs, os músicos se apresentaram de forma enérgica; destaque para o reservado vocalista Rivers Cuomo, que conversou um pouco em português com a plateia e fez algumas alterações nas composições. Em “Beverly Hills”, Cuomo alterou a letra para “that’s where I want to be, living in São Paulo, Brasil”. O músico fez o mesmo tipo de brincadeira em “El Scorcho”, quando cantou “goddamn you half-brazilian girls”.

O palco iluminado e temático para as canções foi outro destaque do show do Weezer, que não vinha ao Brasil desde 2019, quando tocou em São Paulo e no Rock in Rio. Se no dia do festival a apresentação foi ofuscada pela espera aos headliners Foo Fighters, desta vez foi diferente – a banda se mostrou mais à vontade e divertida. Brilharam de forma merecida.
Entre aprendizados e avanços, espera-se que o Índigo se consolide e venha a ser um frequente ponto de encontro para os amantes da música indie. Se for a depender do resultado visto no Ibirapuera, existe um público que quer ver e ser visto. A conferir.






