Terça, 3 de abril. Chovia em Boston. Uma multidão se reunia no TD Garden, grande arena da cidade que recebe jogos como Patriots, Red Sox, Celtics. O evento foi “sold out”: não havia mais ingressos disponíveis para o show da neozelandesa Lorde naquele dia, quase meio da semana, quando as pessoas normalmente preferem repousar em suas casas após o trabalho. Mas aquela não era uma terça-feira qualquer. “Hoje, nós vamos dançar Boston!”

Antes da primeira música começar, observamos o efeito de jogo de luzes, com dançarinos no palco. Demorou um pouco pra conseguir visualizar Lorde, toda de branco. “Sober” ganhou uma coreografia bem esquematizada, digna de abertura.

Depois, temos “Homemade Dynamite”, uma das minhas canções favoritas do Melodrama. Em seguida, a cantora agradece a plateia (o que ela acaba fazendo várias vezes). “Boston é um dos meus lugares favoritos pra me apresentar. Talvez pela quantidade de irlandeses que moram nessa cidade”. 

‘Tennis Court” já foi uma apresentação mais limpa: com apenas uma dançarina fazendo a coreografia. Depois, nos movemos pra Magnets (feat. Disclosure), que contou com três dançarinos e um telão com vídeo.

É tudo puro movimento. Lorde é uma verdadeira Diva: se destaca no centro, embora também muitas vezes seja perdida de vista (quando se deixa se confundir entre os seus).

Durante “400 Lux”, visualizamos uma superfície metálica retangular no palco, que vai perdurar ate o fim da última canção.

Antes de the Louvre (que vem depois de Ribs e Buzzcut Season), Lorde troca de roupa na frente de todos: agora ela esta com um vestido majestoso vermelho. uma das coreografias mais memoráveis, com todos os dançarinos e com direito a Lorde sendo carregada no final.

Passamos por “Hard Feelings” e chegamos em “Yellow Flicker Beat”, canção de Jogos Vorazes, que ganhou uma coreografia fantástica: com uma dançarina na superfície que ficou suspensa.

Um dos momentos mais intimistas e tristes ficaram por conta de “Writer in the Dark”. Lorde declarou que não “é uma pessoa fácil de amar, mas essa é a pessoa quem ela é e não tem como mudar” (bem escorpiana mesmo). Ela cantou a música sentada no palco, mostrando toda sua potência vocálica. Depois, veio “Solo”, cover de Frank Ocean, uma música “sobre solidão”. Liability é outro momento mais íntimo com a plateia e em “Sober (Melodrama)” temos o retorno da superfície retangular com os dançarinos, suspensos acima de Lorde (a estrutura chega a se inclinar).

Em “Supercut”, a cantora mostra sinais de cansaço (com falhas na voz): ela é humana afinal. Mas, o que não a impediu de pular e dançar, sendo carregada no final.

“Royals” vem em seguida, a mais conhecida, com coro da plateia entusiasmada. “Perfect Places” também foi um momento de muita dança, com muito movimento de Lorde pelo palco e um telão com imagens.

“Eu vou dar tudo de mim agora, mas vocês também tem que dar. Podem fazer isso?” Foi o que Lorde perguntou antes de partir pra próxima canção, Green Light, primeiro single de Melodrama. Assim que a música acabou, papéis verdes caíram sob a plateia e a cantora abandonou o palco. Acabou? – perguntei em inglês pra uma moça que estava do meu lado. “Não, acho que ela volta”. 

E ela voltou! Pra cantar ” Loveless”, “Precious Metals” ( música nova!) e fechar com “Team”. Deixei o TD Garden speechless, totalmente impressionada pela performance de Lorde e pelo seu crescimento em tão pouco tempo. Cheguei a ver seu show no Lollapalooza em 2014, quando foi ao Brasil e, posso dizer, havia muitas diferenças daquela performance pra essa que tinha acabado de ver! Dessa vez, vi uma verdadeira diva, que agita uma multidão em sua própria tour: dança, pula, vai no meio dos fãs! Não que a mesma de 2014 não pudesse agitar… Mas, Lorde evoluiu. Suas canções do Melodrama falam por si: são mais maduras, tratam de relacionamentos, suas partes boas, suas dores.  Ela é, sem dúvidas, um dos maiores nomes do pop da atualidade.

 

 

 

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