O oitavo disco da artista explora temas como espiritualidade e autoconhecimento

No último mês, Anitta apresentou seu oitavo álbum de estúdio, “EQUILIBRIVM”. O disco, que apresenta uma mistura de ritmos brasileiros e internacionais, é caracterizado pela exploração de temas como espiritualidade, fé, autoconhecimento e amor.
Entre faixas como “Pinterest”, “Choka Choka” (feat. Shakira), “Desgraça” e “Meia Noite” (feat. Los Brasileros), a artista brasileira entrega um projeto marcado pela diversidade de sons e temáticas; além de trazer uma forte identidade criativa.
A parte visual de “EQUILBRIVM” foi realizada em conjunto com a empresa Ginga Pictures – que foi a responsável por dar luz às ideias de Anitta e passar as mensagens do disco para além do áudio. E, em entrevista recente ao Tracklist, o produtor Felipe Britto falou sobre a parceria com a cantora e compositora e a experiência de criar a identidade visual do novo disco. Veja mais abaixo!
De acordo com Felipe Britto, a construção visual de “EQUILBRIVM” foi criada a partir da estreita relação entre Anitta e a empresa Ginga Pictures – uma parceria que já rendeu mais de 100 projetos autorais, incluindo o documentário “Larissa: O Outro Lado de Anitta”, campanhas publicitárias e outros trabalhos.
“Construímos uma relação muito próxima, o que me permite entender e traduzir a criatividade e as ideias dela quase em tempo real”, disse o executivo. “O processo de criação se deu como sempre acontece: por áudio. Durante algumas semanas, recebi centenas de áudios dela contando como se sentia e o que queria provocar com o novo projeto, memórias, referências espirituais, lugares afetivos”.
Ele continuou: “Nessa fase, meu trabalho é ouvir e organizar tudo o que está sendo dito por trás das palavras. A partir daí, começamos a desenhar como isso pode virar projeto. Fazer parte da construção desse trabalho, pra mim, foi um privilégio, porque é o tipo de projeto que casa intimidade artística com escala industrial, e isso é raro”.
Segundo ele, a principal premissa do trabalho foi tratar a ancestralidade como referência legítima e profunda. Assim, o popular e o ancestral dialogam como iguais; e o corpo da artista é visto como um lugar de tradução entre o tradicional e o contemporâneo”, afirmou. “Um exemplo disso é em ‘Meia-Noite’, onde fazemos um paralelo entre a potência popular do candomblé e a potência popular do paredão de som sem que uma costure a outra, e reconhecendo que elas já conversam há muito tempo na cultura brasileira”.
Ele também detalhou outros elementos visuais. “A paleta carrega significado direto no projeto inteiro: o branco da iniciação no candomblé, o vermelho da Pombagira, o dourado, o preto, o prata. Nada disso é escolha decorativa. Em ‘Desgraça’, começamos o clipe numa cidade pequena, com uma atmosfera quase de realismo fantástico, com referências de Cinema Novo, e essa luz vai se transformando à medida que a Pombagira incorpora”.
“A textura também segue essa lógica: barro, fogo, terracota aparecem no projeto porque o material verdadeiro tem peso, textura e imperfeição. As máscaras dos cazumbás, esculpidas à mão, vêm dessa mesma decisão de trazer o Brasil profundo. E, em termos de enquadramento, perseguimos uma certa contemplação, com planos que respiram e sem tanto corte”, contou ele.
O resultado de “EQUILIBRIVM” é um projeto inédito não apenas na discografia de Anitta, mas um marco para o pop brasileiro. Quando perguntado sobre o que torna o projeto tão especial, Felipe Britto respondeu:
“Já passei por vários momentos autorais da Anitta, desde a criação de clipes individuais e lançamentos de EPs até projetos com muitos clipes, como o álbum ‘Kisses’, que teve um clipe com universo próprio pra cada música. Eram peças independentes que se reuniam sob um álbum. Na contramão disso, vem ‘EQUILIBRIVM’, e por isso é tão singular”, disse. “Foi o primeiro projeto audiovisual da Anitta pensado como um filme em atos, e não como clipes que se justapõem. É uma narrativa contínua, com a mesma direção criativa, a mesma direção, a mesma equipe atravessando todos os atos, a mesma paleta, o mesmo vocabulário visual. Cada clipe é um capítulo de uma coisa só”.
“Em relação ao pop brasileiro, o que torna o projeto um marco é a coragem de ancorar uma artista pop de alcance global num lugar tão específico e tão profundo. ‘EQUILIBRIVM’ mostra que dá pra fazer pop de altíssimo nível sem abrir mão de raiz, de espiritualidade, de complexidade. E mostra que o público está pronto pra isso e que responde quando se entrega algo com densidade”, pontuou o executivo.

Segundo o sócio-fundador da Ginga Pictures, o maior desafio na construção do álbum foi equilibrar a escala e a responsabilidade carregada no projeto. “Em escala, a grande dificuldade técnica foi levar um trabalho dessa magnitude para um lugar tão distante e único quanto o Projeto Ibiti […] No total, o trabalho envolveu 220 pessoas, durante seis dias intensos de gravação, com uma logística complexa que inclui elétrica, maquinária, caminhões, transporte de cenografia, equipamentos, alojamento e alimentação em um lugar remoto”.
“Já sobre a responsabilidade, o desafio foi garantir que cada elemento espiritual e ancestral que entra em tela tivesse embasamento, consulta e propósito. Como praticante do candomblé, a Anitta foi muito exigente quanto a não tratar nenhum elemento religioso como exotismo. Isso atravessou todas as decisões de produção, desde o casting de elenco e equipe à definição de cenografia, figurino e coreografia. Não é um desafio ‘técnico’ no sentido tradicional, mas que tem um peso muito grande, porque se está lidando com algo que não pode dar errado”.
Ele ainda completou: “E tem, ainda, um terceiro desafio, que é coordenar tudo isso com a fluidez criativa da Anitta. Ela foi adicionando camadas e sensações novas a cada dia de gravação, então o plano de filmagem precisou ser orgânico de verdade. Isso só funciona quando existe uma máquina de produção robusta o bastante pra absorver mudanças sem quebrar”.
Na contramão, ele também apontou o maior triunfo da construção do trabalho. “A contribuição da qual eu mais me orgulho é a montagem da equipe. Acho que metade do trabalho de uma produtora executiva é saber quem chamar pra cada projeto e, em ‘EQUILIBRIVM’, essa decisão foi fundamental. Trazer a Nídia Aranha para direção criativa, o Manuel Nogueira para direção, o André Philipe e o Daniel Ueda para styling, o João Miranda para a beleza e a Cassi Abranches para coreografia, e ter conseguido manter essa equipe atravessando todos os atos, foi o que permitiu que o projeto tivesse a coesão que tem”.
Por fim, Felipe Britto resumiu a mensagem passada pelo novo álbum de estúdio de Anitta. Segundo ele, o recado central do disco é que o equilíbrio não é abstração – e sim prática. “É algo que se constrói no corpo, na fé, no pertencimento, na conexão com a Terra e com a ancestralidade. O projeto inteiro é um convite para desacelerar, para olhar pra dentro, para reconhecer que a força que a gente busca lá fora muitas vezes já está aqui, nas raízes, nas tradições, no Brasil profundo”, disse.
“E tem uma camada que, pra mim, é a mais importante: a identidade visual de ‘EQUILIBRIVM’ afirma que o pop brasileiro pode olhar pro Brasil sem complexo, sem precisar diluir o que tem de mais singular pra caber em fórmula global. Quando você descobre o que está por trás de cada escolha do projeto, deixa de ver os clipes como apenas videoclipes e começa a ver como um documento sobre o Brasil que a Anitta quis fazer caber dentro de um disco pop. Pra mim, essa é a mensagem mais bonita que o time criativo deixou em tela, e é a parte mais interessante de ter participado desse projeto”, finalizou.
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