Entrevista: Tyra Doh revela bastidores de novo single e a rotina como produtor

Com o lançamento de "FLASH CASH (BOUNCE POSE)" ao lado de Bruxa Cósmica e Clementaum,...

Foto: divulgação

Com o lançamento de “FLASH CASH (BOUNCE POSE)” ao lado de Bruxa Cósmica e Clementaum, o produtor Tyra Doh mostra mais uma vez sua dualidade musical ao se dividir entre produzir e administrar a carreira solo.

Nascido e criado em Curitiba, o artista se consagrou nos bastidores da música pop brasileira, ao produzir faixas para nomes como Anitta, Ludmilla e Gabriel O Pensador, com quem venceu o Grammy Latino por “Cachimbo da Paz 2″.

Ao conciliar as duas vidas, o curitibano detalhou, em entrevista ao Tracklist, o que está por trás da criação da nova música, que marca seu terceiro single autoral, e revelou como concilia a rotina entre produzir para artistas e para si mesmo.

Segundo ele, poder voltar a lanças suas próprias faixas traz de volta aquele antigo Tyra Doh, que entre 2018 e 2019 já se lançava como DJ.

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Entrevista ao Track: Tyra Doh fala sobre nova música e desafios da carreira

Você passou anos trabalhando na produção de música. O que motivou essa virada para a carreira solo como artista?

Então, é legal essa pergunta porque eu comecei, na verdade, sendo artista, produzindo minhas próprias músicas. Então, encontrei um jeito de conseguir voltar, né? Eu comecei, na verdade, fazendo minhas próprias músicas, músicas eletrônicas como DJ. Comecei tocando aqui por Curitiba, lá por 2019, 2018. Aí fui me encontrando, produzindo outros artistas, até porque eu precisava me sustentar, fazer dinheiro.

Fui atrás do mercado, fui atrás de conseguir trabalhar com gente grande, aprendendo e tal. E eu me vi no momento, né? Pra ser um pouco mais simples, um jeito de conseguir retornar a isso. Agora eu tenho uns contatos, eu conheço artistas, eu posso fazer essa aposta. Eu consigo investir na minha própria carreira agora. Então, na verdade, foi só um desejo que eu sempre tive e que agora eu consegui fazer acontecer.

Você disse que “Te Viciei” não sai do seu top 1 pessoal há meses. O que torna essa música tão especial para você?

Essa música é boa porque, de maneira acidental, eu consegui juntar um beat pesado, um instrumental muito denso, com sons bem estranhos mesmo, que são estranhos. Você ouve e vê um baixo bem rasgadão, e é estranho, com um vocal bem doce da cantora, que é a Anajulia. E eu achei que ficou incrível, porque não era pra dar certo, mas super deu certo, sabe? E é essa estranheza que eu gosto de fazer no meu som, porque aí a música não passa batida. Se a música é estranha e você gosta dela, acho que tem um saborzinho a mais, sabe?

A faixa mistura música eletrônica e sensualidade pop. Como você chegou a essa combinação de sons e percebeu que era esse o som que você queria pra faixa?

Essa música eu recebi uma capela, né? Ou seja, só a voz da cantora, ela já tinha essa composição, eu falei que iria trabalhar com ela. Daí ela tinha feito duas ideias pra mim, ela me mandou e eu me apaixonei por essa. Então imagina que a música toda, só que sem o instrumental, Só a voz, eu ficava ouvindo e eu não sabia o que fazer. Tanto que eu comecei a trabalhar nela por volta de outubro, novembro. Enfim, eu lembro que estava voltando de um show e estava no aeroporto do Rio de Janeiro e daí eu comecei a brincar assim no computador, enquanto esperava o voo e fui encontrando os caminhos.

Umas batidas, beleza. Deixei guardado, vida que segue, não consegui pensar em mais nada. E aí foi nesse ano que eu parei e, caraca, eu tive uma ideia. Aí eu comecei a sintetizar esse baixo. Eu comecei a mexer e trazer esse som do zero. Então eu fui, desde o comecinho, fui fazendo a música com o mínimo de detalhe possível até sentir que tava ficando legal, coloquei a voz dela, vi que combinou e de lá eu consegui terminar a música toda.


Você mencionou querer se reconectar com a cena local de Curitiba. O que representa, para você, trabalhar com talentos da sua cidade natal como Anjulha e GCARVALHO?

Pra mim, na verdade, é um sonho trabalhar com gente de Curitiba fazendo uma música tão boa. Porque aqui tem muita gente talentosa e eu sempre vi isso, que tem muita gente talentosa realmente. E por mais que Curitiba seja uma capital, ainda não é um polo como Rio e São Paulo. E eu ficava pensando, quando eu morava no Rio de Janeiro, que meu maior sonho era que Curitiba fosse um polo.
Que pessoas talentosas conseguissem realmente brilhar com sua carreira. Porque aqui tem muita gente que é muito talentosa, muito boa, só que trabalha de outra coisa. E a música acaba ficando de lado, sabe?

Então, cara, é incrível conseguir trabalhar com essa galera. No que dá, eu ajudo eles. No que dá, eles me ajudam também. Rola muito uma parceria aqui. Por mais que seja, como eu falei, uma capital, ainda é muito pessoal as coisas. Então, é todo mundo muito amigo, pelo menos no meu círculo, que eu posso falar. Todo mundo se ajuda e é incrível conseguir trabalhar com essa galera que é talentosa de fato.

Como foi conquistar um Grammy Latino com “Cachimbo da Paz 2”? Esse reconhecimento mudou sua forma de encarar o trabalho?

Quando ganhei esse prêmio, além de ficar muito feliz, eu acho que saiu um peso do ombro de querer tentar me provar, sabe? De tentar fazer o mais comercial possível. Agora eu sinto que eu consigo me expressar de maneira mais livre. Não é como se eu estivesse falando, tipo: ‘bom, já ganhei, pronto’. Mas eu sinto que agora tenho a liberdade criativa para seguir o som que tem na minha cabeça, por mais estranho que seja, sabe?

Acho que o que mais me dá criatividade é poder entrar no estúdio e fazer o que eu quiser. Fazer a maior maluquice do mundo. Dá mais confiança, com certeza. Você realmente confia no seu gosto. Você confia no teu talento. E muitas vezes acho que é o que faltava pra mim, por ser bem inseguro, meio tímido assim. Eu acho que isso tinha um peso absurdo nas minhas costas.

Você transita entre os papéis de produtor para outros artistas e para você mesmo. Como equilibra esses dois trabalhos? Há algum papel que te desafia mais?

É muito difícil mesmo lidar com isso. Porque eu atendo vários artistas. E também as demandas de se eu voltasse a ser um artista independente são muito grandes. Eu não sei dizer qual que é a maior. Porque em uma delas, se eu falhar, estou falhando com uma pessoa, com um artista, com vários. E na outra, eu estou falhando comigo. Então são dois pesos realmente. Só que são pesos diferentes cada um. E o jeito que eu faço, eu sempre tento me organizar de agenda mesmo. Isso tem funcionado bastante. Mas eu tento virar uma chavinha. Sempre que eu vou produzir algo que é meu mesmo, eu me tranco no estúdio e tento buscar a minha verdade, sabe?

Eu não consigo mais produzir só de casa. Eu preciso sair, preciso às vezes levar o PC para algum café, algum shopping para ficar de boa. É meio difícil. O que é tipo mudar um pouco a chavinha mesmo.
E de maneira de produzir os outros artistas, eu levo de maneira mais natural. Porque é o que eu tenho feito nos últimos anos. Então eu consigo fazer um pouquinho mais fácil. Então, por mais que tenha mais artistas, ainda consigo levar de boa. Mas agora estou me reencontrando como artista. Então ainda estou aprendendo os processos. Estou entendendo como eu funciono. E tenho funcionado até então.

Quais são os próximos passos da sua carreira solo? Já tem novos lançamentos ou colaborações em vista? Sei que você já tá trabalhando no sinale “Flash Cash”, pode adiantar um pouco dele pra gente?

Então, primeiro sobre “Flash Cash”. Ela sai esse mês, e eu juntei duas artistas que eu gosto muito, que ainda não tive a oportunidade de trabalhar. Que é a Clementaum, de Curitiba também, e a Bruxa Cósmica, que conheci no Rio de Janeiro. Juntei essas duas para cantar em cima de um beat meu, de uma produção. E eu achei absurdo, achei incrível todo o espetáculo que elas trouxeram para a música.

E eu tenho planejado uma música por mês, até o fim do ano — ou até eu não conseguir mais.
Porque eu tenho muita base, tenho muita música. Aí eu estou aproveitando dos contatos dos amigos que tenho, pegando artistas para rimar em cima da minha música. Trago eles para o estúdio, a gente tenta fazer alguma coisa nova.

Então, acho que o que dá para esperar é muita música nova. E muita música maluca, sabe?


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