O cantor Sebastián, co-criador da banda Francisco, el Hombre, apresentará no Cineclube Cortina, em São...

O cantor Sebastián, co-criador da banda Francisco, el Hombre, apresentará no Cineclube Cortina, em São Paulo, nesta sexta-feira (8) o show de sua turnê solo, “Brasilatinamericano”, que já passou pela Europa. A noite também tem o cantor Juanito Ayala como convidado especial.
A turnê carrega o nome do EP homônimo, lançado em junho. O material traz canções inspiradas no que o artista viveu em suas viagens pela América Latina e em outros lugares, com faixas cantadas em português e em espanhol.
Ao Tracklist, Sebástian comenta as expectativas para o show e reflete o impacto desta nova era em sua carreira e vida.
Tracklist: Como sua trajetória entre México, Chile e Brasil influencia diretamente a sua música?
Sebastián: Não consigo esconder minhas raízes no som que faço. Mesmo amando a experimentação e estudar diversas influências que acompanho nessas andanças pelo mundo, quando chega a hora de fazer música, seja sozinho no quarto de hotel em turnê, seja an frente de um público, eu sou evidentemente essa mistura artística que é latinoamericana, nas ideias e nas contradições, nos acertos e nos erros. Sou criado em três realidades paralelas que se conversam, que têm histórias recentes em comum e manifestações culturais diferentes, mas que, no mundo globalizado, se conectam sob a égide América Latina.
A turnê Brasilatinamericano acontece no próximo dia 8. Então, o que significa para você essa ideia de “Brasilatinidades” que dá nome à turnê?
A primeira coisa que me perguntam desde que eu sou perguntado sobre a música que faço é justamente: como você define seu som. E a resposta sempre foi desafiadora. Lembro no começo da Francisco, el Hombre a falta de definição fez a gente inventar termos que pudessem expressar nossas intenções: pachanga (que quer dizer festa em mexicanês) folk (do termo folklore – o tradicional); transculturalismo transgressor barulhento (RS), batucada punk… virou quase uma piada interna tentar desenvolver um nome para esse estilo de música que a gente fazia e que evoluia a cada disco. E finalmente veio a resposta, depois de 15 anos na busca desse som na resposta de uma amiga de minha mãe que falou “é fácil, você toca brasilatinidades. Não é brasilidades, mas é sim. E não é música latina, mas é também”. Gostei. Adotei. Brasilatinidades é uma tentativa de fazer pontes com as movimentações culturais que existem em nosso continente – as mesmas pontes que busco fazer há 15 anos.
Como surgiu o convite para ter Juanito Ayala na estreia em São Paulo?
O Juanito é uma grande referência pra mim. Adoro a forma como ele canta e escreve – essa voz aguda que canta sobre ideias revolucionárias em clima de festa foi algo que me inspirou muito no começo da Francisco, el Hombre. Eu cresci ouvindo as músicas cantadas por ele quando ele era frontman da banda Juanafé. Hoje tenho a felicidade de chamar ele de amigo. E meu amigo, Juanito, ficou tão empolgado com esse show (a gente se fala muito pelo whatsapp) que quase de brincadeira ele falou: “e se eu fosse aí tocar contigo?” E poxa, receber essa ideia de um mestre como ele não é algo de se negar não (RS). Nossos movimentos estão conectados, não tem nada que faça mais sentido do que se juntar (e continuar se juntando)!
As músicas do EP transitam entre português e espanhol. Como acontece essa alternância de idiomas no processo criativo?
É muito natural. Dentro de casa sempre falamos espanhol – aliás, uma mistura de mexicanês e chilenês com sotaque mexicano. Desde que saí do México, mil anos atrás, minha família foi muito preocupada em cultivar nossas raízes e mantê-las vivas, então em casa se ouve música latino americana o dia inteiro, a coleção de literatura latina em nossa bibliotequinha. E português – ou como me ensinaram em Portugal após alguns comentários um tanto quanto problemáticos – a língua brasileira é o que a gente fala no dia a dia, com meus amigos de agora, minha esposa, minha nova família construída fora do méxico. Então essa oscilação entre línguas é algo que faz parte de quem eu sou desde sempre. Não é uma construção ou algo forçado, fui criado assim.
Você está nessa estrada solo desde o álbum “Sebastianismos”. Como está sendo o processo de assumir o palco agora em carreira solo?
Sendo sincero? Tá sendo uma doideira! Recomeçar uma carreira é algo extremamente desafiador no meio da música independente, e posso aqui inserir reclamações das dificuldades de se viver da música independente no Brasil de 2025. Mas ao mesmo tempo, sair da bateria para me assumir nos vocais como frontman está sendo uma aventura deliciosa. Cada show me tira da zona de conforto e me desafia e eu entrego tudo. Então tô feliz e instigado! Que venha o que tiver que vir, tô pronto e querendo!
A cultura latina está muito presente em sua vida em diferentes aspectos. Por isso, gostaríamos de saber de que forma suas viagens pela América Latina e pelo mundo moldaram as faixas desse trabalho?
Sou nascido no México, criado por pai chileno, tive minha infância nos Estados Unidos e agora estou no Brasil. O conceito da identidade latino americana sempre esteve presente na minha trajetória (e de minha família). Porém não sabia traduzir o que eram esses pensamentos e crises identitárias que eu tinha ao adultecer no Brasil e perceber que minhas referências eram outras. Havia pouco espaço para conversar sobre isso com minhas amizades – a América Latina não era tão interessante, não era “cool”. E isso me fazia sentir vazio e confuso. Então literalmente montei a banda Francisco, el Hombre pra rodar com meu irmão e amigos pela América Latina e aprender e assim tentar entender o que era esse estranho e vago conceito que não saía da minha cabeça. Quase 15 anos depois eu entendi que nada sei mas que estou mais perto de entender, e que essa busca despertou o interesse de muita gente nas culturas hermanas, que antes não tinham o spotlight da midia.
O que o público pode esperar do show em São Paulo?
Uma noite de sorrisos e movimentos, isso eu garanto. E eu acredito muito que todo mundo vai sair feliz de ter ido no show.
Quais os próximos passos depois dessa turnê no Brasil?
Quero tocar na China. Não sei como, nem quando, mas quero fazer acontecer.






