Entrevista: Rodrigo Lima, do Dead Fish, fala sobre Lollapalooza 2025 e mais

A banda brasileira de hardcore Dead Fish se prepara, atualmente, para um show inédito no...

Vitória RoqueNotíciasEntrevistas25 de fevereiro de 2025

Foto: Divulgação

A banda brasileira de hardcore Dead Fish se prepara, atualmente, para um show inédito no Lollapalooza Brasil! O grupo se apresenta no dia 28 de março (sexta-feira), dividindo a programação com nomes como Olivia Rodrigo, Rüfüs Du Sol, Fontaines D.C., Inhaler, Jão, Jovem Dionísio e muito mais.

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Além disso, a banda se prepara para uma nova turnê, a “Dead Fish – Tour 34 Anos”! A agenda inclui 34 shows, com setlists únicos em cada apresentação, e apresentações mais intimistas; que celebram toda a trajetória e todos os discos dos artistas.

Em entrevista recente ao Tracklist, o vocalista Rodrigo Lima falou sobre o show inédito da banda no Lollapalooza 2025, a próxima turnê do grupo e mais. Confira abaixo!

Entrevista: Rodrigo Lima, do Dead Fish, comenta futuro show no Lollapalooza Brasil 2025, turnê e mais

Vamos começar falando sobre o Lollapalooza. Vocês se apresentam no festival pela primeira vez no festival no dia 28 de março. Como estão as expectativas de vocês?

“A gente abre o palco cedo, o que não é um drama para a gente. Adoramos tocar de dia. A gente vai apresentar um setlist, acredito eu, mais focado no último lançamento, que é ‘Labirinto da Memória’. E, claro, revisitar também umas coisas antigas. Mas, como a gente tem um tempo menor do que o habitual, vamos ter que dar uma compactada e ir mais para coisas novas. E estamos curiosos para ver o que vai acontecer”!

Claro, vocês já têm experiência em festivais, grandes festivais, inclusive. Mas essa é a primeira vez de vocês no Lollapalooza. Qual está sendo o principal desafio na montagem desse show em específico?

“Mostrar algo que nem sempre agrada, mas que desafie essa geração, essa molecada que está acostumada a ir nesse tipo de festival. Vai ser interessante deixar essa rapaziada curiosa. Normalmente, a gente sobe no palco e faz acontecer do nosso jeito; então prender a atenção dessa molecada vai ser interessante. E não tem problema nenhum tocar meio-dia, eu adoro. Só não pode estar quente como está agora”!

E o que você pode adiantar sobre a construção do show em si?

“Cara, a gente está se preparando para um setlist de festival grande, que é completamente diferente de um setlist regular nosso. Então vamos ter que ser mais rápidos entre uma música e outra, colar mais, talvez ser um pouco mais barulhentos do que num set regular. No nosso set normal, a gente bota muitas músicas mais lentas entre uma rápida e outra. E eu acho que, para fazer acontecer, a gente tem que ser mais barulhento e rápido, até mais um pouco da metade do set. Deixar mais frenético; meio-dia, todo mundo na sauna”.

Falando em repertório, falta pouco pro início da turnê de 34 anos da banda. Vocês consideram o show do Lolla como um preview do que vem por aí, ou é realmente um evento solto?

“O evento dos 34 anos é outro. Mas o Lollapalooza vai ser uma bela introdução, né? E a gente vai estar falando para um público de massa, e que não é 100% o nosso. Vai que um moleque desses se encanta pela nossa estética ou passa a ficar curioso? É uma bela introdução, vai ser divertido”.

E o que o público pode esperar dessa nova turnê?

“34 datas, 34 setlists. E eu juro que não fui que participei dessa escolha! Mas vai ser interessante, internamente, escolher coisas que a gente não toca há 10, 12 anos. Vai ser instigante, e acho que isso deve passar para o público. Eles vão ouvir músicas que muito provavelmente não tocariam num setlist regular. Eu acho isso um baita chamariz”.

Vocês são uma banda que tem um nome bastante consolidado na indústria; e estão lançando material novo, como o álbum “Labirinto da Memória”, do ano passado. Teve também uma colaboração com Fresno, enfim. Qual é o segredo para se manter relevante na cena mesmo após tanto tempo?

“Cara, se manter relevante eu não sei. Talvez um pouco de renovação de público, e tal. Mas a gente tem vergonha o bastante para gostar do que a gente faz há 30 anos. Os caras não estão comigo há 30 anos, só eu que estou ali há 34 anos, mas ainda é bom estar na estrada. Ainda é bom ter velhos amigos que a gente conhece há 20 e tantos anos, Brasil afora. Ainda é bom viajar – mesmo com a minha filha reclamando que eu viajo demais! É importante, eu acho legal. Eu gosto de lugares novos”.

“Por exemplo, a gente nunca tocou em Macapá, e eu quero e vou tocar em Macapá; nunca toquei em Lima, no Peru, ou em Mendonza, na Argentina, e se me convidarem, eu quero estar lá. Acho que talvez isso deixe a banda com um frescor, de estar sempre se desafiando. Acho que a gente se desafia bem menos esteticamente, mas a gente se desafia bem mais na estrada, de tocar em outros festivais, conhecer outras pessoas, outros cenários. Enfim, acho que isso torna a banda uma banda em movimento. E acho que, com uma banda em movimento, as pessoas vão estar minimamente curiosas para saber o que estamos fazendo”.

E, para finalizar, que conselho você deixa para a geração mais nova do hardcore brasileiro?

“Ah, não me pergunta isso! Não sei se tenho idade para dar conselho para ninguém. Eu acho que a única coisa que eu quero muito é que essas bandas perseverem. Não é em um ano que você vai fazer alguma coisa acontecer. E, mesmo que nada aconteça, você vai aprender um tanto de coisas estando na estrada, estando dentro de um estúdio, dividindo sua individualidade com outra pessoa que nem sempre pensa igual a você. Eu acho muito importante, para a construção do cenário, ter bandas que pensem o cenário antes do sucesso. Que pensem na estrutura, entende? Eu vejo isso muito isso dentro do meu nicho, mas gostaria de ver mais”.

“Eu tenho visto, inclusive, mais festivais com uma molecada mais nova, mais festivais que não pensam em estar falando tanto. Também é importante falar para as massas, é muito importante; mas que primeiro pensem na sua estrutura, pensem na coletividade, mesmo que seja uma coisa micropolítica, que pensem tudo isso. Hoje as pessoas conseguem se gravar, conseguem fazer o seu próprio selo, conseguem entender como fazer uma distribuição, uma plataforma, como é assinar com selos, etc. Mas parece que as pessoas, em cinco anos, se cansam e mudam. E tudo bem, mas é preciso perseverar mais. Acho que esse é um conselho de um velho, e que talvez não tenha tanta relevância, mas está dado”!

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