Entrevista: MARINA NA VOZ fala sobre o projeto “CASA MOLHADA” e mais

A artista comentou o processo de produção das faixas, visuais e mais

Foto: Cred. David Aldea

Em um mês marcado pelo Dia dos Namorados, a cantora e compositora MARINA NA VOZ resolveu inverter o processo e lançar um projeto focado no amor-próprio: o single duplo “CASA MOLHADA”! Formado pelas músicas inéditas “NÃO VOU PARAR” e “QUERO MAIS”, o trabalho apresenta uma nova fase na carreira da artista.

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A proposta da artista vai além das faixas musicais. Ambientados em um jardim, os visualizers das canções trazem MARINA em um momento de reconexão consigo mesma e retratando momentos do cotidiano; ampliando o universo das músicas de forma simples e leve.

Em entrevista recente ao Tracklist, MARINA NA VOZ falou sobre a construção do projeto “CASA MOLHADA”, a produção das músicas e dos trabalhos audiovisuais, seu atual momento na carreira e mais. Confira abaixo!

Entrevista: MARINA NA VOZ

“CASA MOLHADA” chega no mês dos namorados, mas traz o amor-próprio como tema central. Em que momento você percebeu que queria inverter essa lógica e fazer um projeto voltado para si mesma?

“Desde o dia em que eu estava no estúdio criando as músicas, eu não estava pensando em falar sobre alguém específico, sobre um relacionamento específico ou algo assim. As músicas sempre foram muito mais sobre aproveitar o momento e se divertir, sabe? Muitas vezes, nas letras, eu falo como se estivesse falando sobre alguém, quando na verdade estou falando sobre mim”.

“No momento em que eu estava pensando com a minha equipe em como trabalhar o lançamento desse single duplo, essa ideia de inverter a lógica do mês dos namorados surgiu e eu adorei, porque tem muito a ver com o meu momento atual também. Eu terminei recentemente uma relação de 5 anos e estou vivendo um momento em que o amor-próprio, redescoberta e autoestima fazem parte do meu dia a dia. Então falar sobre isso em um trabalho torna tudo mais autêntico e verdadeiro”.

“NÃO VOU PARAR” e “QUERO MAIS” têm atmosferas bem diferentes, mas se complementam. O que essas duas músicas revelam sobre você que o público talvez ainda não conhecesse?

“Desde o meu EP ”AMBICIOSA’, meus lançamentos vinham de uma influência muito forte do R&B. Em ‘CASA MOLHADA’, eu me permiti explorar outras sonoridades, referências e formas de me expressar. Acho que tanto ‘NÃO VOU PARAR’ quanto ‘QUERO MAIS’ refletem muito do que estou vivendo na minha vida pessoal. São músicas que me apresentam de uma forma mais espontânea, confiante e aberta a experimentar, errar, acertar e me descobrir da maneira mais livre possível. Tenho me divertido bastante durante o processo criativo dessa era e tentado ter menos medo de mostrar diferentes facetas minhas, de fugir um pouco das expectativas que as pessoas podem ter sobre mim e fazer o que faz sentido para o momento que estou vivendo”.

Você trabalhou com Los Brasileros, DMAX e Nenu neste projeto. Como foi dividir o estúdio com esses produtores – que já assinaram trabalhos de artistas como Anitta, Jão e Luísa Sonza? Teve algum aprendizado ou momento marcante durante esse processo?

“Isso para mim foi um dos pontos altos de todo esse projeto, de verdade. Eu fiquei muito animada com a ideia de criar na Head Media com esses produtores. Admiro muito o trabalho deles, e ter a chance de fazer música com eles foi incrível”.

“Eu lembro que, nos dias em que fui lá trabalhar com eles, eu estava nervosa, porque parte da letra eu escreveria na hora. ‘NÃO VOU PARAR’ não estava completa e, para ‘QUERO MAIS’, eu tinha só uma estrofe e uma ideia. Além dos produtores, eu tive a oportunidade de colaborar com o CHUM, que é um compositor incrível, e entrou em ‘NÃO VOU PARAR’. A energia fluiu tanto nas sessões que as letras vieram facilmente, a música foi se construindo de forma leve, e eu amei muito o resultado final. Trabalhar com pessoas talentosas sempre me faz bem e essas experiências me fizeram acreditar mais no processo e também no meu potencial”.

Musicalmente, “CASA MOLHADA” passeia entre a nostalgia dos anos 2000 e elementos mais atuais da música eletrônica. Quais artistas e referências estiveram presentes nessa nova fase?

“‘NÃO VOU PARAR’ tem referências dos anos 2000. Eu sou dos anos 2000 e cresci ouvindo Nelly Furtado, Timbaland, Ja Rule, então eu gosto de brincar com elementos dessa época nas minhas músicas. Uma artista que também foi referência para mim quando eu estava criando essa faixa foi a Tyla. Em ‘QUERO MAIS’, nós usamos elementos da música eletrônica. O refrão me lembra as EDMs de 2010, mas eu também quis trazer elementos de house music. Foi um mix de referências e eu me diverti muito criando, testando e experimentando com os produtores durante o processo”.

As tarefas do dia a dia ganham um significado especial nos visualizers de “CASA MOLHADA”. Como nasceu essa estética cinematográfica e o quanto você pensou nos vídeos como uma extensão da narrativa das música?

“Em todos os meus lançamentos, eu sempre gosto de trazer peças visuais para ambientar e dar contexto para as músicas. Eu sinto que os visuais ajudam a construir a narrativa do lançamento e complementam as letras, traduzindo o que eu estou sentindo nas músicas em imagens”.

“Em ‘CASA MOLHADA’, desde o princípio, eu queria algo que trouxesse cores vivas, que fosse divertido e autêntico, que tivesse a minha cara, porque o projeto é isso. Depois de pensar em algumas locações, nós optamos por gravar no jardim de uma casa e acabou sendo a melhor ideia possível; porque, por ser uma casa, trouxe a sensação de algo íntimo – como é a minha relação comigo mesma. Mas, ao mesmo tempo, nós gravamos do lado de fora e tem cenas muito espontâneas, que me remetem à liberdade. Depois, eu e minha equipe chegamos ao nome do projeto ‘CASA MOLHADA’, que faz uma brincadeira de duplo sentido com o que é apresentado nos visuais e com uma sensualidade e ousadia que eu sempre trago no meu trabalho”.

“409” ultrapassou a marca de 500 mil streams, e hoje você soma mais de 25 milhões de reproduções nas plataformas. Em algum momento da carreira você imaginou alcançar esses números? Como tem sido viver essa fase de crescimento tão consistente?

“Eu sempre sonhei muito alto em relação à música, sempre me imaginei conquistando coisas muito grandes, alcançando grandes públicos e meu trabalho chegando muito longe. Apesar disso, eu confesso que viver isso na prática bate diferente… quando eu paro para analisar as métricas, os números e comparo com onde eu estava há um ano atrás, é sempre um choque. Fico muito feliz de ver que meu trabalho tem chegado a cada vez mais pessoas. Tudo nessa carreira é uma construção e eu fico satisfeita de perceber que estou no caminho certo”.

Você construiu uma comunidade muito engajada nas redes e reúne, atualmente mais de 90 mil ouvintes mensais no Spotify. O que mais te surpreende na relação que vem criando com os fãs?

“O carinho deles e o fato de estarem sempre ali apoiando e incentivando cada passo mexe comigo. Eu sempre fui fã de artistas, então já estive no lugar de quem tem fã-clube, passa horas ouvindo as músicas, faz edits e acompanha tudo nas redes sociais. Então, eu sei como é ser fã, mas vivenciar isso do outro lado é algo que ainda me surpreende às vezes. Eles têm um carinho muito grande por mim e eu fico muito agradecida por isso”.

“Agora, trabalhando o projeto ‘CASA MOLHADA’, eu fiz uma pré-estreia virtual com alguns fãs um dia antes do lançamento. Foi um bate-papo online para apresentar as músicas em primeira mão e trocar com eles. Foi muito especial viver essa experiência ao vivo com eles, foi um momento em que nos aproximamos mais, fiquei muito feliz com isso”.

“CASA MOLHADA” parece apresentar uma versão mais livre, confiante e pop da MARINA. Você sente que esse projeto representa uma virada de chave na sua carreira? O que a artista de hoje diria para a MARINA que lançou seus primeiros trabalhos?

“Sim, com certeza, é exatamente assim que vejo esse momento. Eu acredito que esse momento é uma virada de chave, porque estou buscando me apresentar pro mercado de uma forma diferente e conquistar novos públicos. Acredito que esse lançamento e os próximos vão expandir muito minha carreira. Eu estou sempre lembrando da MARINA lá do começo, de anos atrás, que começou a fazer seus lançamentos autorais com muita coragem e determinação. Muita coisa mudou desde então e eu acredito que ela estaria muito feliz e orgulhosa. Se eu pudesse dizer algo a ela, eu diria para continuar fazendo exatamente o que estava fazendo, porque sempre estivemos no caminho certo, coisas surpreendentes aconteceram desde então e vão continuar acontecendo”.


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