"Sincerely", quinto disco de Kali Uchis, foi lançado nesta sexta-feira (9) e marca uma fase inédita em sua carreira e em sua vida pessoal

Há alguns anos, Kali Uchis vive o auge de sua carreira. A cantora norte-americana e de descendência colombiana se tornou um símbolo de uma nova geração de artistas latinos, com trabalhos que alternam não apenas entre o inglês e o espanhol, mas também entre diferentes gêneros musicais, como o pop, o R&B e o reggaeton.
Com esse repertório, Kali incorporou sua personalidade à sua música, e assim tem conquistado um grande público nos últimos anos. Seus álbuns ficaram conhecidos pela profundidade emocional e pela maneira única com a qual a cantora encontrou para expressar os próprios sentimentos.
Nesta sexta-feira (9), a cantora lança o seu mais novo álbum de estúdio, “Sincerely”, que marca uma fase inédita em sua carreira e, principalmente, em sua vida. O disco foi escrito e produzido em grande parte durante a sua gravidez, e reflete uma nova versão de si e de sua música, agora como mãe.
Em entrevista ao Tracklist, a artista contou mais detalhes sobre o processo de criação do disco, o impacto que a sua recente gravidez e a sua mãe tiveram sobre o trabalho e as chances de vir ao Brasil com a sua futura turnê.
“Sincerely” marca um capítulo ímpar na vida de Kali Uchis. O quinto trabalho de sua discografia é também o seu primeiro como mãe, depois de dar luz ao seu filho com o rapper Don Toliver no ano passado. As músicas refletem uma nova visão de mundo para a artista por diferentes motivos, considerando que a maior parte delas foram escritas durante a gravidez — algumas, logo após a gestação. É o caso de “ILYSMIH”, um dos singles que foi composto enquanto a cantora ainda se recuperava do trabalho de parto.
“Enquanto eu ainda estava processando os eventos da minha vida, eu ficava inspirada e imediatamente começava a escrever”, conta Kali. “Eu nunca estava no estúdio tentando fazer as músicas, essa inspiração somente chegava a mim, qualquer que fosse o momento”.
Nas palavras da cantora, grande parte das músicas surgiram de maneira espontânea, em um processo criativo que considerou inédito para si. As demos, por exemplo, foram gravadas em seu próprio telefone assim que uma ideia atravessasse a sua mente, o que permitiu que Kali pudesse ter mais liberdade e disposição para idealizar a sua obra.
Por outro lado, “Sincerely” também reflete um momento difícil em sua vida pessoal. Há duas semanas, a cantora revelou em seu perfil no Instagram que sua mãe havia falecido, e posteriormente declarou que o álbum era dedicado à ela. “Estar passando por isso, tornando-me uma mãe e perdendo minha mãe, foi o capítulo mais transformador da minha vida até hoje, com certeza”, afirmou durante a entrevista. “Isso definitivamente teve um impacto nas músicas, e que bom.”
Kali revelou recentemente que uma nova turnê está entre os planos para os próximos meses. Durante a entrevista, a cantora comentou que, até o momento, somente os Estados Unidos estão na rota para os shows do disco, mas que mais datas e países estão sendo considerados — inclusive, o Brasil.
“Pessoalmente, eu estou levando um dia após o outro, tentando resolver por quanto tempo ficaremos em turnê. Até o momento, eu só sei sobre os Estados Unidos, mas quem sabe as coisas não possam mudar?”, declarou a artista.
A sua última e única vinda ao Brasil foi em 2023, para a divulgação de “Red Moon In Venus”, lançado no mesmo ano. Na ocasião, a cantora foi uma das atrações a se apresentarem no Lollapalooza, em um dos shows com maiores públicos da edição.
TRACKLIST: Boa tarde, Kali! Muito obrigado pelo seu tempo! Como você está hoje?
KALI: Estou bem, e você?
TRACKLIST: Bem também! Quero começar falando sobre seu próximo álbum, “Sincerely”, que será lançado na semana que vem. Pudemos ouvir o disco antes da entrevista, e está incrível! Tive a impressão de ser um trabalho que expande muito do que você tem feito nos últimos anos, então eu gostaria de ouvir um pouco mais sobre como foi o processo criativo do disco. Quais você acha que foram as maiores diferenças entre esse álbum e os anteriores?
KALI: Pra mim, a principal diferença é que esse é o trabalho mais emocional que eu já fiz. Eu realmente tentei entregar meu coração nele o quanto pude, criar um sentimento profundo de desejo… Tentei colocar uma parte de mim mesma nesse trabalho mais do que nunca.
Quanto ao processo por trás da gravação das músicas, as demos da maioria delas foram gravadas em meu celular quando eu estava fora, ou tomando banho… Eu nunca estava no estúdio tentando fazer as músicas, essa inspiração somente chegava a mim, qualquer que fosse o momento. Mesmo com “ILYSMIH”, eu comecei a música quando eu ainda estava no hospital, me recuperando do trabalho de parto. Tudo foi em tempo real… Enquanto eu ainda estava processando os eventos da minha vida, eu ficava inspirada e imediatamente começava a escrever. A maior parte das canções foram feitas sem a música em mente, e então a música vinha depois.
TRACKLIST: Que legal! Você tem alguma canção ou momento favorito do álbum? E qual você diria que foi a música mais difícil de gravar?
KALI: Eu amo muito “Silk Lingerie”, eu amo muito “Angels”… Essas são provavelmente as minhas favoritas agora, mas eu sempre mudo, porque as músicas são muito diferentes e eu as amo todas igualmente, mas agora essas provavelmente são minhas favoritas. Quanto à mais difícil… Eu não diria que nenhuma delas foi difícil, todas vieram muito naturalmente… É, eu não diria que nenhuma delas foi difícil.
TRACKLIST: Você já está acostumada a alternar os seus álbuns entre inglês e espanhol, o que é bem raro na música hoje em dia. Tenho certeza que as diferenças vão muito além somente do idioma, mas quais você diria que são as principais diferenças entre cantar e escrever em inglês e em espanhol?
KALI: A sensação é a mesma. A única coisa é que, objetivamente, eu posso ter um tipo diferente de energia quando eu canto em espanhol, em relação a quando eu canto em inglês, mas eu tento fazer com que não tenha muita diferença. Dessa forma, eu posso ser mais livre criativamente, sem sentir que eu preciso cantar em gêneros específicos em espanhol ou em inglês.
TRACKLIST: Como você comentou, esse disco traz o lado mais emotivo e sentimental que já ouvimos em sua música, e eu imagino que boa parte dele foi escrito durante a sua gravidez — e claro, esse álbum também é especialmente dedicado à sua mãe. Quanto você acha que essas experiências pessoais refletiram no disco?
KALI: A forma que eu vejo o mundo mudou completamente, foram dois eventos que mudaram minha vida. Estar passando por isso, tornando-me uma mãe e perdendo minha mãe, foi o capítulo mais transformador da minha vida até hoje, com certeza. Isso definitivamente teve um impacto nas músicas, e que bom.
TRACKLIST: Nós sabemos que tem uma turnê vindo por aí, e os fãs têm a expectativa de que seja a sua maior até agora. Quais são suas expectativas para os próximos shows? Podemos esperar o Brasil e a América do Sul na rota?
KALI: Eu amaria! Pessoalmente, eu estou levando um dia após o outro, tentando resolver por quanto tempo ficaremos em turnê. Até o momento, eu só sei sobre os Estados Unidos, mas quem sabe as coisas não possam mudar?
TRACKLIST: Estamos torcendo pra que sim! Para finalizarmos, poderia deixar uma mensagem para os seus fãs brasileiros?
KALI: Sim! Em primeiro lugar, obrigada pela entrevista! E eu só queria dizer pra todos os meus kuchis no Brasil que eu amo vocês, mal posso esperar para vê-los de novo. Muito obrigada pelo apoio, espero que vocês amem o álbum e espero que, se vocês estiverem passando por algo, ele ajude vocês a passarem por isso, o que quer que seja.






