Entrevista: Brandão fala sobre mixtape “Isso É Trap”, apropriação no rap e mais

Em um momento em que o trap nacional ganha cada vez mais espaço — e...

Foto: Reprodução/Instagram

Em um momento em que o trap nacional ganha cada vez mais espaço — e também mais oportunismo — Brandão retorna com um recado claro: isso aqui é trap de verdade. Em sua nova mixtapeIsso É Trap“, lançada na última quarta-feira (18), com 22 faixas, o cearense coloca a alma no beat, mostra sua evolução artística e assume todas as etapas do processo, da produção à divulgação. Em entrevista ao Tracklist, ele abre o jogo sobre a origem do projeto, a curadoria de feats e a honestidade crua que costura cada som.

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Apesar do título provocativo, Brandão garante que “Isso É Trap” não é uma resposta à antiga treta com os funkeiros. “É só uma reafirmação. Quem tá ligado no corre sabe que a gente vem dizendo isso há tempos”, afirma. Para ele, o maior recado está na consistência: na construção narrativa das faixas, na escolha dos beats e na entrega que só quem vive o trap nacional de dentro consegue oferecer.

A conversa também passou por temas espinhosos, como a apropriação do gênero por quem surfa apenas no hype, e a difícil missão de carregar o projeto nas costas sem abrir mão da qualidade. Mas se depender do trapper, o corre está só começando. Já tem turnê a caminho — e talvez até um “Volume 2” no radar. A 30PRAUM, selo que revelou nomes como Wiu, continua sendo uma das pontes entre o artista e a cena. E parcerias como o feat com Che Ecru mostram que o som de Brandão tem cada vez menos fronteiras. Confira!

Brandão fala sobre criação da mixtape “Isso É Trap”, feat com Che Ecru e nova fase da carreira

Brandão, o nome da mixtape “Isso É Trap” remete àquela treta com os funkeiros — mesmo depois da sua retratação pública. Essa escolha foi um recado? Como esse episódio influenciou o batismo do projeto?

Não teve nada a ver, não. “Isso É Trap” é o que eu venho fazendo há bastante tempo. Quem tá ligado aí no corre sabe que não é de hoje que a gente vem falando “isso é trap”. É só uma reafirmação mesmo. Tudo nesse projeto foi se conectando com o trap .

Você chegou a dizer, em entrevista, que tem MC querendo surfar no trap só pelo hype. Na sua visão, onde termina a inspiração e começa a apropriação?


Eu acredito que a inspiração é quando o mano está fazendo a parada com carinho, e não para ser descartável. Fazendo trap para agregar ao trap. Aprecio muito quando é assim. A apropriação, ao meu ver, é quando estão produzindo coisas passageiras, pensando nos números, talvez. Quantas músicas aí já estouraram e hoje em dia a galera nem… sendo que o rap em si, o trap, são compostos por vários clássicos atemporais, produções que realmente marcaram.

A mixtape traz 22 faixas de várias fases da sua vida. Como você estruturou tudo isso para que não virasse só uma coletânea pessoal, mas sim um disco com narrativa?


Eu já tinha algumas faixas, e aí o grande start da tape foi quando começaram a rolar mais shows. Essa vivência de show, de levar meus equipamentos para gravar, me ajudou a pensar em cada faixa, nas sonoridades, nas transições, a partir de uma ordem cronológica do que eu tava vivendo. Cada faixa está no lugar em que foi pensado para ela estar. É realmente um caminho que te leva a algum lugar.

A faixa com Che Ecru trouxe uma conexão internacional para o disco. Como essa collab nasceu — e como você vê o diálogo entre o trap feito aqui e o que rola fora do país?


O Che Ecru tem uma fanbase aqui no Brasil. Quem escuta trap soul e R&B já conhece o trabalho do mano. Eu mesmo já escuto há bastante tempo e sempre tive essa brisa de querer lançar algum som com ele. Depois que lancei CEO várias portas se abriram, então eu entrei em contato e ele me tratou super bem logo de cara, elogiou meu trampo, acabamos criando uma amizade até. É um irmão que a música me deu.

Você é a mente e o peito por trás de todo processo — desde produção até estratégia. Quais desafios você enfrentou na mixagem/masterização própria e no planejamento promocional?


Foram vários desafios porque é muita coisa pra assimilar. Quando a gente tá prestes a lançar um projeto é uma correria insana. Mas eu assumi a responsa. É algo que também faz parte do ‘Isso É Trap’, sabe? E querendo ou não, pra ter o prazer de lançar o nosso trabalho, temos que fazer alguns sacrifícios também. Eu fiquei praticamente morando no estúdio, ficava dois, três dias direto. Mas eu tô muito feliz e satisfeito com o resultado. Acredito que é assim que grandes nomes fizeram seus discos, entregando honestidade máxima. Só fiz o que tinha que ser feito. Fica muito puxado, mas a gente tem que se provar.

Após o lançamento de “Isso É Trap” o que vem aí? Tem clipe, show, continuação? O que você pode nos contar?


Vamos fazer uma tour, já estamos com vários shows na bala, vamos fazer um movimento especial para essa mixtape. Não vamos parar por aqui, é só o começo. Talvez “Isso É Trap” Volume 2? Não sei…(risos)


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