A banda Alma Djem lançou uma nova versão de “Rouxinóis”, faixa-destaque do seu EP “PARAÍSO”,...

A banda Alma Djem lançou uma nova versão de “Rouxinóis”, faixa-destaque do seu EP “PARAÍSO”, quarta parte do projeto acústico em São Paulo. Com uma sonoridade que mistura o reggae suave da banda à melodia delicada da MPB, a faixa ganha ainda mais brilho com a participação especial da cantora Roberta Campos. Em entrevista ao Tracklist, Marcelo Mira (vocalista) e Pit de Souza (baixista) contam sobre como foi essa parceria, sua sonoridade, o projeto acústico e futuros lançamentos do Alma Djem. Saiba mais a seguir!
Tracklist: Como foi a experiência de regravar “Rouxinóis” com Roberta Campos?
Marcelo Mira: Olha, foi uma experiência sensacional. A gente já tinha uma prévia de que essa música funcionaria muito bem nesse formato, ela já tinha uma roupagem da sua gravação original de 2023, uma roupagem mais calma, mais tranquila. Quando estávamos fazendo o repertório, decidindo as músicas que entrariam nesse DVD acústico, essa foi uma das primeiras a serem lembradas.
Primeiro porque a versão original dela de estúdio, de 2023 pra cá, ultrapassou 500 mil plays no Spotify, sem a gente fazer nenhum tipo de trabalho específico com ela, nem gravar videoclipe, nem nada. Ela acabou sendo uma música que vimos que caiu no gosto da nossa galera, dos nossos fãs. Não foi trabalhada, não entrou em playlist, nada disso, e ainda assim rapidamente bateu 500 mil plays, então a gente já estava com a ideia de trazer para o acústico.
E a gente estava com a ideia de trazer a Roberta Campos para fazer alguma coisa com o Alma Djem, um feat… Já estávamos ensaiando esse feat há um tempo, e achamos que essa música casaria muito bem com a voz dela, pela doçura, pela calma, pela tranquilidade. Resolvemos convidar, mandamos a música, ela adorou e ficou muito bacana.
E como foi o convite para ela participar do projeto “Acústico em São Paulo”?
Marcelo: O Pit [baixista] já tinha tocado com a Roberta, ele pode falar isso melhor. Ele já tinha tocado com a Roberta em uma das turnês dela. Como baixista, ele já havia acompanhado ela, já tinha uma certa amizade e intimidade ali. E eu tinha ido gravar uma música com o Renato Galozzi, um produtor musical que também produz para ela, para o Gabriel Elias, etc., e ele comentou: “A Roberta gosta muito do Alma Djem, acho que toparia total fazer um feat!”. A gente ficou com aquilo no radar.
Assim que definimos que a “Rouxinóis” entraria no DVD, naturalmente já veio o nome dela para fazer esse dueto, justamente pelas características. Ela abrilhantou demais a canção, trouxe essa doçura que ela tem na voz, essa coisa leve e singela que ela traz na música dela, uma voz que não é assim de muita potência, mas é uma voz que vem de coração para coração. Isso encantou demais a gente desde o primeiro ensaio aqui, foi sensacional quando ouvimos ela interpretando essa música.
Pit de Souza: Como o Mira disse, a Roberta já gostava do Alma Djem. Eu a conheci em 2016 e fizemos uma turnê em 2017 e 2018. Eu participava de um coletivo chamado Sunday Folk, fazia a direção musical. Lá passavam vários artistas e amigos, a galera do folk. E ela era amiga de uma galera, da Nô Stopa, a galera do d’O Teatro Mágico, Fernando Anitelli… muita gente colava lá. E ela aparecia, estava de folga e colava lá. Foi na época que ela estava fazendo a turnê “Todo Caminho É Sorte”. Ela estava tocando essa turnê acústica, violão e voz, e recebeu muitos pedidos para poder tocar com banda. Então, ela me fez o convite na época, porque a gente já estava tocando quase todos os domingos juntos, aí a sintonia bateu na hora. Tocamos juntos e foi muito bacana finalizar essa turnê com ela.
Nesse meio do caminho a gente gravou também “Quase Sem Querer”, uma versão da música do Legião Urbana que ela também estava fazendo na turnê ao mesmo tempo. E aí, como o Mira falou, ela já gostava do som, porque a gente estava no camarim, no hotel, eu botava a música do Alma Djem, ela já sentia uma familiaridade sonora com o Alma. Então, quando o convite foi feito, ela topou na hora, já escolheu “Rouxinóis”. Eu não lembro qual era a segunda que a gente tinha mandado para ela, mas ela já respondeu, assinando que ela já queria tocar essa. Então, deu tudo certo.
E vocês fizeram um projeto acústico que é bem diferente do que normalmente é feito. Vocês poderiam contar como surgiu a ideia e como foi lançar esse projeto?
Marcelo: Tentamos trazer essa sonoridade acústica para a realidade do Alma Djem. O Alma Djem sempre foi uma banda de guitarras, de bateria potente. Um pouco de peso, às vezes misturando até o rock e tudo.
Quando a gente trouxe para o universo do acústico, mesmo trazendo instrumentos como violão, viola, cavaquinho, bandolim, duas backing vocals, flauta, gaita e bastante percussão, a gente sabia que não ficaria um DVD leve, saberíamos que seria um DVD que teria uma pulsação, uma força musical e instrumental muito bacana. Adotamos isso e assumimos essa forma de tocar acusticamente. E estou sentindo que a galera está abraçando bem, porque deu leveza à música, mas não perdeu potência.
O Alma Djem misturou diferentes estilos ao longo de toda a carreira. Como é fazer essa movimentação e trabalhar com tantos artistas diferentes ao longo dos anos?
Desde o começo o Alma Djem sempre foi uma banda que pegou o reggae como base, mas a gente nunca fez um reggae muito purista, aquela coisa muito da raiz jamaicana do reggae. A gente sempre trouxe a brasilidade, um pouquinho do rock, da latinidade. O nosso reggae sempre foi híbrido. E a MPB está nas melodias, nas harmonias. Músicas como “Divide”, que é uma das músicas super conhecidas do Alma Djem, que já tem algumas regravações. Músicas como “Amar Novamente”, “Poeta”, enfim… algumas que as melodias e harmonias têm um quê forte de MPB.
Então, trazer nossas músicas para esse universo do acústico não foi difícil, foi uma coisa muito natural, porque o acústico pede isso, pede melodias bonitas, harmonias bem arranjadas e tudo. E trazer os convidados também foi muito tranquilo, porque todos eles também transitam muito bem nessa praia do reggae brasileiro ou da MPB, ou, por exemplo, o Tato no forró, o Atitude 67 no pagode, o Fabio Brazza no rap brasileiro, o Maneva, o Maskavo, o Chimarruts, a própria Roberta Campos… Então, foi tudo muito tranquilo, não tivemos grandes problemas em rearranjar as músicas, em trazer esses convidados e inserir dentro desse universo que a gente trouxe para esse trabalho.
Vocês dividiram esse último projeto em vários EPs. Essa é a última parte? O que podemos esperar para os próximos lançamentos?
Não, essa é a quarta parte de seis. A gente dividiu em seis, são 31 faixas no total. Cada EP colocamos um nome de um lugar de São Paulo. São nomes que remetem a coisas boas de São Paulo, aqueles nomes que, querendo ou não, subliminarmente trazem uma coisa legal para o dia a dia do paulistano.
A gente, como uma banda de Brasília que mora em São Paulo há vários anos, fizemos esse DVD para homenagear essa cidade que nos abraçou. O primeiro EP a Luz, depois Harmonia, Paraíso, Liberdade… cada EP tem essa característica no nome que é justamente um pouquinho de cada lugar de São Paulo. Então, a gente tem mais dois EPs para serem lançados. Ainda vem aí o Vitor Kley, o Chimarruts, mais uma música com Falamansa, regravações. Vem muita coisa bacana por aí, e acredito que até outubro a gente já tenha finalizado os seis EPs e transformado isso num álbum único..






