Indicados ao Oscar 2026: favoritos, surpresas e quais as chances do Brasil

Com quatro indicações para "O Agente Secreto", o Oscar 2026 anuncia lista justa, mas com surpresas e esnobados

Pedro IbarraNotíciasColunas23 de janeiro de 2026

O Agente Secreto concorre a quatro estatuetas no Oscar de 2026

A principal premiação do cinema norte-americano anunciou a tão aguardada lista. Com o Brasil exaltado, a Academia de Artes e Ciência Cinematográficas apresentou para o mundo quem são os indicados ao Oscar 2026. “O Agente Secreto” disputa quatro estatuetas, sendo elas Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Seleção de Elenco e Melhor Ator, com Wagner Moura. Os brasileiros também podem torcer para Adolpho Veloso, diretor de cinematografia indicado por “Sonhos de Trem”.

No entanto, o Oscar vai bem além do Brasil em 2026 e montou uma lista de indicados que mistura cartas marcadas, mas também surpresas – com um olho para fora dos Estados Unidos que destacou quem merecia reconhecimento. Enquanto 15 de março, dia da premiação, não chega, o Tracklist analisa a lista de acordo com o atual andamento das campanhas para o Oscar. Afinal, em pouco mais de um mês, tudo pode mudar.

As chances do Brasil

Adolpho Veloso concorre ao Oscar de Melhor Cinematografia por Sonhos de Trem
Adolpho Veloso pode trazer o Oscar de Melhor Cinematografia para o Brasil. Foto: Reprodução/Instagram

Este é mais um ano em que o brasileiro pode assistir ao prêmio com esperança. “O Agente Secreto” é favorito para pelo menos uma das categorias que concorre. Mesmo com as nove indicações de “Valor Sentimental”, é esperado que o longa brasileiro vença o norueguês em Melhor Filme Internacional no Oscar. Apesar da maior disputa ser entre estes dois filmes, “Foi Apenas Um Acidente”, produção iraniana que representa a França, pode surpreender.

As coisas são um pouco mais complicadas nas outras categorias. Em Melhor Ator, Timothée Chalamet, que vive o protagonista que dá o nome ao longa “Marty Supreme”, é o franco favorito, já tendo vencido de Wagner Moura no Critics Choice Awards. O baiano até ganhou força ao sair vitorioso na categoria de drama do Globo de Ouro, mas após ser esnobado no Bafta e no prêmio do Sindicato Norte-Americano dos Atores, é quase impossível que Wagner estrague a noite do eterno Lisan al-Gaib de “Duna”.

Em Melhor Seleção de Elenco, a análise é mais traiçoeira. Este é o primeiro ano da categoria no Oscar, mas ela já existe em outras premiações como Critics Choice Awards e Bafta. “Pecadores” parece ser o favorito de acordo com especialistas em premiação e por conta da vitória no prêmio da crítica. Porém, não dá para prever exatamente quais serão os parâmetros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Já Melhor Filme parece um sonho distante. Apenas o reconhecimento entre os 10 melhores em dois anos seguidos já é um marco – só o Brasil, a França e a Suécia conseguiram tal feito. No entanto, não há força para disputar com títulos como “Uma Batalha Após a Outra” ou “Pecadores” – o segundo se tornou o longa mais indicado em uma só edição do Oscar, concorrendo a 16 estatuetas.

Porém, não só “O Agente Secreto” está representando o Brasil. Adolpho Veloso concorre a Melhor Cinematografia e pode ser mais um a dar orgulho para o próprio povo. Mesmo em uma categoria disputada, o diretor de fotografia é favorito e pode ser o único Oscar de “Sonhos de Trem” na edição de 2026.

Favoritos

Pecadores concorre a 16 estatuetas do Oscar, entre elas Melhor Filme
“Pecadores” e “Uma Batalha Após a Outra” chegam fortes para Melhor Filme. Foto: Reprodução

Entre as categorias principais, alguns filmes se destacam. Em Melhor Filme, “Uma Batalha Após a Outra” tem sido unânime nas premiações pré-Oscar, tendo o recordista “Pecadores” e o emocionante “Hamnet” como principais ameaças. Entretanto, Paul Thomas Anderson, nome por trás da película que se mantém no favoritismo, também corre na frente nas categorias de direção e roteiro adaptado, o que pode facilitar o caminho para levar o prêmio principal da noite.

Em atuação, Timothée Chalamet, como já mencionado, está muito bem cotado para Melhor Ator. O mesmo caso de Jessie Buckley, de “Hamnet”, em Melhor Atriz, que já é virtual vencedora, a menos que Rose Byrne, de “Se Eu Tivesse Pernas Te Chutaria”, ganhe força neste mês final de campanha.

Os coadjuvantes, no entanto, estão em aberto. Entre os homens, Stellan Skarsgard, de “Valor Sentimental”, é o mais forte após levar o Globo de Ouro, mas perdeu para Jacob Elordi, de “Frankenstein”, no Critics Choice Awards. O fato de Stellan atuar em norueguês e não estar indicado no prêmio do Sindicato dos Atores pode assustar os votantes, que também não costumam premiar atores jovens como Jacob, o que deixa a disputa muito interessante de se acompanhar. Em uma divisão de votos, a estatueta pode acabar na mão dos já duas vezes vencedores Sean Penn e Benicio Del Toro, que se destacam em Uma Batalha Após a Outra.

As mulheres estão em uma situação parecida. Amy Madigan, de “A Hora do Mal”, levou o Critics e Teyana Taylor, de “Uma Batalha Após a Outra”, o Globo de Ouro. A briga virtual é entre as duas, que ainda estão na busca pelo reconhecimento do Bafta e do Sindicato dos Atores. Neste caso, Teyana tem mais força do que Amy, que está disputando por um filme de terror. O Oscar não costuma premiar produções do gênero. Um bom exemplo é A Substância que concorreu, em 2025, a cinco Oscars e ganhou apenas o técnico de Maquiagem e Cabelo, perdendo Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, Melhor Direção com Coralie Fargeat e Melhor Atriz com Demi Moore.

Das outras principais categorias ainda não citadas é interessante destacar que “Pecadores” está em primeiro nas apostas para Melhor Roteiro Original e Melhor Trilha Sonora; e “As Guerreiras do K-Pop” devem levar para casa Melhor Animação e Melhor Música Original, com a canção “Golden”.

Surpresas e esnobados

Chase Infiniti concorrweria pela primeira vez ao Oscar caso fosse indicada em 2026
Chase Infiniti ficou de fora do Oscar 2026. Foto: Reprodução

Muita gente estuda o Oscar e todos os grandes veículos tentam cravar os indicados para o prêmio ano a ano. Ainda assim, sempre uns ficam de fora inesperadamente e outros surpreendem por serem lembrados. Na lista de 2026, não foi diferente. Apesar de muito justa na maioria das categorias, alguns nomes chamaram a atenção, seja na presença ou na falta.

A começar por Melhor Atriz. Kate Hudson, de “Song Sung Blue”, acabou entrando no corte final da lista, deixando de fora nomes como Chase Infiniti, de “Uma Batalha Após a Outra”, Amanda Seyfried, de “O Testamento de Ann Lee”, e a menos cotada Cynthia Erivo, de “Wicked: Parte 2”. Na atuação coadjuvante, Ariana Grande, também de “Wicked”, foi a maior ausência, mas não de uma forma injusta, uma vez que a lista tem as cinco atrizes mais premiadas nesta temporada.

Na categoria de Melhor Ator, o único que poderia ter aparecido e ficou de fora foi Jesse Plemons, de “Bugonia”. Já o quesito coadjuvantes ficou marcado por uma das maiores surpresas. Delroy Lindo, de “Pecadores”, entrou na lista e deixou de fora Paul Mescal, que interpretou William Shakespeare em “Hamnet”, e Adam Sandler em “Jay Kelly”, onde entregou uma atuação belíssima.

Melhor Filme Internacional também chamou atenção ao indicar “A Voz de Hind Rajab”, da Tunísia, e deixar de fora “A Única Saída”, da Coreia do Sul. O diretor do sul-coreano, Park Chan-wook, é uma lenda do cinema e foi responsável por clássicos recentes, caso de “Oldboy” e “A Criada”.

Uma surpresa apareceu também em Melhor Filme. “F1” abocanhou uma indicação na categoria principal, assumindo o papel do longa que recebeu o reconhecimento da Academia por excelência técnica. Apesar da produção de Brad Pitt dirigindo carros de Fórmula 1 ter sido cotada entre especialistas, ainda havia uma certa esperança de que “Foi Apenas um Acidente” ou “Blue Moon” estivessem na lista, uma vez que “Frankenstein” poderia ser o único escolhido como o destaque nas tecnicalidades da disputa pelo prêmio mais cobiçado da noite.

Por fim, outros esnobados foram os filmes “Jay Kelly” e “Wicked: Parte 2”, que não só ficaram fora das categorias de atuação, como ainda não foram citados em toda a lista do Oscar de 2026. O curta brasileiro “Amarela” e o documentário nacional “Apocalipse nos Trópicos” também apareciam em algumas previsões e não conseguiram a indicação. Entretanto, o Brasil já está muito bem representado e a torcida começa desde já para mais uma, ou algumas, estatuetas para a sala de troféus do cinema nacional.

Últimas Notícias
Mais Lidas