Primavera Sound São Paulo 2026: o que conhecer e ouvir do line-up do festival

O festival que fez sucesso no Brasil entre 2022 e 2023 retorna capitaneado por The Strokes e Gorillaz, mas dá espaço para novos nomes

Da esquerda para direita: Nation of Language, FKA Twigs, Cara Delenvigne e Duquesa são artistas interessantes da lineup do Primavera Sound São Paulo | Foto: Primavera Sound/Divulgação

Após muita antecipação e muito mistério, o Primavera Sound São Paulo está de volta oficialmente. O festival que retorna para o calendário brasileiro após dois anos de inatividade revelou nesta segunda (11/5) a line-up da edição de 2026. Marcado para o fim de semana de 5 e 6 de dezembro no Autódromo de Interlagos, o evento tem Gorillaz, The Strokes, FKA Twigs e Lily Allen como atrações principais.

Há meses, fãs levantam possibilidades de nomes que poderiam assumir o palco do festival musical neste retorno. O próprio evento fez um trabalho muito bom de alimentar as expectativas dos frequentadores que ainda se sentiam “viúvos” das edições de 2022 e 2023. Mesmo longe de ter todos os artistas que estavam sendo ventilados, a line-up surpreendeu pelo ineditismo.

As escolhas seguras ficaram apenas nos dois maiores nomes do festival. Gorillaz, banda de desenho animado liderada por Damon Albarn, vem ao Brasil para apresentar a mistura do indie, rap e música do sul asiático que criaram no bom álbum “The Mountain”. O The Strokes, que acabou de sair de um hiato de lançamentos com o single “Going Shopping”, chegará ao país com o repertório novo do disco “Reality Awaits”, com lançamento marcado para 26 de junho. Ambas as bandas já apresentaram os novos formatos de show ao vivo e receberam elogios.

FKA Twigs, que estava devendo uma passadinha pelo país, também integra o line-up. A cantora, atriz e dançarina, que não vinha ao Brasil desde 2014, era muito pedida pelos fãs e traz o aclamado show de seu último disco, “EUSEXUA”, lançado em 2025.

Quem também aparece no topo da lista de atrações e deve garantir uma grande quantidade de ingressos vendidos é Lily Allen. A cantora que estourou nos anos 2000 traz o espetáculo aclamado do novo disco, “West End Girl”. No show, ela interpreta de forma teatral o último lançamento da carreira – um álbum que cresceu em ouvintes pela qualidade, mas também por falar dos problemas do fim do relacionamento da cantora com o ator David Harbour, conhecido pelo papel de Hopper na série “Stranger Things:”.

Porém, quem estava esperando um meio de line-up recheado de artistas em alta acabou recebendo uma lista de atrações que ainda são nomes emergentes vindos da música alternativa e underground estrangeira. Nomes já mais consolidados e comentados como Fontaines DC, Geese, PinkPantheress e Zara Larsson deram lugar para CMAT, underscores, Smerz e Nation of Language.

A maioria dos nomes escolhidos para ocupar o espaço abaixo dos headliners já tem um bom alcance fora do Brasil. Contudo, ainda estão longe de uma formação de público efetiva com os brasileiros.

CMAT foi headliner do cultuado Lido Festival na Inglaterra; já o duo norueguês Smerz tem colecionado boas críticas na mídia europeia. Por sua vez, a cantora americana underscores vem fazendo barulho na cena do eletropop há pelo menos 5 anos. Por fim, a banda – também estadunidense – Nation of Language está viajando o mundo em shows solo ou até abrindo para gigantes do indie, como a lendária Death Cab for Cutie.

Lugar para descobrir

Dessa forma, o festival abraçou uma característica que tem desde a origem em Barcelona. O Primavera Sound é, em essência, um olhar curatorial da cena musical alternativa e underground mundial que foi transformado em um grande evento – um lugar para conhecer vozes e talentos enquanto aguarda o show de grandes nomes.

Nenhum dos nomes “desconhecidos” entraram na line-up por acaso. Alguns exemplos são Los Thuthanaka, primeiro colocado na lista de álbuns do ano de 2025 do portal norte-americano Pitchfork; Cara Delevingne, atriz e supermodelo de sucesso que começa uma empreitada na música em 2026; e Sophia Stel, um dos primeiros nomes a assinar com a A24 Music — braço musical da gigante produtora e distribuidora cinematográfica independente.

O rapper sueco Yung Lean é outro muito esperado que vai dar as caras no palco do Primavera. O artista multifacetado, que já colaborou com nomes que vão de Travis Scott a Charli XCX, chega em alta para a primeira apresentação em terras brasileiras. A turnê do disco “Jonathan”, lançado em 2025, foi o que colocou ele entre os primeiros nomes do Primavera. Porém, o nome dele ganhou ainda mais popularidade após “STORM“, dois singles em parceria com o projeto Gener8ion que contaram com um clipe impecável assinado pelo diretor francês Romain Gavras, filho do lendário cineasta Costa-Gavras.

Bandas como Model/Actress e Mannequin Pussy também já têm uma base de seguidores no país pelos trabalhos diferentes e bem executados A primeira é uma queridinha da crítica especializada e uma das lideranças da nova onda do pós-punk que começou mundialmente em meados dos anos 2010. A segunda é do mesmo movimento, mas ganhou mais proeminência na cena após o rock quebrar as barreiras do mainstream mais uma vez graças a nomes que vão de Wet Leg a Olivia Rodrigo. 

As duas bandas completam 10 anos de estrada este ano e foram recebidas na lineup com a comemoração dos fãs que aguardavam o momento que o Brasil entraria nas rotas de show delas.

Brasileiros diversos

Os representantes nacionais da line-up acabam seguindo uma lógica um tanto quanto similar de descoberta. Entretanto, existe o reconhecimento de quem está fazendo sucesso nacionalmente nos últimos tempos para além do alternativo :Gaby Amarantos, com o sucesso do disco “Rock Doido”; Ana Frango Elétrico, com o reconhecimento de pares como Arnaldo Antunes; Zé Ibarra, que viajou o mundo graças à boa recepção do álbum “Afim”; e os fenômenos do rap Duquesa e Ebony são bons exemplos disso.

Houve também o ímpeto mais inventivo na escolha de outros brasileiros. Este é o caso dos DJs Ramon Sucesso e Paulete Lindacelva, que são dois dos talentos mais criativos da música eletrônica brasileira da atualidade; a banda de metal Black Pantera, premiada pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) e figurinha carimbada nos maiores festivais do Brasil; e a cantora R&B Melly, que vem de uma crescente após a indicação para o Grammy Latino em 2024.

Latinidade em baixa

Apesar do estouro de popularidade de cantores e bandas da América Latina no Brasil, o Primavera Sound não surfou nesta tendência. Apenas a argentina Juana Molina e o mexicano Métrika representam a área em toda line-up. Fazendo um esforço é possível encontrar referências latinas no trabalho da banda americana Los Thuthanaka, que carrega a ancestralidade boliviana no próprio som.

A percepção que fica é que mesmo após passagens de sucesso de artistas como J Balvin, Bad Bunny, Ca7riel e Paco Amoroso e Silvana Estrada pelo Brasil, ainda há um certo receio dos grandes eventos de investirem no cachê de nomes dos países vizinhos, o que não retira a capacidade de cantores muito pedidos como Trueno, Milo J e Young Miko de aumentarem a venda de ingressos.

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