Os 10 melhores filmes de 2025

O material reúne produções lançadas no Brasil entre 1º de janeiro e 1º de dezembro de 2025

Redação TracklistCinemaNotícias22 de dezembro de 2025

Foto: Divulgação

Por Andressa Cerqueira e Juliana Gomes – Entre estreias aguardadas, fenômenos inesperados e produções que dominaram as conversas ao longo do ano, a lista de melhores filmes de 2025 reflete um período especialmente rico para o audiovisual com obras que atravessaram gêneros, exploraram novas linguagens e conquistaram o público.

Com isso em mente, o Tracklist reuniu os 10 melhores filmes de 2025. A seleção destaca produções que se destacaram pela qualidade artística, impacto cultural e repercussão ao longo do ano. Confira a lista completa abaixo!

Observação: A lista inclui trabalhos lançados no Brasil entre os dias 1º de janeiro e 1º de dezembro de 2025. As produções foram definidas a partir da opinião dos redatores e da equipe do Tracklist, além de considerar a opinião da crítica especializada.


Os 10 melhores filmes de 2025


10º – “Guerreiras do K-pop“

Para abrir o nosso Top 10 de melhores filmes de 2025, está “Guerreiras do K-Pop” (ou “K-Pop Demon Hunters“, no título original). Original da Netflix, o longa estreou em agosto e se tornou a animação mais assistido da história do streaming.

A trama acompanha o grupo HUNTR/X – formado por Rumi, Mira e Zoey – que, além de idols, lutam secretamente contra demônios que ameaçam o mundo humano. A animação se destacou não apenas pela narrativa, mas também pela trilha sonora, que rapidamente conquistou as paradas musicais, com “Golden”“Your Idol” e “Soda Pop”.


9º – “Thunderbolts*”

Fugindo do padrão tradicional da Marvel, “Thunderbolts*” aposta em personagens falhos, moralmente ambíguos e em missões de alto risco. Mais do que ação, o filme se destaca por explorar lealdades frágeis, traumas e segundas chances.

O elenco reúne nomes como Florence Pugh, Sebastian Stan, David Harbour, Wyatt Russell, Olga Kurylenko, Lewis Pullman, Hannah John-Kamen e Julia Louis-Dreyfus, formando um dos times mais instáveis – e interessantes – do estúdio.


8º – “Lilo & Stitch” (live-action)

O clássico da Disney retornou com sua mensagem atemporal sobre família, amizade e aceitação. A história da garota havaiana e seu alienígena travesso segue encantando diferentes gerações.

O live-action de “Lilo & Stitch” acompanha Lilo Pelekai (Maia Kealoha), uma garotinha que vive com a irmã e decide adotar Stitch, um experimento alienígena criado para destruir tudo ao seu redor. Em meio ao caos, nasce uma amizade improvável que redefine o significado de família.


7º – “Caramelo”

Com humor e sensibilidade, “Caramelo” se tornou um verdadeiro fenômeno. O filme celebra o cachorro mais famoso do Brasil em uma história divertida e emocionante sobre afeto e laços improváveis que transformam vidas. O longa chegou a ocupar o Top 3 Global da Netflix e se tornou o título em língua não inglesa mais assistido da plataforma.

Estrelado por Rafael Vitti, a trama acompanha Pedro, um chef de cozinha que vê sua vida mudar após um diagnóstico inesperado. Em meio às incertezas, ele encontra apoio em Amendoim, um carismático vira-lata caramelo que o ajuda a redescobrir o valor das pequenas coisas.


6º – “Superman”

Dirigido por James Gunn, “Superman” marca o início de uma nova fase da DC nos cinemas e apresenta David Corenswet como Clark Kent e Rachel Brosnahan como Lois Lane. Mais do que ação, o filme conta com uma abordagem mais humana, apresentando uma releitura sólida e emocionante do herói.

Bem recebido pelo público, o filme se destacou como um dos grandes sucessos de bilheteria do ano, consolidando o novo direcionamento do estúdio. Entre os destaques estão a aguardada aparição de Krypto, o supercão, que adiciona leveza à narrativa, e o retorno de Lex Luthor, agora interpretado por Nicholas Hoult, reforçando o conflito central da história com uma versão mais calculista e ameaçadora do clássico vilão.


5º – “Invocação do Mal 4: O Último Ritual”

Encerrando uma das franquias mais consistentes do terror contemporâneo, “Invocação do Mal 4: O Último Ritual” transforma o fim da jornada de Ed (Patrick Wilson) e Lorraine (Vera Farmiga) em algo mais do que um simples capítulo final: é uma reflexão sobre fé, medo e o peso das escolhas feitas ao longo de uma vida inteira.

Novamente dirigido por Michael Chaves — responsável pelos derivados “A Freira” e escolhido para suceder James Wan no comando da franquia —, “Invocação do Mal 4” é um filme movido pelo desejo claro de honrar um legado. A produção equilibra sustos clássicos com uma abordagem mais emocional, apostando menos no choque gratuito e mais na construção de tensão psicológica.

É verdade que a conclusão não alcança a força do início da saga, mas ainda assim oferece uma despedida digna ao casal que se tornou símbolo do universo criado pela franquia. Tecnicamente, o longa preserva a identidade visual que o consagrou, com fotografia sombria, uso preciso do silêncio e uma trilha sonora que intensifica o suspense sem sufocar a experiência. Mais do que encerrar uma saga, “O Último Ritual” reafirma o impacto de “Invocação do Mal” na cultura pop do terror, consolidando seu lugar não apenas como fenômeno de bilheteria, mas como um marco do gênero — e um dos destaques do ano.


4º – “A Hora do Mal”

Esta foi uma história real que — graças a Deus — só aconteceu na fictícia Maybrook. Em linhas gerais, “A Hora do Mal” acompanha Justine Gandy (Julia Garner), uma professora do ensino fundamental cuja vida desmorona após todas as crianças de sua sala desaparecem na mesma madrugada, saindo de casa sozinhas às 2h17. Um detalhe aparentemente banal — o horário — que se transforma em obsessão coletiva e ajuda a explicar por que o novo filme de Zach Cregger ganhou, no Brasil, um título mais literal e direto.

Apesar de funcional, “A Hora do Mal” não carrega o mesmo impacto do nome original, Weapons. A tradução literal, “Armas”, dialoga de forma mais incisiva com o que o filme realmente propõe: não um mistério sobrenatural convencional, mas uma investigação sobre diferentes formas de violência. Algumas visíveis, outras normalizadas, muitas delas silenciosas — e todas profundamente enraizadas no cotidiano.

Cregger evita o terror de impacto imediato e constrói um filme sustentado pela inquietação. O medo não surge do susto, mas da antecipação; não da imagem explícita, mas da sensação de que algo está profundamente errado. O roteiro explora zonas cinzentas entre o trauma coletivo, a paranoia e o inexplicável, deixando o espectador em constante estado de alerta.

Embora armas de fogo apareçam pontualmente, o filme não depende delas para estabelecer seu discurso. O que “A Hora do Mal” evoca é um imaginário marcado por tragédias recorrentes, especialmente aquelas que vitimam crianças, e pela incapacidade coletiva de lidar com esse tipo de horror de forma racional ou preventiva.

Com mais de duas horas de duração, o longa não se apressa em oferecer respostas. Pelo contrário: opta por desorientar. Assim como em “Noites Brutais” (2022), Cregger fragmenta a narrativa, muda perspectivas e reorganiza o tempo, permitindo que cada ponto de vista revele apenas uma parte do todo. O resultado é um filme que confia no desconforto como ferramenta narrativa e transforma a escuridão literal e simbólica em seu principal motor.


3º – “Wicked: Parte 2”

Em seu retorno ao universo de Oz, “Wicked: Parte Dois” assume uma postura mais confiante e menos didática. Se o primeiro filme se preocupava em estabelecer contexto, personagens e regras desse mundo, a continuação entende que já não precisa se explicar tanto — e é justamente aí que encontra sua força. O espetáculo existe, mas agora sustentado por decisões narrativas mais firmes e por um envolvimento emocional mais direto com as protagonistas.

A história avança sem o peso da preparação constante. Elphaba e Glinda já estão moldadas pelas escolhas que fizeram, e o filme se dedica a explorar as consequências desse caminho, aproximando sua trama do imaginário clássico de “O Mágico de Oz”. Essa conexão surge de maneira orgânica, não como fan service, mas como parte natural de um arco que finalmente se completa.

No aspecto musical, a obra mantém um alto nível de qualidade. Embora o impacto imediato das canções do primeiro longa tenha sido mais uniforme, aqui a música surge como ferramenta dramática essencial. Números como “No Good Deed” condensam o peso emocional da trajetória de Elphaba, traduzindo em voz e performance tudo aquilo que o roteiro constrói em silêncio. A trilha acompanha o amadurecimento da história e reforça o tom grandioso de sua conclusão.


2º – “Pecadores”

“Existem lendas sobre pessoas que têm o dom de fazer uma música tão pura que pode evocar os espíritos do passado”, a frase dita pela personagem de Wunmi Mosaku dá o tom da poderosa narrativa seguida por “Pecadores“. Isto porque muito antes de se tornar linguagem universal, o blues nasceu como lamento. Surgiu no sul dos Estados Unidos, entre campos de algodão, igrejas improvisadas e noites atravessadas pela dor, funcionando como expressão de sobrevivência para uma população marcada pela violência, pela exploração e pela exclusão. Era música feita para resistir — e, muitas vezes, para exorcizar demônios que a sociedade insistia em fingir que não existiam.

Ambientado no Mississippi dos anos 1930, o filme acompanha os irmãos Smoke e Stack (ambos interpretados por Michael B. Jordan), que retornam à cidade natal para abrir um clube de blues destinado à comunidade negra local. O que começa como um projeto de afirmação cultural rapidamente se transforma em algo mais sombrio, à medida que forças externas — e profundamente simbólicas — passam a ameaçar aquele espaço de liberdade recém-conquistado.

Ryan Coogler constrói a narrativa com plena consciência de suas camadas. Pecadores não se limita ao terror sobrenatural: ele o utiliza como metáfora. Vampiros surgem não apenas como criaturas da noite, mas como representação de um sistema que se alimenta de corpos, cultura e identidade. O blues, nesse contexto, não é trilha de fundo — é resistência, ritual e memória coletiva.

Ao unir horror, musicalidade e comentário social, “Pecadores” se consolida como uma obra ambiciosa e inquietante. Um filme que entende o terror como ferramenta política e o blues como linguagem ancestral de sobrevivência. Mais do que assustar, ele provoca — e reafirma que algumas histórias precisam ser cantadas, mesmo quando falam de dor.


1º – “O Agente Secreto”

Enquanto 2025 se despede, o Brasil ‘ainda está aqui’ na corrida pelo Oscar de 2026. Desta vez, o nome que mantém o país no radar internacional é “O Agente Secreto“, filme de Kleber Mendonça Filho que, desde sua estreia em Cannes, vem acumulando prêmios, menções honrosas e uma recepção crítica que o coloca entre os títulos mais relevantes do ano.

A tensão do longa nasce daquilo que não se vê. Assim como em “Tubarão” (1975), o perigo raramente se materializa de forma direta. Ele se anuncia na espera, no silêncio que se prolonga além do confortável, nos olhares que denunciam mais do que palavras. É um suspense construído a partir da sugestão, sustentado pelo desconforto contínuo e por um rigor absoluto de ritmo e atmosfera.

No centro da narrativa está Marcelo (Wagner Moura), um homem em constante estado de alerta, pressionado por forças que nunca se revelam por completo. “O Agente Secreto” transforma a espionagem em um jogo de paranoia, no qual informação representa tanto poder quanto sentença. Cada escolha parece definitiva, e o filme se recusa a oferecer ao espectador qualquer sensação de segurança.

Os motivos da fuga de Marcelo — e quem exatamente o persegue — permanecem cuidadosamente velados, mas o contexto histórico deixa pistas suficientes. Ambientado durante a ditadura militar, o filme encontra nesse período um terreno fértil para tensionar medo, vigilância e repressão. A reconstrução visual é precisa e imersiva, criando um cenário que potencializa o suspense e reforça o peso político da narrativa.

É nesse ponto que Kleber Mendonça Filho opera com maestria: ao se apropriar de códigos do cinema de gênero para discutir temas que atravessam o Brasil e ecoam globalmente. “O Agente Secreto” não apenas dialoga com a tradição do suspense, como a utiliza para refletir sobre poder, controle e memória — qualidades que explicam sua força na temporada de premiações e sua permanência no centro da conversa cinematográfica mundial.


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