A artista inaugurou sua nova era musical nesta sexta-feira (24)

Na última sexta-feira (24), Giulia Be lançou seu novo single, intitulado “fool for love“! A música, que apresenta uma atmosfera leve e contagiante, abre caminho para a nova era musical da artista – que será um projeto trilíngue e audiovisual!
Leia mais: “Berghain”: confira letra e tradução do novo single de ROSALÍA
Leia mais: Entevista: DJ Tamy fala sobre ocupar espaços na música, carreira e mais
Em entrevista recente ao Tracklist, Giulia Be deu detalhes de seu novo single, além de falar sobre seu próximo álbum de estúdio, seu processo criativo, atual fase na carreira e mais. Confira a conversa na íntegra abaixo!
“A ideia, na verdade, sempre esteve dentro de mim. Eu sempre tive essa vontade de cantar nos três idiomas. Na minha carreira inteira, eu sempre falo que eu tive que, de single em single, escolher qual versão de mim ia aparecer. E eu acho que esse projeto é a primeira vez que eu não estou tendo que escolher – eu estou podendo ser todas as versões da Giulia ao mesmo tempo, de uma maneira que revela não só a minha ambição, mas a minha capacidade enquanto artista de criar algo único”.
“Cada música, cada composição, é uma história; seja minha ou uma história que eu peguei emprestada de alguém e escrevi. Eu sempre falo: ‘Não me conta a fofoca se você não quer que vire música’ [risos]. Eu tive uma reunião de cinco horas com o Afo Verde, que é o presidente da Sony Music Latin – e esse não é um cara que tem cinco horas para jogar fora. E ele falou: ‘Cara, todo domingo eu estou sentado na minha casa pra assistir ‘The White Lotus’. Todo domingo eu fico esperando o próximo episódio. E se a gente fizesse isso com você? Toda quinta-feira a gente lançasse uma música, uma sequência de episódios’. No primeiro mês ninguém vai entender nada, porque vai ser uma de cada idioma; mas, a partir do segundo mês, vai todo mundo começar a entender mais, porque vocês vão ver como os clipes se conectam”.
“E está sendo muito legal, assim. Foram três meses de preparação criativa, e a gente gravou vinte clipes em cinco dias. Então foi realmente uma loucura. A gente gravava, às vezes, quatro ou cinco clipes em um dia. E assim nasceram minhas filhas”!
“Foi algo que foi surgindo; até porque, se você for parar pra analisar, tem muita gente que nem faz mais clipe. Então, para você realmente criar 21 clipes, foi porque eu sabia que ia precisar de um apoio visual para que as pessoas realmente captassem e entendessem [a ideia]. Então, o projeto foi nascendo porque eu achava que era muito importante as pessoas conhecerem mais a fundo essas personagens. E eu estou muito feliz de ter uma gravadora – agora que eu assinei com a Sony lá fora – que realmente aposta muito nesse projeto. E era muito importante mesmo que as pessoas conseguissem compreender como cada uma dessas partes da minha personalidade se manifesta, não só nas composições, não só nas músicas, mas também porque eu tenho um lado meio atriz, né”.
“Então, cada música é um mundo diferente. A gente gravou numa tela que, na verdade, a única que tem desse tipo no Brasil, no estúdio da O2. É uma tela de LED que cria um realismo incrível, onde basicamente a gente gravava o ‘meu quarto’ em 3D. Aí botava a cama e gravava o clipe. Trocou o clipe, vai pro camarim, troca a beleza, troca o look, o fundo; e aí já voltava dentro de um restaurante, por mais que fosse o mesmo set. E foi muito legal criar esses vários mundos. Tem clipe até gravado em Tóquio – que, na verdade, foi lá em Osasco, mas parece que foi em Tóquio! Foi algo bem dinâmico”.
“Acho que todas as primeiras músicas dos lançamentos são músicas animadas, dançantes, músicas que são, assim, true pop. Ou que revelam, pelo menos, essa primeira parte, essa primeira camada das personalidades do projeto. Eventualmente, à medida que o álbum vai sendo lançado, essas camadas vão sendo reveladas aos poucos, e a gente vai enxergando vulnerabilidades em cada uma dessas três personagens. Mas eu queria começar com ‘fool for love’. Sobre a mensagem da música… a minha vida sempre foi uma sequência de ‘Não, esse é o amor da minha vida; não, agora esse, sim, é o amor da minha vida’. Conheci hoje, e já estava: ‘Não, é o amor da minha vida’. Pode ser que três dias depois já não fosse mais, mas ali, naquele momento, era. Eu sempre fui muito romântica, muito apaixonada, e acredito muito nisso. E a frase principal do refrão, que fala ‘the coolest thing you can be in this life is a fool for love’ – ‘a coisa mais cool que você pode ser nessa vida é uma louca por amor’, uma apaixonada, uma pessoa que se joga – é algo em que eu realmente acredito”.
“Eu acho que virou moda esse negócio de querer jogar joguinho, esconder os sentimentos, parecer fria; e, na verdade, isso é uma grande proteção que a gente cria, né? Pra se proteger de eventuais decepções amorosas, que têm acontecido mais frequentemente do que não. Mas eu não acredito nessa filosofia de vida. Minha filosofia é justamente essa: ser uma louca por amor, ser uma apaixonada, se jogar em cada relação que você tenha ao máximo, e espremer o suco daquele limão até que ele vire uma limonada”.
“Então, cada parte do álbum tem uma sonoridade que eu diria ser muito de acordo com o idioma que está sendo cantado. Ou seja, no inglês, no lado americano, a gente tem muita sonoridade disco, muita sonoridade até de hip hop; umas coisas bem true pop, assim. Claro que a gente tentou trazer um elemento ou outro que trouxesse uma brasilidade, mas eu não diria que é algo escancarado. E, em outra medida, no espanhol, a gente explora muitos ritmos latinos – ou seja, batidas de reggaeton, dancehall, instrumentos de dembow, que é algo que chama muito pra esse lado latino — e todas as músicas são cantadas em espanhol. Não todas as músicas, mas pelo menos os primeiros lançamentos acompanham esse raciocínio”.
“E, no lado português, eu diria que esse álbum me lembra muito o EP ‘solta’, no sentido de ser algo bem cantora e compositora, sabe? São histórias muito pessoais, muitas músicas que eu escrevi no violão, no piano e que eu fui, eventualmente, criando uma produção em cima. Tem uma música chamada ‘Delícia Proibida’ também, que eu produzi, e que tem um swing superlegal, superbrasileiro. E a gente tentou trazer, pra cada idioma, elementos que fizessem sentido com as sonoridades que são consumidas naqueles idiomas. Então, é muito legal, assim, porque talvez o projeto em si, quando você o escute separado, tenha muitos pontos e sonoridades diferentes. Mas, quando você entende que cada Giulia está trazendo a sua própria personalidade para as músicas, começa a fazer muito sentido o porquê de aquelas decisões terem sido tomadas”.
“Tudo muda! Não só o processo, parece que vira uma chavinha no meu cérebro e vem outra personalidade. Não que eu tenha um problema psicológico, graças a Deus, mas só em termos de, tipo, cada Giulia realmente traz uma parte diferente da minha personalidade para o protagonismo, sabe? E é muito legal porque o próprio idioma traz questões e diferenças. No espanhol, a gente não canta da mesma maneira que o português. No português, não se canta da mesma maneira que o inglês. E, até num quesito de vocabulário, o inglês é um idioma extremamente rico, porque às vezes, você tem dez palavras para descrever a mesma coisa. E, na contramão, no português, às vezes você tem uma palavra que descreve dez coisas. Foi muito engraçado ver esse jogo se manifestando à medida que eu ia fazendo as composições”.
“O espanhol é o meu terceiro idioma, então é o idioma com o qual eu conto muito com colaboradores. Eu sinto que a vibe no estúdio é sempre muito divertida, parece algo mais festivo. Já no português, às vezes é só eu e meu irmão na maioria das vezes, ou às vezes só eu no meu quarto – então tem uma coisa que é muito introspectiva, e me permite falar sobre tópicos que talvez eu ainda não tenha alcançado nesse nível no espanhol. E o inglês é o idioma que eu falo com o meu noivo, é o idioma que eu passo metade do meu dia falando, então ele também desperta certas partes de mim que, no português, não estão tão presentes quanto atualmente no inglês. É legal fazer essa dança das cadeiras, e acho que esse projeto nasceu dessa vontade de não ter que escolher mais qual versão eu vou apresentar, mas sim de poder ser todas, unificadamente”.
“Total, total. E o legal é que toda música tem uma história por trás. Tem muita coisa legal e de momentos muito diferentes da minha vida. Por exemplo, tem uma música chamada ‘No Problem’, que escrevi há nove anos atrás. Eu era uma pessoa completamente diferente, estava vivendo coisas completamente diferentes. Era outra realidade! E, também, tem músicas que eu escrevia três meses atrás, dessa Giulia atual, que está apaixonada, vivendo outras coisas, que está crescendo e tendo que virar adulta”.
“Então, eu sinto que cada álbum também passeia por tópicos. Por exemplo, no álbum em português, tem uma música chamada ‘Peter Pan’ e uma música chamada ‘Adulta’. E as duas músicas, de certa forma, são sobre o não querer crescer. ‘Peter Pan’ é sobre o não querer crescer; e ‘Adulta’ é sobre ter que crescer de qualquer jeito. E é engraçado, porque eu sinto que só estou passando por esses pensamentos em português, já que eu era a Giulia pequena, que cresci, que teve que me mudar de país. E a Giulia em inglês está vivendo outras coisas. É muito legal poder trazer isso criativamente dentro desse álbum, e revelar isso para os meus fãs e para a galera que vai acompanhar o projeto”.

“Total, total. Eu precisava honrar essas versões de mim, sabe? Tipo, claro que a gente ouviu 200 músicas pra chegar em 20. Mas, dessas 200 músicas, eu não podia escolher só as que eu fiz no ano passado. Claro que tem músicas que eu escrevi ano passado que eu acho incríveis, talvez até melhores. Mas eu falei: ‘Não, cara, eu preciso honrar aquela versão de mim que escreveu aquela música. Porque ela me fez caminhar e chegar até aqui'”.
“Como eu disse antes, eu acho que, na minha vida, eu sempre tive que escolher qual Giulia eu ia apresentar, e essa é a primeira vez que eu não estou tendo que escolher. Então, eu acho que me permiti revelar as minhas ambições sem medo, sabe? Acho que talvez, no passado, eu tentasse me diminuir pra caber num certo lugar, numa certa expectativa que as pessoas tinham sobre mim. Mas, nesse projeto, foi o momento que eu percebi que eu não ia acordar um dia e alguém ia me dar uma permissão pra falar: ‘Ok, agora vai, agora pode ser você mesma’. Não, eu tive que me dar essa permissão”.
“E eu estou muito feliz de ter chegado num lugar – até da minha própria autoconfiança – de falar: ‘Cara, quer saber? Eu estou cansada das pessoas me verem só como isso, ou me estereotiparem como aquele lugar’. Eu preciso revelar tudo que eu sou capaz enquanto artista, para que as pessoas tenham uma compreensão disso. Porque, se eu não tentar, eu vou passar o resto da minha vida me perguntando: ‘Caraca, por que eu não fiz isso? Por que eu não lancei? Por que eu não tentei?’ O que vai acontecer, só Deus sabe. Mas eu sei o que eu quero que aconteça, e a minha vontade é que as pessoas tenham uma percepção diferente de mim, mesmo como artista, depois de consumirem a obra como um todo”.
“Eu quero que elas… Primeiro, duas coisas: eu quero que elas se identifiquem com as histórias e se permitam chorar, rir, dançar e viver cada emoção que está dentro desse álbum. E a segunda coisa, num lugar mais externo, é basicamente isso – eu quero que as pessoas me conheçam por mim, que as pessoas tenham compreensão do que eu sou capaz, do que eu posso fazer. Que eu sou capaz de sentar ali naquele piano, escrever uma balada em inglês, e, aí, levantar e fazer um reggaeton no estúdio com fulano de tal; e, depois, caminhar pra escrever uma música no violão, super introspectiva, no português. Essas são todas as minhas verdades, e eu espero que as pessoas consigam reconhecer e valorizar cada parte delas”.
Quer acompanhar as principais novidades de música, cinema, streaming, premiações e cultura pop em tempo real? Siga nossos canais no Instagram e WhatsApp. Nos acompanhe, também, no X, Bluesky, no Instagram e no TikTok!






