Entrevista: Wolf Alice detalha o álbum “The Clearing”

Nesta sexta-feira (22), a banda inglesa Wolf Alice divulgou seu quarto álbum de estúdio, intitulado...

Vitória RoqueEntrevistasNotícias22 de agosto de 2025

Foto: Divulgação / Cred. Rachel Fleminger Hudson

Nesta sexta-feira (22), a banda inglesa Wolf Alice divulgou seu quarto álbum de estúdio, intitulado “The Clearing”! Com 11 novas faixas, o disco acompanha títulos como “Bloom Baby Bloom”, “The Sofa” e “White Horses”.

Sonoramente, o álbum é inspirado em discos de pop rock dos anos 60 e 70; e o projeto apresenta temáticas como a busca por uma constante evolução e a experiência de amadurecimento que chega após a fase dos 20 anos.

Em entrevista recente ao Tracklist, o baterista Joel Amey e o baixista Theo Ellis falaram em detalhes sobre o novo álbum do grupo o atual momento do quarteto de indie rock. Confira a conversa completa abaixo!

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Entrevista: Wolf Alice fala sobre o álbum “The Clearing” e mais

Nesta semana, vocês irão lançar o álbum “The Clearing”. Resumidamente, sobre o que é este álbum?

Joel: “Como eu resumiria isso? Certo… Acho que nem eu mesmo sei ainda qual é a melhor forma. Foi uma baita aventura fazer esse disco com o pessoal, mas, no fim das contas, é o momento de que mais me orgulho até agora com a banda. É o meu disco favorito do Wolf Alice. Acho que é corajoso, tem um frescor, parece novo. E eu estou completamente apaixonado por ele, me deixa empolgado com os caminhos que a gente ainda pode seguir como banda. Então, acho que esse trabalho vai acabar sendo muito importante para a gente, tanto como grupo quanto como músicos. E espero que todo mundo curta tanto quanto eu espero que curtam”.

E quais foram as principais inspirações para a criação desse disco? 

Theo: “Acho que esse disco tem muitas inspirações diferentes por trás. Acho que ele explora temas que se estendem por um longo período, e meio que fala sobre como é ver o tempo passar enquanto a gente está sempre se apresentando, longe de casa; mas também encontrando lares em diferentes lugares. E acho que isso acabou inspirando várias das ideias que a gente abordou. E, como grupo, acho que queríamos evitar repetir o que já tínhamos feito antes. Quando começamos a trabalhar no álbum, a intenção era focar de verdade no que estava sendo tocado – na instrumentação, nos arranjos… e não simplesmente jogar todas as ideias de uma vez, nem encher de sons e texturas. Queríamos saber exatamente o que cada parte estava fazendo, era como tentar pintar o retrato de uma banda. Queríamos que, quando a pessoa escutasse, desse pra imaginar o que estava acontecendo [na gravação]. Pode parecer meio bobo, parece algo que você faria no início. Mas a gente não fazia, então isso foi algo novo”.

“Então foi quase como dar uma volta completa e voltar ao básico, o que acabou sendo bem inspirador. Isso nos levou, de certa forma, a lembrar de composições dos anos 60 e 70, com aquelas músicas pop clássicas, onde não havia muito além de melodias e harmonias incríveis, feitas por bandas tocando instrumentos com os quais nos sentimos à vontade. Então, nos inspiramos um pouco nessa era; e também na cultura de bandas – esse espírito meio brincalhão de um grupo de amigos se juntando pra tocar. Vimos várias coisas que nos lembraram de como é divertido fazer isso: ser uma banda, estar juntos por um longo período, apenas criando músicas. Enfim… tem muitas inspirações diferentes”.

E como o processo de composição e produção de “The Clearing” se diferencia de álbuns anteriores, como “Blue Weekend”? Vocês sentiram alguma mudança ou evolução no processo criativo de vocês? Se sim, em qual sentido?

Joel: “É, com certeza. Acho que essa foi, provavelmente, a maior mudança que a gente já teve, pensando bem. No primeiro disco, você está só empolgado por estar fazendo um álbum. Quer ligar tudo, experimentar tudo, testar cada ideia. Aí no segundo, foi tipo: ‘Bom, o primeiro deu certo, então vamos mais fundo ainda’. E o nosso produtor, o Justin Meldal-Johnsen, ajudou muito nisso. Já no terceiro, pelo menos pra mim, foi o que eu senti mais pressão para tentar fazer algo realmente marcante. Eu tentava colocar mil camadas, achando que a música só seria boa se tivesse um monte de informação. E, você sabe, às vezes funcionava. Mas, agora, acho que estávamos mais confiantes na composição em si. E como o Theo falou, a gente voltou ao básico, e era tipo: se a música funciona só com voz e violão, então o resto é só a cereja do bolo”.

“Porque, se você não acerta essa base, quando você volta para escutar, percebe que aquilo não é tão empolgante. E aí você começa a compensar com mil sintetizadores, bateria, backing vocals, efeitos, muda o ritmo da música… por aí vai. Dessa vez, não foi assim. A gente quis mesmo focar completamente na composição, na essência da música. E quando entramos no estúdio com o Greg Kurstin, que foi o produtor, ele foi tipo… como um canal para nossas ideias e ambições sonoras. Ele ajudou a levar as músicas até onde a gente queria, e ao mesmo tempo soube segurar e expandir quando precisava. Foi uma experiência totalmente nova. E então, quando eu comparo com o ‘Blue Weekend’, parece algo completamente diferente. Com certeza é”.

O single “Bloom Baby Bloom” foi a primeira música divulgada do álbum. Como ela se conecta com o restante do disco? Há algo em particular que a torna um bom primeiro single para este álbum?

Theo: “O tipo de coisa que nos faz escolher um lead é a música ser muito voltada para performance. Tivemos bastante discussões em torno disso enquanto a gente escrevia; ou talvez até depois que ela já estava escrita, na verdade. Conversávamos sobre performance, sobre groove, sobre dançar, e sobre brincar um pouco com os clichês do rock n’ roll, o que eu achei muito legal. Tem esse lado meio irônico e brincalhão, que me agrada bastante. Acho que [a música] pode soar meio fora da curva dentro do contexto do resto do álbum, porque ela traz uma vibe diferente. Sinto um quê de ‘Blue Weekend’ nela quando eu a escuto. Mas, ao mesmo tempo, acho que ela funciona como uma ponte entre aquela era e essa nova.

Ficar falando de si mesmo em ‘fases’ ou ‘eras’ é meio idiota, mas eu curto isso. Na real, tudo isso é porque, no fundo, eu quero ser tipo a Taylor Swift [risos] E, assim… a gente sempre pensa em como quem as pessoas que nos acompanham desde o começo vão perceber essas mudanças, sabe? Porque a gente deve muito a essas pessoas. Então é importante pensar em como essa faixa pode servir de transição para esse novo momento. E também acho que o groove central dessa música – como o jeito como a bateria funciona, como ela se encaixa com o baixo e o piano, como isso gera uma certa síncope entre eles – dá uma vontade natural de dançar. É legal abrir com algo assim”.

Queria destacar, também, a faixa “White Horses”, que traz vocais de Joel Amey. Então, Joel, poderia explicar um pouco da história desta faixa e qual é a importância dela para você, pessoalmente?

Joel: “Bom, partes dessa música vieram de uma demo que eu gravei em casa, aqui mesmo, onde estou agora. Eu tinha letras que falavam sobre a minha família, sobre a história da minha família, e também sobre mim e minha irmã e como a gente enxerga o lugar de onde a gente vem, como a gente percebe nossas origens. Esses temas estavam ali, nos versos. Eu também moro perto do mar, pesco com meu amigo Nick, a gente tem um barco. E, eu não falei muito disso, na real, mas lembro de uma frase que um pescador, que é dono do lugar onde pescamos, falava: ‘Se você ver cavalos brancos, é hora de voltar pra casa’. Isso basicamente significa que, quando as ondas ficam muito agitadas, elas ganham aquelas espumas brancas – e os pescadores chamam isso de ‘cavalos brancos’. Então, é tipo: ‘Ferrou, o mar vai ficar bravo, é hora de voltar para casa’. E essa imagem ficou na minha cabeça para o refrão”.

“E a música é sobre família; mas também sobre a família que eu escolhi, que são as pessoas que me cercam há tantos anos. Eu nunca tinha parado pra pensar seriamente nessa pergunta: ‘De onde eu venho?” Mas aí, algumas coisas aconteceram na minha vida, e eu acabei descobrindo de onde eu realmente vim, o que foi algo muito empolgante. Isso meio que abriu um novo mundo pra mim. Eu descobri isso já nos meus 30 anos, e mudou completamente a visão que eu tinha nos meus 20 e poucos anos, quando pensava: ‘Tanto faz, o que importa sou eu e meus amigos’. Mas, de repente, eu comecei a aceitar esse sentimento, essa empolgação silenciosa de conhecer minha história, minha linhagem – seja qual for a expressão certa para isso. E eu joguei tudo isso dentro da música. Mostrei pros outros, e eles levaram adiante. Foi um processo super colaborativo. Cada um escreveu partes dessa canção. E, sim, essas letras significam muito pra mim. E poder tocar essa música com meus melhores amigos – por mais piegas que soe – também significa muito, de verdade”.

A identidade da banda é muito forte e única. Como vocês sentem que a personalidade da banda se formou ao longo do tempo – quero dizer, o que vocês acham que faz a Wolf Alice ser “a Wolf Alice”, mesmo com as mudanças de sonoridade e visuais ao longo do tempo?

Theo: “Acho que [o fato] de sermos sempre nós quatro, para ser justo”.

Joel: “É, sempre fomos nós quatro”.

Theo: “A gente conseguiu chegar até aqui como um quarteto; e, sinceramente, eu não faço ideia de como isso aconteceu, mas isso ajuda bastante. Sei lá.  Acho que a gente tem algo meio não-dito, sabe o que quero dizer? Tipo um feitiço… não, não um feitiço. Pensando bem, é quase como uma maldição. Não, brincadeira. [risos] Acho que a gente tem mesmo uma certa química silenciosa entre nós, que fica evidente quando estamos juntos num lugar onde nos sentimos à vontade – que é fazendo música. Aí a gente relaxa, e a coisa do Wolf Alice começa a acontecer entre nós quatro; quando estamos montando um show ao vivo, tocando juntos, ou quando estamos pensando em uma ideia no estúdio, com todo mundo tocando, segurando seus instrumentos ou perto o suficiente para começar a trocar ideia”.

“E eu não sei explicar direito o que é. Porque se eu soubesse, provavelmente aplicaria em tudo o que a gente faz e seríamos mais bem-sucedidos do que somos. Mas é isso… acho que a gente está sempre tentando entender como fazer com que aquilo que estamos criando seja genuinamente nosso, naquele momento específico. Essa é uma resposta meio enrolada, mas é isso. Não dá para definir exatamente o que é”.

Joel: “Não, eu entendi. Não dá mesmo para definir. Mas sinto que – entrando no que o Theo falou –  as pessoas que nos conhecem bem, tipo nossas famílias, esposas, parceiros… sabem que vai chegar uma hora em que não dá pra entrar no meio dos quatro. A gente entra num estado meio próprio, onde ficamos muito conectados. É tipo uma telepatia de banda meio esquisita. Talvez seja só o resultado de estarmos juntos há tanto tempo. Mas, sendo meio hippie, acho que é destino – e eu adoro isso”.

Para finalizar: além do disco, vocês estão preparando uma nova temporada para os palcos? E, é claro, preciso perguntar isso: quando planejam vir ao Brasil?

Theo: “Nossos planos de turnê incluem shows pelos Estados Unidos, Europa e Reino Unido até dezembro. Mas esse é um apelo público oficial para qualquer produtor no Brasil: por favor, entrem em contato com nosso empresário ou com nossa gravadora – e eu sei que tem gente da gravadora ouvindo isso agora. A gente quer muito ir ao Brasil, estamos doidos para fazer isso acontecer. Honestamente, eu diria que está no topo da nossa lista de prioridades para 2026. Conhecemos tantas pessoas incríveis – não pessoalmente, mas online, em entrevistas, que demonstraram tanto carinho e um entusiasmo genuíno pela nossa banda. É um lugar onde nunca estivemos, então seria um privilégio poder ir.  Se alguém tiver um lugar para a gente tocar, vamos dar um jeito de fazer isso acontecer. Não posso dizer uma data ou local específico agora, mas queremos ir, e acho que precisa acontecer em 2026”.


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