Entrevista: Lagum compartilha memórias e processo criativo de novo álbum

Por Lidiane Nóbrega - A banda Lagum lançou, no final de maio, o álbum “As...

Foto: Breno Galtier/Divulgação

Por Lidiane Nóbrega – A banda Lagum lançou, no final de maio, o álbum “As Cores, As Curvas e As Dores do Mundo”. Esse é o quinto disco de estúdio do grupo formado por Pedro Calais (voz), Zani (guitarra), Jorge (guitarra) e Chicão (baixo), que mesclou rock, reggae e pop em 10 faixas que abordam temas como relacionamento à distância, amor, desejos e o sentimento de falta.

O material foi gravado no estúdio da banda em Belo Horizonte e produzido em parceria com o produtor musical Paul Ralphes, ganhador do Grammy Latino. Segundo os mineiros, um dos destaques desse novo álbum foi a forma como o Lagum encontrou autenticidade e liberdade em seu processo criativo, culminando em uma experiência sensorial para os fãs.

Em entrevista ao Tracklist, os membros do Lagum comentam os bastidores do novo álbum, revelam os próximos passos e relembram a aproximação com os fãs ao longo da jornada. Confira!

Entrevista com Lagum: novo álbum, interação com fãs e mais

Tracklist: Com 10 faixas que mesclam rock, reggae e pop, “As Cores, As Curvas e as Dores do Mundo” é descrito como uma ode às singelas situações e aos momentos leves do dia a dia. Como nasceu esse conceito e como as curvas do Edifício Niemeyer, um ícone de Belo Horizonte, ajudam a representar todas as ideias na capa do disco?
Chicão: Diferente do “Depois do Fim”, esse é um álbum que a gente criou em um ambiente bem urbano. Todos moramos em Belo Horizonte e gravamos as faixas em nosso próprio estúdio, no bairro de Santa Tereza, que é um bairro por si só muito cultural e boêmio. Daqui saíram Clube da Esquina, Sepultura e vários outros artistas que admiramos. Essa atmosfera de perceber a cidade foi sendo criada à medida que fomos compondo, gravando. E nada mais icônico que as curvas do Edifício Niemeyer para ilustrar a capa e colocar em imagem um pouco da nossa intenção.

Gravado na Ilhota e produzido por vocês em parceria com Paul Ralphes, o álbum é descrito como um convite a um mergulho profundo na literalidade da vida real. Qual é a memória mais marcante no processo criativo deste trabalho? Qual foi a primeira e a última faixa a ser finalizada?
Pedro – Meu dia mais marcante no estúdio foi o dia em que chegaram os equipamentos. A gente comprou todos os microfones, caixas, cabos, pedestais. Chegou tudo de uma vez e a gente passou uma tarde inteira tirando das caixas, montando no estúdio e trabalhando em grupo. Era um monte de caixa de papelão, caixa de isopor, plástico bolha. Parecia uma feira de ciências da escola, só que nossa. Aos poucos a gente foi se dando conta de que dali em diante a gente teria o nosso próprio estúdio para fazer os nossos projetos com o tempo e o carinho que a gente sempre sonhou. É uma memória que dá início a tudo que se sucede.

A primeira música do álbum que a gente gravou ali foi “As Desvantagens de Amar Alguém Que Mora Longe”. Mas a primeira que a gente gravou no estúdio foi “Curva da Ladeira”, que não entrou no disco. E a última foi “A Cidade”, porque foi uma música que a gente queria ter muito carinho ali com ela, a gente já sonhava que ela pudesse vir a ser um single e de fato até agora ela está se mostrando a com mais engajamento dos fãs.

O novo trabalho apresenta uma Lagum em sua versão “mais autêntica e livre”. Qual é o principal diferencial dele pros outros discos?
Zani – O principal diferencial foi gravar em nosso próprio estúdio. Experimentamos um processo que a gente nunca tinha vivido, que foi de fazer um álbum em um espaço nosso, onde podíamos nos reunir quando quisermos, não só como banda, mas como amigos. Isso nos deu uma flexibilidade e liberdade muito grande. Uma sensação de estar em casa que nos trouxe um equilíbrio muito importante também. E certamente teve impacto no resultado final.

Vocês descreveram a participação da Céu em “Tô de Olho” como “orgânica”. Como surgiu essa colaboração e o que ela trouxe de especial para o álbum?
Pedro – Nós não conhecíamos a Céu pessoalmente, mas já a admirávamos bastante. Então o contato foi na cara e na coragem mesmo. E para nossa alegria, ela topou participar. Originalmente essa música era um drum and bass, mas foi virando um uma espécie de dub brazuca com violão de nylon, o que fez Zanin pensar na sonoridade da Céu. Gravamos a distância e mesmo assim fluiu demais. Muito especial tê-la conosco neste trabalho.

Rolou uma ação para os fãs encontrarem 10 fitas espalhadas em 10 cidades do país. Como foi acompanhar os fãs nessa dinâmica, considerando também a dificuldade de achar um aparelho para ouvir o material?
Jorge – A galera ficou muito engajada para achar as fitas e correu muito atrás também para conseguir um aparelho para ouvir (risos). Em Belo Horizonte, por exemplo, foi uma turma que achou, e eles foram ao Museu da Imagem e do Som para ouvirem juntas num aparelho analógico. Em um mundo tão digitalizado, ficamos surpreendidos com o empenho e a vontade que despertou no público.

Com show já marcado no Espaço Unimed em agosto, os fãs podem esperar uma turnê que passe por todas as regiões do Brasil? E para completar a jornada sonora, os próximos planos da banda também incluem o lançamento de videoclipes?
Jorge – Sim, com certeza! Nossos planos são viajar por todo o Brasil levando nosso show, e também outros países da Europa, onde já fomos outras vezes. Queremos fazer algo grandioso, uma turnê ainda maior que a última, tanto no número de shows, quanto no formato do espetáculo em termos de conteúdo de vídeo, luz

Já gravamos um projeto audiovisual do álbum que foram os visualizers e podem ser vistos no Youtube e aos poucos vamos soltando novos vídeos de cada faixa em nossas redes sociais que gravamos em Belo Horizonte.

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