12 de julho de 2016 por Luciana Lino.

Se a fama não subiu à cabeça de alguma pessoa, certamente poderíamos citar o dinamarquês Lukas Graham, vocalista da banda que leva o seu próprio nome. Intérprete da famosa canção “7 Years”, uma das mais tocadas nos charts desse primeiro semestre de 2016, ele se mantém fincado às suas raízes com letras autobiográficas e caprichando na simpatia e humildade.

Em entrevista ao Tracklist, Lukas falou bastante sobre a sua vida. Nascido e criado em uma comunidade chamada Christiania, em Copenhaga, na Dinamarca, ele se lembra da forma precária que viveu em sua infância e adolescência, em um local sem iluminação pública, polícia e carros. Para sair daquele ambiente, aos 20 anos, foi morar em Buenos Aires, na Argentina. Mas por que justamente lá?

“Eu comecei a cantar aos 8 anos, e aos 12, visitei a América do Sul junto com um coral infantil. Passei pelo Brasil e pela Argentina, e amei esses dois países”. Oito anos depois, Lukas retornou para o hemisfério sul e diz que essa passagem mudou a sua vida: “Foi neste tempo morando na Argentina que comecei a escrever músicas. Pouco tempo depois, em 2010, quis montar uma banda… E acabei fazendo o que amo”.

Lukas_Graham

Suas composições são um reflexo do que foi a sua vida. Uma de suas músicas mais conhecidas, “Mama Said”, é um retrato fiel de sua história. “’Mama Said’ é uma música totalmente autobiográfica. É sobre a minha vida em Christiania”, diz Lukas, que, mesmo com as difíceis situações vividas, passa a ideia de otimismo. Em um dos trechos, ele diz: “Nosso tipo de pessoa tinha uma cama para (passar) a noite / E estava tudo bem”, e, em outro, afirma: “Eu sei de onde eu vim / Eu conheço meu lar”.

Retornando à Dinamarca, a banda Lukas Graham começou a gravar vídeos em casa, como das músicas “Drunk in the Morning” e “Criminal Mind”. As músicas foram compartilhadas no Facebook, rapidamente fizeram sucesso e chamou a atenção da gravadora Copenhagen Records. Em 2012, eles lançaram o seu primeiro álbum, autointitulado. Mas foi com o segundo álbum, também chamado de “Lukas Graham”, em 2015, que a fama veio. E como o então rapaz de 27 anos reagiu ao ver “7 Years” no topo das paradas? “Foi uma maluquice! (Risos) É muito difícil de descrever a sensação. ‘7 Years’ é uma música muito especial e quis provar isso para o mundo. Sabia que seria algo difícil, mas consegui”.

Em relação aos seus dois discos, Lukas afirma que houve uma grande evolução de um para o outro. “O segundo álbum é mais maduro. O primeiro não teve sucesso, experiência, nem muito dinheiro injetado. Já o segundo tinha mais experiência, produtores, dinheiro… Tudo isso contribuiu para um maior crescimento”, afirma.

Perguntado sobre a sua relação com os fãs, ele respondeu prontamente: “Não os considero como fãs”. Mas explica o motivo: “Não gosto dessa cultura do fã, do fanatismo. Acho que têm pessoas que gostam das minhas músicas, assim como tem gente que não gosta”.

Claro que Lukas não fugiu da pergunta clichê sobre voltar ao Brasil, e se demonstrou entusiasmado. “Quero muito voltar ao Brasil! Amo a cultura, a comida, as pessoas daí. Até já dancei forró! (Risos)”.

Durante todo o tempo, Lukas demonstrou serenidade e mostrou que prega o otimismo escrito em suas músicas. Diante das dificuldades já enfrentadas, o dinamarquês diz que aprendeu a dar mais valor à vida. “Sou muito grato à minha família e aos meus amigos. Acho que é muito importante compartilhar a vida com todos”. A fama o trouxe algumas coisas negativas, mas isso não parece o abalar: “Às vezes, a imprensa diz coisas ruins, coisas cruéis. Mas as pessoas sabem quem eu sou”.

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