27 de março de 2016 por Charlles Correa.

Season Two do Nicho ao Lixo começando muito bem! Sabem com o que?
As melhores surpresas do ano de 2016.

Telluric, é o primeiro álbum de estúdio de Matt Corby, cantor e compositor australiano, nascido em 1990 que se tornou um dos 26 cantores masculinos a lançarem um disco em primeiro lugar em todas as paradas australianas, com o disco que vamos apresentar para vocês hoje.

Lançamentos anteriores do compositor, podem ser úteis para que vocês entendam que o que estamos prestes a mostrar a vocês, é a conclusão óbvia de um caminho fadado ao sucesso, já que desde os 16 anos, Corby vem deixando sua marca entre os grandes de seu país, como vice-campeão do “Australian Idol”.

 

 

O disco começa ditando o todo o clima com “Belly Side Up”, Corby já deixa claro que o perfil do disco foge das convenções e das estruturas propostas por todos os seus lançamentos até então, de forma a manter o clima esotérico e calmo de seu último lançamento “Resolution EP, 2013”, que lhe concedeu alguns troféus, como o prêmio de melhor música do ano pela ARIA Awards e figurou entre os 50 melhores músicos australianos em 2013.

A segunda música do álbum é a mais antiga, por ordem cronológica de lançamento, e definitamente a mais complexa, devido aos longos e exaustivos processos de segmentação de voz para que Corby conseguise cantar todas as vozes da música, todos aqueles “ooh, uuh” ao fundo são  feitos por ele em vários tons, sendo complementados com uma percurssão simples e usada apenas como marcação de compasso. Tudo contribui pra que o som permaneça no mesmo seguimento da primeira, deixando uma sensação constante de que o disco vai decolar a qualquer troca de faixa.

 

Em Knife Edge, a virada do disco começa com o primeiro Single promocional do álbum, lançado há poucos meses e aqui temos a presença de um arranjo composto por 3 camadas: A mais clara que se sobressai, é composta por um Jazz marcado pela contração do tempo, a beteria domina a música aqui, concede um dinamismo fiel e complementa a segunda camada que é a presença dos sintetizadores dando à música, um clima calmo, mesmo que a percussão e a voz marque a música com certa agressividade, A terceira camada vem com a voz de Corby e a música ganha estabilidade.

Nas duas faixas seguintes, “Oh Oh Oh” e “Wrong Man” há uma dualidade de estilos que beira a agressividade (O que é ótimo), sem excessos. Os instrumentos estão complementando um arranjo central e a música ganha espaço para ter significado. Não chega a ser um Jazz cheio de sons congruentes e em nenhum momento se torna o folk fluído característico de seus primeiros lançamentos.

 

Aqui, Matt Corby mostra que tem o disco na mão completamente. “Sooth Lady Wine”, chega com uma bateria presente e delicadamente sutil, sem excessos e impecável. Os sintetizadores conversam com as guitarras e o baixo casa perfeitamente com a bateria, há muito espaço para isso aqui. O que provavelmente faz de “Sooth Lady Wine” a melhor música do disco, absurdamente bem produzida. Destaque para a flauta transversal da cantora e tecladista Bree Tranter, que é a cereja do bolo da música.

As três faixas seguintes, “Do you no Harm”, “We Could Be Friends” e “Why Dream”, marcam o que Corby quis dizer, ao se referir  letras das músicas do disco como “músicas para corações partidos”, exceto pelo fato de que a veia Jazz de Matt veio pulsando com o disco e apenas em “Why Dream” temos um descanso que pode ser considerado um certo interlúdio, que lembra o arranjo de “Knife Edge” e vai preparando o ouvinte para as duas últimas faixas do álbum.

Conforme o disco vai chegando ao fim, a influência de Jeff Buckley nas composições de Matt vão ficando cada vez mais evidentes, ao ponto em que “Good to Be Alone” é quase um óde ao álbum “Grace”, de Buckley. E prova, mais uma vez, que tem o disco na mão e cada escolhe feita durante a produção valeu a pena.

“Empires Attraction” encerra o disco no mesmo tom de início, talvez a música mais pobre do disco que poderia ter ficado entre a terceira e quarta faixa. De qualquer forma, a faixa dá unidade ao conjunto e potencializa o que pode-se dizer como o álbum mais inventido de um artista que em algum momento já pensou ter dado tudo o que poderia ter dado.

Telluric é, sem dúvida, a prova de que um artista pode ter o ouvinte nas mãos e que as escolhas que formam um disco vão além de como as músicas são gravadas. A masterização do disco melhorou muito desde os seus dois últimos lançamentos (“Resolution” e “Into the Flame”), a produção é madura e o clima é um só. Não se pode dizer que o disco funciona melhor em conjunto. A qualidade das músicas varia bastante, não é ruim! Já que as músicas variam entre ótimas e excelentes, mas ainda assim, o valor de algumas músicas separadas, pode levar o ouvinte a encontrar dificuldade em querer escutar uma ou outra faixa.

Matt Corby é um artista que vem se destacando com uma trajetória surpreendente. Lentamente, vem se encontrando dentro de um mercado pouco amigável, que é mercado da música australiana em comparação ao mercado global. E que não deixa sua postura e as coisas nas quais acredita de lado para ser comprado nestes mesmos mercados que usam fórmulas musicais para todos os lançamentos. Vale a pena escutar, são 45 minutos divididos em 11 músicas que vão fazer você se apaixonar pelo estilo desse surfista australiano que domina a voz de uma forma que poucos conseguiriam imitar.

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