O cantor se apresenta no dia 8 de fevereiro no intervalo da final da NFL

O nome de Bad Bunny passou a fazer parte do noticiário nos grandes veículos do Brasil e do mundo afora. Além de seu sucesso estrondoso, que o consagrou como o artista mais ouvido do planeta segundo o Spotify, o cantor porto-riquenho, conhecido por letras ácidas que transitam entre amores, festas, protestos e a exaltação da cultura latina, foi o escolhido para se apresentar no show do intervalo da final da NFL, o Super Bowl, um dos maiores eventos da cultura pop mundial.
A apresentação acontece no dia 8 de fevereiro, pouco mais de um ano após o lançamento de seu último álbum de estúdio, “DeBÍ TiRAR MáS FOToS”. Lançado em 5 de janeiro de 2025, o projeto, que inicialmente era uma carta de amor de Benito à sua terra natal, tornou-se uma ponte de ligação e conexão entre diferentes países da América Latina, além de criar conexões com o Oriente Médio e a Ásia.
O show de Bad Bunny no principal evento de audiência da TV mundial é motivo de tensão. Ele será o primeiro artista latino solo a cantar majoritariamente em espanhol no Super Bowl. Isso causou desconforto em setores conservadores dos Estados Unidos, mas também se tornou motivo de orgulho para a comunidade latino-americana.
Esse cenário se soma à crise política que colocou comunidades latinas e migrantes em estado de alerta. A performance de uma — ou mais — das músicas de protesto de Benito pode ter um impacto significativo.
Duas canções das 17 faixas de “DeBÍ TiRAR MáS FOToS” fazem críticas diretas e explícitas ao histórico político do governo norte-americano. Um exemplo é “LO QUE LO PASÓ A HAWAii”, na qual o cantor expressa seu medo de que Porto Rico perca sua identidade, seja “americanizado” e tenha sua cultura apagada, assim como ocorreu com a ilha vizinha.
“Querem tirar de mim o rio e também a praia / Querem o meu bairro e que a vovozinha vá embora / Não, não solte a bandeira nem esqueça o lelolai / Não quero que façam contigo o que aconteceu com o Havaí”, canta Benito na faixa.
Já em “LA MuDANZA”, ele fala sobre defender a bandeira porto-riquenha e as consequências que seus antepassados sofreram por isso.
“Aqui mataram gente por levantar a bandeira / Por isso agora eu a levo comigo aonde eu for, caralho, qual foi? / Tá perigoso / Se eu morrer amanhã, espero que nunca esqueçam o meu rosto”, pontua.
Os versos, por si só, já são fortes, mas Benito conhece bem o potencial visual de uma apresentação. Em maio de 2025, durante sua participação no Saturday Night Live, ele cantou o hit “NUEVAYoL”reproduzindo uma famosa fotografia dos anos 1930 que mostra 11 metalúrgicos almoçando sobre uma viga de aço no alto de Manhattan, durante a construção do número 30 da Rockefeller Plaza, local onde o programa é sediado atualmente.
Já em 2020, Bad Bunny fez um protesto durante sua participação no The Tonight Show, programa apresentado por Jimmy Fallon. Ao cantar a música “Ignorantes”, feat. Sech, Benito usava uma saia e uma camisa que, traduzida do espanhol, dizia: “Mataram Alexa, não um homem de saia”.
A frase faz referência ao assassinato de Alexa Negrón Luciano, uma mulher trans em situação de rua que foi morta a tiros em Porto Rico. Na época, ela foi erroneamente retratada como “um homem que usava saia”.
Essas são apenas algumas das muitas formas que o “coelhão” encontra para potencializar sua arte como instrumento de protesto. Esses elementos, somados à atual tensão internacional envolvendo a América Latina, como a invasão à Venezuela e ameaças a países como México e Colômbia, criam o cenário ideal para um show do intervalo histórico na NFL. Inclusive, o evento pode contar com participações de nomes importantes da música e da cultura latino-americana.
Bad Bunny se apresenta no dia 8 de fevereiro no Levi’s Stadium, estádio do San Francisco 49ers, em Santa Clara, na Califórnia.Esta não será a primeira vez de Benito no Super Bowl: em 2020, ele e J Balvin participaram da performance de Shakira e Jennifer Lopez.
Poucos dias após fazer história no Super Bowl, Bad Bunny vem pela primeira vez ao Brasil. Ele se apresenta nos dias 20 e 21, no Allianz Parque, em São Paulo, com a “Debí Tirar Más Fotos World Tour”.






