Recentemente, chegou à Netflix “Selena y Los Dinos: Legado de Familia”, o documentário em que...

Recentemente, chegou à Netflix “Selena y Los Dinos: Legado de Familia”, o documentário em que a família de Selena Quintanilla (1971-1995) e seus colegas de banda decidiram contar sua história e revelar como foi conviver ao lado de um das maiores estrelas da música latina.
Dirigido pela mexicana Isabel Castro, a produção audiovisual mostra, por meio de entrevistas exclusivas, fotos e vídeos de arquivo pessoal, o nascimento do fenômeno que seria Selena Quintanilla ao lado da banda Los Dinos, formada por A.B. Quintanilla III, Suzette Quintanilla, Chris Pérez, Ricky Vela e Pete Astudillo.

“Eles decidiram, após quase 30 anos, que estavam finalmente prontos para compartilhar seu arquivo pessoal com o mundo e falar sobre suas vidas”, disse Isabel em entrevista ao Tracklist. Por meio dos arquivos e dos relatos de familiares e amigos, pudemos conhecer outra Selena — tímida e brincalhona, mas que se transformava diante das câmeras ou com um microfone na mão.
Selena Quintanilla foi uma das principais cantoras da música latina. Mesmo morrendo aos 23 anos, ela se tornou um ícone e sua história de superação segue encantando novas gerações. A produção da Netflix mostra, por meio de fotos antigas e vídeos caseiros, o caminho desde quando começaram a cantar no restaurante tex-mex da família, em Lake Jackson, nos Estados Unidos, até o topo dos charts globais.
“Ela se tornou um símbolo da mobilidade ascendente, do que é possível quando você trabalha muito. Selena estava tão à frente do seu tempo. Era uma combinação de diferentes gêneros que se tornou uma parte muito grande da cultura latina, com a qual todos nós podemos nos conectar. Ela e sua música vão viver por muito tempo”, ressalta a diretora.
“Amor Prohibido”, “Como La Flor” e “Baila Esta Cumbia” são alguns dos seus principais sucessos. Ganhadora de dois Grammys e dona de recordes nos charts da Billboard Global, a diva latina segue vendendo milhares de cópias com seus álbuns.
Além de suas raízes latinas, o empoderamento feminino era uma das bandeiras que Selena Quintanilla levantava. Mesmo sendo espelho e fonte de coragem para seus admiradores, ela era apenas uma jovem mulher crescendo sob os holofotes e que também tinha suas inseguranças. “Selena era maior do que ela pensava”, contou Suzette durante entrevista ao documentário.
Ela lutava para se encaixar e ser aceita, pois não era considerada nem norte-americana nem mexicana, apesar de seus pais serem mexicanos e ela ter nascido nos Estados Unidos. Lidar com essa dualidade fazia parte do seu dia a dia. “As pessoas imaginam ela como essa mulher forte, mas ela tinha um lado vulnerável”, disse seu colega de banda e marido, Chris Pérez.
Um de seus maiores medos, inclusive, era ficar longe de sua família, devido aos novos rumos que sua carreira tomaria com o lançamento do disco em inglês, lançado postumamente, “Dreaming of You”, em 1995.
Selena morreu após ser baleada pela presidente de seu fã-clube, Yolanda Saldívar, em 1995 – e a primeira vez que a mãe da artista, Marcela Quintanilla, falou publicamente sobre a morte de sua filha foi em “Selena y Los Dinos: Legado de Familia”. Segundo Isabel Castro, um dos principais desejos de Suzette, irmã de Selena e produtora do documentário, era mostrar que eles ainda lidam diariamente com a perda da cantora, que, mais que uma estrela da música, era parte de sua família.
Diferente de produções anteriores que contavam sua história, o documentário mostrou parte da infância e adoslescência da cantora, além de momentos ineditos. Quando não estava no palco, adorava usar um moletom bem confortavel, nada de maquiagem e o cabelo em coque. Apesar de ficar quase 24 horas com sua familia, que eram sua banda e equipe, no seu tempo livre ela preferia ficar em casa e descansar com eles, que eram seu alicerce.
A produção do documentário “Selena y Los Dinos: Legado de Familia” durou três anos, tendo início em 2020. A família segue morando em Corpus Christi, no Texas; é lá que fica o chamado “cofre” de Selena Quintanilla, onde seus familiares guardam suas memórias e itens pessoais. O local é uma sala mediana, com prateleiras que vão do chão ao teto, contendo “centenas ou milhares” de fitas VHS, DVDs e pen drives que precisavam ser revisados e catalogados.
“Não eram somente os arquivos de uma estrela da música, mas fotos e vídeos pessoais de uma família”, pontuou a diretora Isabel Castro. Na hora de identificar e digitalizar os materiais, além de Suzette Quintanilla, Ricky Vela, dos Los Dinos, foi peça essencial no processo.
Durante a produção do documentário, e devido ao nível de detalhe que os Quintanilla compartilharam com a diretora, ela acabou ficando muito próxima da família. Sempre que possível, almoçava com eles e tornou-se amiga pessoal de Suzette. Tanto que as entrevistas que aparecem no documentário foram muito íntimas.
“Gravar as entrevistas foi uma experiência realmente especial, nós já estávamos trabalhando há mais de dois anos, então já havíamos construído um certo grau de confiança.” Segundo Isabel, as conversas duraram, em média, entre quatro e seis horas, com pequenas pausas.
Outro ponto importante e especial para a diretora, além de ser uma mulher latina e mexicana, é o fato de ser fã de Selena e sempre ter tido a diva como inspiração para além da música. “Cresci com Selena representando a capacidade de ocupar duas culturas diferentes. Como uma mexicana criada nos Estados Unidos, sempre me senti insegura sobre me encaixar em um grupo ou no outro”, conta ela.
“Selena me ensinou a habitar uma terceira cultura, que é uma combinação desses dois mundos. Ela tem estado comigo ao longo da minha vida como alguém a quem sempre volto quando me sinto insegura sobre parte da minha identidade”, concluiu.

Até hoje, nenhuma artista conseguiu ocupar seu espaço na música latina e seu legado segue inspirando artistas de gerações futuras.
Um exemplo é Karol G. Em seu documentário “Mañana Fue Bonito”, também produzido pela Netflix, a colombiana contou que decidiu se dedicar à música após assistir ao filme “Selena” (1997), estrelado por Jennifer Lopez. Inclusive, a Bichota tem o rosto de sua diva tatuado no braço. Durante sua passagem pelo Texas, terra natal de Selena, com a turnê “Mañana Será Bonito”, ela fez uma homenagem ao cantar, emocionada, o hit “Como La Flor”.
A eterna Alex Russo, Selena Gomez, que possui ascendência mexicana, teve seu nome de batismo inspirado na cantora e já mencionou, em diversas ocasiões, sua admiração pela xará.
Quem também demonstrou publicamente carinho pela Rainha da música tejana foi Beyoncé, que revelou tê-la encontrado em um shopping quando jovem. O episódio, inclusive, foi retratado na série documental “Selena: A Série” (2020).
A artista também inspirou artistas brasileiras. “Fiquei obcecada pela Selena [Quintanilla]. A história e o trabalho dela são perfeitos, sem dúvidas é uma diva”, contou a cantora paraense Zaynara em entrevista à Billboard Brasil.
O movimento perpetuado por Selena tem nuances muito parecidas com o que vivemos com Marília Mendonça (1995–2021).
Aliás, Selena Quintanilla e a Rainha da Sofrência têm muito em comum.






