Em seu primeiro disco em oito anos, o rapper explora diferentes estilos e flows entre muitos altos e baixos

No hip-hop, oito anos fora de cena podem ser uma eternidade. São poucos os artistas que se dão ao luxo de passarem tanto tempo longe dos holofotes, principalmente em tempos onde tudo leva tão pouco tempo para soar ultrapassado. Foi esse o tempo que A$AP Rocky levou para lançar seu novo álbum de estúdio, “Don’t Be Dumb”, que finalmente chegou ao público nesta sexta-feira (16).
Tamanha foi a espera que o próprio lançamento era uma incógnita. Foram vários os adiamentos que o projeto sofreu nos últimos anos, deixando os fãs com muitas dúvidas sobre quando ouviriam o disco, e o que poderiam esperar de sua sonoridade. Afinal, com exceção de alguns singles esporádicos, o artista esteve distante da música nesse meio-tempo, dedicado à moda, ao cinema e ao casamento.
“Don’t Be Dumb”, no entanto, soa como algo que certamente poderíamos esperar de Rocky, mas de uma forma diferente. O álbum soa moderno e dinâmico ao explorar muitos estilos, batidas e flows, uma combinação que varia frequentemente entre o êxtase e o tédio. São nítidos os altos e baixos da audição, que resultam em uma experiência inconstante, mas ainda assim divertida.
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Para o seu novo disco, A$AP Rocky parece herdar a atitude de seu antecessor, “Testing” (2018). Na época, o artista se permitiu mergulhar na experimentação — um caminho oposto ao de seu dois primeiros álbuns, que o catapultaram ao mainstream no início dos anos 2010. “Don’t Be Dumb” também foge do convencional nesse sentido, com várias influências que o rapper despeja no caldeirão.
O primeiro single, “Punk Rocky”, imediatamente chama a atenção do ouvinte pela sua sonoridade: guitarra e bateria guiam a canção, enquanto o rapper conduz a melodia em um punk rock criativo, quase satírico. Essa versatilidade se faz presente de diferentes formas ao longo do disco, com músicas que vão do trap ao soul, mas com o toque característico de Rocky.
O álbum tem início com duas de suas canções mais elétricas. “Helicopter” se destaca por suas batidas agressivas e seus flows cativantes, ambos entre os melhores do projeto. Em seguida, A$AP Rocky espalha ataques contra seus críticos em “Stole Ya Flow” — entre eles Drake, a quem dispara: “Você roubou meu flow, então eu roubei sua vadia”, em alusão à Rihanna.
É quando o cantor se arrisca no R&B, porém, que o disco parece encontrar sua melhor forma. Em “Stay Here 4 Life”, Rocky divide o microfone com Brent Faiyaz em uma parceria dos sonhos, com um ritmo que se mantém em “Playa”, que versa sobre o lifestyle e a vida pessoal do rapper na indústria.
As colaborações para além de Faiyaz também são um atrativo à parte, e complementam bem com o estilo do disco. A inusitada “Robbery” recria um assalto vintage à banco com os vocais de Doechii, que forma com Rocky uma dupla ao estilo de Bonnie & Clyde ao som de um instrumental de jazz. Já Tyler, The Creator rouba a cena em “Fish N Steak (What It Is)”, música que figura entre as faixas extras.
“Don’t Be Dumb” é um disco de muitas boas ideias, mas nem sempre elas soam tão interessantes na prática. Algumas vezes, a produção tenta fazer demais, enquanto em outras as composições carecem de mais inspiração. Em “STFU”, por exemplo, as batidas aceleradas parecem uma poluição sonora descompensada, assim como em “Air Force (Black DeMarco)”.
Ainda assim, o disco é um reflexo claro de sua evolução musical nos últimos oito anos, com um repertório eclético de influências e talentos. Em seus melhores momentos, o rapper se mostra em seu auge artístico, seja sobre um trap efusivo ou melodias de R&B. Porém, o trabalho parece não encontrar um ritmo em meio à uma produção confusa e nem sempre inspirada. No entanto, “Don’t Be Dumb” é o suficiente para se divertir e reapresentar o melhor de A$AP Rocky ao mundo.
Nota: 7 / 10






