O texto pode conter spoilers da trama de "Vale Tudo". Desde a estreia do remake...

Desde a estreia do remake de “Vale Tudo”, nesta segunda-feira (31), um nome voltou a ficar em alta: Odete Roitman! A antagonista da trama ficou conhecida como um dos maiores exemplos de vilã da dramaturgia brasileira. Mas por que a personagem se tornou tão icônica?
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Criada por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, a versão original da telenovela recebeu exibição entre maio de 1988 e janeiro de 1989 – quando a televisão brasileira ainda passava por censuras ocasionadas pela ditadura militar. Neste contexto, a produção gerou grandes debates sociais ao retratar a falta de ética e corrupção da época.
O enredo explora a rivalidade entre mãe e filha, a honesta Raquel Accioli (vivida na versão original por Regina Duarte) e Maria de Fátima (interpretada por Glória Pires), que não consegue aceitar a pobreza e é capaz de tudo para vencer na vida.
Apesar de Maria de Fátima mostrar, durante os episódios, sua falta de escrúpulos para alcançar seus objetivos, é Odete Roitman que representa a vilania da trama, sendo caracterizada por sua arrogância, preconceitos e desprezo pelo Brasil. A icônica personagem foi interpretada originalmente por Beatriz Segall.
Além de ser lembrada por suas falas absurdas – como “O Brasil é um país de jecas”; “Paris é minha pátria, assim como é de todas as pessoas civilizadas” e “Português é uma língua tão chinfrim” -, grande parte da construção emblemática de Odete Roitman está em torno de sua morte. Não é à toa que, até os dias atuais, a pergunta “Quem matou Odete Roitman?” é ouvida. O mistério movimentou o Brasil na época da transmissão original, marcando o nome da personagem na história da dramaturgia do país.
Agora sob o comando de Manuela Dias, o remake de “Vale Tudo” passa por mudanças na trama para se adequar à realidade contemporânea do país. Na nova versão, Taís Araújo vive Raquel Accioli e Bella Campos interpreta Maria de Fátima; enquanto a empresária Odete Roitman é vivida por Débora Bloch.
Um dos principais pontos de mudança entre as versões é a escolha das protagonistas – agora, Raquel e Maria de Fátima são mulheres negras. Em uma coletiva de imprensa sobre a novela, a criadora explicou: “Naquela época, só tinha dois atores pretos na novela. Naquele momento, o nosso olhar era tão deformado pelo racismo estrutural […] Eu acho que a Raquel sempre foi preta. Ela era branca pela nossa incapacidade social de dar o protagonismo para outra atriz preta”.
Manuela explicou, também, como será a ligação entre Maria de Fátima e Odete, por se tratar de uma personagem extremamente preconceituosa. “Ela é uma personagem tão pragmática e tão conectada com o que funciona para ela que isso é maior que tudo. Para Odete, serve quem está a serviço dela para executar a agenda dela. Então, assim, Maria de Fátima é perfeita. Ela, inclusive, tanto na versão original como nesta, tem um processo muito forte de identificação com Maria de Fátima”, disse.
Segundo a atriz Débora Bloch, as mudanças na construção da nova Odete são sutis – já que, apesar da mudança de época, as características da personagem continua atuais. “Odete Roitman é o retrato de uma classe que despreza o Brasil, mas, ao mesmo tempo, se beneficia dele, suga suas riquezas. Uma personagem interessante, mas, infelizmente, muito atual”, disse ela durante coletiva de imprensa.
O público está ansioso para ver a personagem em cena no remake. Mas é preciso um pouco de paciência: segundo o jornal O Globo, a vilã só aparece no capítulo 24, que vai ao ar no dia 26 de abril.
“Vale Tudo” vai ao ar de segunda à sábado, por volta das 21h20, na TV Globo.






