Com nomes como Iron Maiden, Oasis, Phil Collins, Sade e Joy Division/New Order, o grupo seleto finalmente abriu o espaço para algumas lendas que aguardavam pelo reconhecimento

Todo ano, alguns artistas conseguem uma das maiores honrarias da música, a entrada na lista do Hall da Fama do Rock n’ Roll. Desde 1986, todo grande nome da música sonha com esse reconhecimento. Em 2026, a lista fez justiça com alguns nomes que buscavam esta validação há muito tempo, por isso, mesmo antes da cerimônia, já dá para dizer que este é um Hall da Fama do Rock histórico.
Na categoria em que todos buscam, dedicada a performance, quem entra para Hall são: Iron Maiden, Phil Collins, Billy Idol, Joy Division/New Order, Oasis, Sade, Luther Vandross e Wu-Tang Clan. O evento ainda distribui os prêmios de influência recente, que laureou Celia Cruz, Fela Kuti, Queen Latifah, MC Lyte e Gram Parsons; excelência musical, que reconheceu Linda Creed, Arif Mardin, Jimmy Miller e Rick Rubin; e o Ahmet Ertegun Award, que este ano ficou para Ed Sullivan.
Porém, é a lista de oito nomes que forma a categoria de performance que sempre chama a atenção. A começar este ano pelo Iron Maiden. A banda britânica de heavy metal está há décadas tentando um lugar no Hall e, para muitos, era uma das maiores e mais importantes bandas de rock que ainda não havia conseguido o reconhecimento do grupo de votantes que decide a lista. As outras duas indicações da banda foram em 2021 e 2023.
Phil Collins foi o mais votado pelo público em 2025 para entrar na lista, mas a vontade do povo não foi a mesma do Hall da Fama do Rock, que decidiu que o cantor e baterista só entraria de forma solo este ano. Porém, o artista já faz parte do seleto grupo. Afinal, Genesis, banda onde começou o caminho para o estrelato, foi adicionada em 2010. Quem também esperava entrar no ano passado, mas entrou no corte deste ano foi Billy Idol.
Outra escolha histórica foi a de Joy Division/New Order. Esta é a terceira vez que uma “banda dupla” é lembrada pela lista. Antes dos ícones que misturam synth-pop e pós-punk, as bandas Parliament/Funkadelic em 1997 e The Small Faces/The Faces em 2012 conseguiram o mesmo feito. Joy Division se tornou New Order após a trágica morte do vocalista Ian Curtis em maio de 1980, com Bernard Sumner assumindo os vocais e dividindo as guitarras e sintetizadores com Gillian Gilbert.
O nome mais jovem da lista é o Oasis. Formada pelos irmão Liam e Noel Gallagher, a banda lançou o primeiro disco em 1994 e conseguiu ser eleita para Hall da Fama do Rock logo na primeira indicação. Para fins de comparação, Gram Parsons, Ed Sullivan e Linda Creed, premiados na lista deste ano morreram respectivamente em 1973, 1974 e 1986, ou seja, antes do álbum de estreia da banda britânica.
Não é porque leva Rock n’ Roll no nome que o Hall da Fama é purista no que diz respeito a gênero. Nomes que tocam diversos tipos de música fazem parte da lista. Esta honraria serve muito mais como um catálogo de lendas da música do que do gênero.
Este ano, por exemplo, tem o rap representado com o grupo seminal Wu-Tang Clan em performance. Queen Latyfah e MC Lyte aparecem na lista de influência recente também. Eles se juntam a artistas do calibre de OutKast, Tupac Shakur, Notorious B.I.G, A Tribe Called Quest, Public Enemy, LL Cool J, Missy Elliot, Eminem e Jay-Z.
O R&B chega com dois representantes em 2026: Sade e Luther Vandross. A primeira, que muitos consideram como uma artista solo, mas é uma banda, tem crescido muito no interesse da juventude, que há anos aguarda por um retorno para uma turnê. Sade tem mais de 40 anos de carreira e por décadas é reconhecida pelas músicas românticas com apelo sexy e complexidade nas misturas rítmicas.
Luther Vandross já era uma lenda do próprio gênero e um dos maiores compositores da história da black music quando morreu em 2005. No entanto, ele recebeu um empurrãozinho de um dos maiores rappers da atualidade, Kendrick Lamar, para voltar a ser assunto em 2025. O artista foi homenageado e sampleado na faixa Luther de Kendrick e SZA. A canção ultrapassou 1 bilhão de reproduções nos streamings e venceu o Grammy de Gravação do Ano na edição de 2026 da premiação.
Para chegar ao grupo especial de eleitos, todo ano uma lista de artistas passa pelo processo de indicação, votação do público e de especialistas. O processo começa com os indicados sendo votados pelos fãs. Depois, um corpo de 1200 votantes, formado por músicos e jornalistas, analisa as escolhas do povo, mas define a lista sem necessariamente acatar o que o público quer.
A possibilidade de ser indicado ao Hall da Fama do Rock só vem após o artista comemorar 25 anos do lançamento do primeiro disco. Contudo, o cantor ou banda não precisa estar em atividade ou sequer vivo. Basta ter impacto significativo na música na opinião dos especialistas que votam anualmente. Este impacto é medido pelos critérios subjetivos de excelência musical e influência histórica, mas o apelo comercial também é levado em consideração.
Os eleitos são adicionados a lista em uma cerimônia especial, com artistas convidados apresentando sucessos da carreira dos escolhidos. O evento deste ano será no dia 14 de novembro no Peacock Theater em Los Angeles, Califórnia.






