Um dos maiores nomes da música brasileira virou moda e recebe ainda mais todas as homenagens e todo amor vindo dos fãs e admiradores

Shows, festivais, cinebiografia, livro e agora enredo de escola de samba, Ney Matogrosso está na crista da onda da popularidade aos 84 anos. Um dos maiores nomes da história da música brasileira, o cantor já era exaltado por tudo que fez na carreira. Contudo, agora ele vive uma nova era de “Ney Matogrossomania” e é especial pensar que ele está vendo em vida as homenagens que muitos só tiveram tempo depois de se despedirem do povo brasileiro.
A mais recente das exaltações públicas que recebeu foi no último domingo (15/2), quando a Imperatriz Leopoldinense apresentou “Camaleônico”, o desfile da escola carioca de 2026, com um passeio pela trajetória do artista que marcou gerações. A apresentação teve direito a carro alegórico com uma versão gigante das cabeças do icônico disco homônimo dos Secos & Molhados, alas lembrando de todas as fases da carreira e um destaque no carro fecha-alas, em que Ney ganhou uma fantasia especial e foi ovacionado por todo sambódromo Marquês de Sapucaí.
Porém, a caminhada de Ney Matogrosso já vem sendo destrinchada desde 2025, quando o artista ganhou um filme sobre a própria vida. “Homem com H” foi um dos maiores destaques do cinema nacional no ano e Jesuíta Barbosa, que interpretou o cantor, teve uma das atuações mais elogiadas. Um longa que foi sucesso de crítica e de público e que chegou até a aumentar o número de ouvintes do artista nas plataformas de streaming.
Dessa forma, é possível dizer que o cantor ganhou um novo capítulo na carreira. Ele vê o próprio legado vivo e gerando frutos no que parece ser uma onda de “Ney Matogrossomania”. O nome dele está em alta, a música dele também, o filme dele fez sucesso e até samba-enredo com o próprio nome ele pôde cantar.
Com 84 anos e mais de 50 anos de carreira, o músico vive um novo pico. Inegavelmente, tudo isso vem da qualidade e competência do trabalho que desempenhou ao longo desse tempo. Porém, o cantor recebeu um dos frutos mais doces de todo esse processo em um período que não é comum. Os legados costumam ser celebrados na saudade, mas o de Ney foi exaltado em vida e atividade.
Ou seja, tudo isso ganha muito mais potência quando levado em consideração o fato de Ney Matogrosso ser ativo e atuante em tudo que o homenageia. Ele conversou com Jesuíta na preparação do papel, esteve presente no desenvolvimento do desfile da Imperatriz e ainda lota shows e festivais por todo Brasil. A beleza de uma trajetória pode ser vista por quem a construiu e isso é o mais importante de tudo que o artista está vivendo.
Ney Matogrosso merece todo o destaque que vem ganhando e mostra que é especial ver a alegria de quem fez o brasileiro feliz. O momento da homenagem é quando o artista pode sentir que todo aquele esforço se reverteu em reconhecimento. Falar que o Ney mudou a história da música brasileira é importante, mas falar para o Ney é muito mais gostoso.
A Imperatriz Leopoldinense, mesmo com a bonita homenagem, ficou em quinto lugar no carnaval do Rio de Janeiro. Entretanto, a vencedora do carnaval Viradouro fez o mesmo. O que pode mostrar uma boa tendência de homenagear as lendas vivas da cultura brasileira. O escolhido pela Viradouro foi Mestre Ciça, o diretor de bateria da escola que já atua nos desfiles há mais de 50 anos.
Em um dos momentos mais bonitos da Marquês de Sapucaí nos últimos anos, a bateria da Viradouro subiu no carro fecha-alas e Mestre Ciça ganhou um destaque por tudo que fez pela escola. Com direito a um retorno triunfal de Juliana Paes como Rainha de Bateria, a Viradouro exaltou uma figura histórica a tempo do próprio artista se emocionar enquanto comemorava a vitória da escola a qual dedicou uma vida.
O Brasil respira arte e faz as festas e homenagens mais bonitas do mundo. Está na hora de dar a chance para que essas pessoas vejam tudo de cima do palco. A memória tem que ser lembrada e transmitida de geração para geração, mas é preciso dar valor àqueles que ainda estão aqui para contar as próprias histórias.






