Louis Tomlinson é guiado por sol e melancolia em “How Did I Get Here?”

O terceiro álbum de estúdio do britânico foi lançado nesta sexta (23), com boas energias, mas sem perder a vulnerabilidade

Mariana AlvesNotíciasColunas27 de janeiro de 2026

Foto: Divulgação

Louis Tomlinson está de volta mais autoconfiante do que nunca em seu terceiro álbum de estúdio, “How Did I Get Here?”. Apesar de parecer uma pergunta complexa de responder, ele faz o seu melhor nesse disco de 12 faixas que revelam o momento mais otimista do cantor, sem perder o toque melancólico que ele traz do indie-rock explorado em trabalhos passados. 

A estética de veraneio do álbum foi pensada ainda durante as gravações, que aconteceram em sua maioria na Costa Rica. Essa identidade reverberou também para as peças gráficas do álbum, trabalhadas em alta saturação, com diversos tons de laranja e amarelo coerentes na medida com a mensagem que Louis quer passar. 

Indo em uma direção ligeiramente contrária aos trabalhos anteriores, o terceiro álbum do cantor britânico chega com uma euforia necessária para a música pop e revela essa rota recalculada por ele nos últimos anos. 

“Achei que com ‘Faith in the Future’ eu tinha chegado muito mais perto da minha ideia principal – e definitivamente mostrei mais identidade naquele álbum do que em ‘Walls’. Mas percebi que estava me limitando um pouco. Minha voz soa muito bem em uma música pop! Então percebi que passei muito tempo olhando para o lado oposto e pensando que essa era a coisa mais corajosa a se fazer – quando, na verdade, encarar o pop de frente e criar algo de que eu me orgulhasse muito era a escolha inteligente”, contou Louis em entrevista à Billboard

“How Did I Get Here?”: como Louis Tomlinson chegou até aqui? 

Os dois primeiros álbuns de Louis carregavam uma melancolia justificável, visto que a vida nem sempre foi fácil para ele nos últimos anos. Em meio ao desafio de se encontrar enquanto artista solo pós One Direction e entregar bons resultados com seus trabalhos, ele também enfrentou perdas dolorosas e desafiadoras na família além de, mais recentemente, enfrentar o luto pelo amigo e ex-companheiro de grupo, Liam Payne

“How Did I Get Here?”, traduzido livremente para “Como Vim Parar Aqui?” deixa claro logo no título que o caminho até esse disco nem sempre foi fácil. Mas, de alguma forma, ele conseguiu.

No Twitter, ele celebrou o lançamento dizendo: “Sempre achei impossível responder à pergunta de como vim parar aqui, mas uma coisa é certa: eu não estaria aqui sem todos vocês”.

https://twitter.com/Louis_Tomlinson/status/2014688440919503270?s=20

Um disco que encontra coesão e maturidade

“Lemonade” abre o disco e a era. Lançada como single ainda em setembro de 2025, ao final do verão europeu, a faixa se encaixa perfeitamente com a estação. Construída com uma progressão vibrante, a base da música é uma percussão orgânica que contrasta com a guitarra e o teclado cintilantes, formando uma melodia prontamente enérgica. 

A atmosfera upbeat do álbum continua em “On Fire” com um refrão chiclete e cativante, mas que não se destaca inicialmente. O ritmo muda, no entanto, em “Sunflowers”, com um clima mais ameno, onde Louis reflete sobre estar “doente e cansado de fumar na chuva”. Em um lapso de esperança, essa faixa sintetiza fielmente o otimismo que o britânico vem cultivando no último ano. “Não sei para onde estou dirigindo, mas vamos chegar a algum lugar”. 

A mesma energia solar continua em “Lazy”, um pop estilo Ed Sheeran, que não tem pretensão de ser profundo ou chocante, mas é aconchegante e conversa com a atmosfera positiva de “How Did I Get There?”. Em “Palaces”, Tomlinson deixa claro que, mesmo abraçando um som alegre agora, suas influências do rock seguem guiando suas escolhas artísticas, ao mesmo tempo que o refrão poderia ser algo que ouviríamos no “FOUR”, quarto álbum do One Direction

“Last Night” segue a temática romântica com batidas que se misturam ao violão simples, mas funcional. Já em “Broken Bones”, ele novamente demonstra uma esperança incurável de quem sofreu por muito tempo, mas aprendeu a continuar tentando mesmo assim.

Otimista sem abrir mão da vulnerabilidade

É em “Dark To Light”, no entanto, que as lágrimas se tornam incontroláveis. Ponto mais íntimo do disco, a música foi escrita em homenagem ao Liam e contém uma grande carga emocional. “Queria que você pudesse ver como você é pelos meus olhos mais uma vez. Faria alguma diferença? Te faria sorrir? Conseguiria te trazer da escuridão para a luz?”, Louis canta e questiona na letra mais vulnerável e honesta do álbum. 

Após as lágrimas, “Imposter” prontamente retoma a atmosfera upbeat do trabalho e é o tipo de música que coloca os fãs para dançar, assim como “Jump The Gun”. O álbum se encerra, porém, com mais um momento de calmaria e lucidez – de forma quase literal. 

Demonstrando coesão do início ao fim, “Lucid” vem para coroar o momento mais autoconfiante de Louis Tomlinson. É nessa faixa que ele se questiona como veio parar aqui, ao mesmo tempo que demonstra saber exatamente a resposta para essa pergunta. Lúcido e confiante, ele entende que tudo vai ficar bem à medida que repete isso para si mesmo diversas vezes nessa música. 

Enxergando o copo meio cheio

Em “How Did I Get Here? ”, Louis está cada vez mais próximo de encontrar seu verdadeiro som. Ele não deixa de lado suas referências do indie e do rock, adicionando aspectos que lembram de Arctic Monkeys a Oasis, mas embrulha essa influência com uma nova roupagem pop e ensolarada. 

O resultado é um trabalho coeso, fiel ao momento do artista e suas vivências mais recentes. Apesar de se afastar das sonoridades que Louis já entregou anteriormente, ele parece confiante em estar no caminho certo da sua arte ao escolher enxergar o copo meio cheio. Mesmo sem grandes surpresas ou músicas inovadoras, o britânico já não quer mais inventar a roda, mas sim, sentir-se confortável com o seu trabalho. 

Balanceando otimismo e vulnerabilidade, Louis encontra em “How Did I Get Here?” um equilíbrio raro entre boas vibrações e introspecção honesta. Mesmo que o objetivo de conquistar um grande hit de rádio não se concretize, ele parece em paz com o caminho que escolheu seguir. Mais do que provar algo para o mercado, Louis parece interessado em ser verdadeiro consigo mesmo, e isso basta. Ao final do disco, a pergunta que dá nome ao álbum já não soa mais como dúvida, mas como constatação: ele chegou até aqui inteiro, lúcido e confiante de que tudo, de alguma forma, vai ficar bem.

Nota: 7/10


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