O artista concorre à categoria de Melhor Álbum de Música Urbana com seu mais recente disco

Recentemente, Papatinho celebrou sua indicação ao Grammy Latino 2025! O beatmaker e produtor carioca está presente na categoria de Melhor Álbum de Música Urbana na premiação, que tem cerimônia marcada para o dia 13 de novembro.
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O artista foi indicado ao prêmio com seu mais recente disco, intitulado “MPC (Música Popular Carioca)”. Lançado em maio deste ano, o projeto apresenta diversos encontros de gerações e ritmos – incluindo as faixas “CONJUNTÃO DE TIME”, com Anitta e MC Cabelinho; “MELÔ DO TRENZÃO”, com MD Chefe e Kevin o Chris, entre outras.
Em uma entrevista recente ao Tracklist, Papatinho falou sobre sua nomeação à importante premiação, o processo de produção do álbum “MPC (Música Popular Carioca)” e muito mais. Confira a conversa abaixo!
“Foi uma grande surpresa, cara. Foi muito legal. É claro que eu sabia do peso desse projeto, da responsa que ele carrega; e sabia que tinha a possibilidade de estar participando de algo desse tipo. Mas não esperava que fosse logo no Grammy, em uma das categorias mais almejadas ali, que é a premiação de Melhor Álbum de Música Urbana, sendo indicado ao lado de nomes como Bad Bunny, etc. Então eu fui pego de surpresa. Eu estava nos Estados Unidos, e o fuso horário é diferente. Daí, quando eu acordei, meu celular estava cheio de mensagem, ligação, com o pessoal mandando parabenizações. Foi uma surpresa muito maneira”.
“Essa indicação é muito especial pra mim, porque esse projeto é muito especial. É maior do que o Papatinho – eu o vejo como um resgate a uma cultura. Hoje, o funk circula pelo mundo como um new sound, né? Hoje a gente brinca e fala: ‘Todo mundo tá vidrado, curtindo o tal do brazilian funk‘. E a gente deve muito aos pioneiros do gênero, toda a primeira geração que botou a cara, onde eu mesmo ainda era uma criança e comecei a escutar. E hoje, se eu tenho essa sonoridade – sou um produtor musical, comecei no rap, mas produzo funk, produzo pop, músico bando de maneira geral -, se eu tenho isso, é por conta desse som que tá enraizado em mim desde que eu era criança. Eu cresci ouvindo isso”.
“E eu sempre quis, de alguma forma, trazer isso para a cena… a galera que começou, que eu sou fã, de verdade, acho que eu sinto que devo algo a eles. E eu tentei algumas vezes, né, eu fiz músicas, eu coloquei o Cidinho & Doca junto com o L7NNON e o MC Hariel; e eu os coloquei, inclusive, no meu show no Rock in Rio. Eu sempre tive essa vontade. Eu fiz Duda do Borel com o BK e Kevin O Cris. Então, eu estava ali tentando trazer eles para nosso novo mundo, nossa sonoridade ali, o trap e tudo mais. Mas o grande lance desse projeto foi voltar no tempo e produzir algo do passado com eles, junto da nova geração e dos novos artistas do momento. Então, é uma realização muito grande ter conseguido finalizar e lançar esse projeto. Porque contar essa ideia para alguém… Eu lembro que até falhava a palavra da ideia no início. Muita gente não acreditava que poderia ser possível reunir e realizar”.
“Acho que é o passado, presente e futuro, tudo ao mesmo tempo – porque é uma sonoridade dos anos 90, mas que reflete até hoje na sonoridade atual. E a mistura dos artistas e dos times, tudo da forma como foi gravado, é como se fosse uma releitura de uma geração. E isso não ficou só na parte do áudio, né? Também foi a parte visual. Tudo foi feito com muito cuidado em cada detalhe, assim, como se realmente tivesse entrado num túnel do tempo. Então, acho que resumiria como o ‘MPC’, como um projeto cultural carioca, que representa o passado, o presente e o futuro”.
“Ah, não tenho faixa preferida porque todas elas são muito especiais! Todas elas têm artistas muito queridos, que eu já trabalhei ou que sempre quis trabalhar. E as misturas foram o maior trunfo: trazer o Cidinho, da dupla Cidinho & Doca, junto com o TZ da Coronel; trazer o Duda do Borel junto com o MC Maneirinho. E fazer, também, essa mistura também do pop com trap, com Anitta e Cabelinho; Fernanda Abreu com BK e Naldo Benny; Stevie B com Ari, enfim. Acho que eu não consigo! E tem também o MC Marcinho, ídolo máximo, que está no álbum com uma faixa inédita, junto com o Xamã”.
“Eu não consigo te dizer qual faixa eu prefiro, todas elas foram muito importantes. A introdução do álbum com o feat. da Furacão 2000, por exemplo, ver aquela vinheta da Furacão 2000 ao lado da minha, já é algo que me emociona demais. Eu não consigo te falar qual que é a minha preferida, de verdade! Para mim, esse álbum ficou muito bem amarrado e redondo. Eu consigo ouvir ele do início ao fim, e todas as faixas são muito importantes e necessárias”.
“Cara, todas foram desafiadoras [risos], mas é verdade, cara. Porque eu optei por ir atrás dos artistas, já que, nesse projeto, eu busquei uma sonoridade da época. Então eu gravei com microfone dinâmico, e isso me permitia ir atrás do artista e gravar em qualquer lugar, de verdade, qualquer lugar; porque eu não precisava captar as vozes do microfone em um superestúdio. A gente tem todos esses equipamentos, mas eu quis ir até os artistas e gravar tudo no microfone dinâmico. Então, isso me possibilitou viver ainda mais intensamente o projeto. O projeto se chama ‘Música Popular Carioca’, e eu fui na Cidade de Deus, gravar o Cidinho. A gente gravou dentro de um banheiro lá. A gente fez um churrasco à noite, de madrugada, e ficou sensacional a experiência”.
“Gravar com o Duda do Borel também foi sensacional. Gravar com a Anitta, na casa dela, no beliche do quarto de hóspedes… e por aí vai, sabe? Foi muito legal eu ter que ir até o artista. Acabou sendo muito maneira a experiência. E acabou sendo um desafio para mim, também. Porque eu estou acostumado a gravar no estúdio, é claro, né? E receber os artistas no estúdio. Mas para mim foi mais interessante, mais intenso ir atrás dos artistas e ir passeando pelo Rio de Janeiro, de certa forma. Eu gravei em Niterói, gravei no Jardim Botânico… dei um rolé maneiro, assim. E acabei me apegando mais ainda a essas imagens. Inclusive, eu tenho essas imagens todas. Eu ainda não postei, mas eu tenho um documentário editado com essas imagens, que são tão ricas e tão especiais quanto o próprio álbum em si”.
“Eu estou muito feliz com o meu momento. Esse ano foi um dos anos em que eu mais trabalhei na minha vida, e acho que estou conseguindo colher, aos poucos, os frutos desse esforço. São mais de 100 produções em 2025. Meu recorde tinha sido em 2019, com 56 produções. Não que eu seja apegado a quantidade; mas, por acaso, eu assinei vários álbuns onde eu produzi todas as faixas, como o do Jotapê, do MD Chef, o meu – claro, o Música Popular Carioca -, e eu acabei de terminar, também, o álbum novo da Cone Cew Diretoria, que vai sair em outubro. E aí estou produzindo mais, estou produzindo o meu álbum infantil, ‘Tropinha do Papato’… É tanto projeto que acaba sendo surreal, mesmo, a quantidade de música em que estou envolvido”.
“E sem contar os trabalhos fora do país. Eu tenho viajado, também, pelo menos a cada dois meses, para os Estados Unidos. Fico lá uns dez dias e faço sessões de estúdio, um dia atrás do outro. Eu vou pra Atlanta, vou pra Los Angeles, e por aí vai. Eu tenho feito bastante coisa maneira, assim. Esse ano também acabei também participando de trilhas sonoras, e estou trabalhando em trilhas sonoras para videogames. Então é um outro mundo ali, e que eu sempre curti bastante. E saiu, agora, o FC 26, mas tem mais coisas para sair ainda esse ano. Ainda não posso falar qual é o jogo, mas estou envolvido com essa parada. E saiu, ainda, o ‘Baila, Vini’, o documentário do Vini Jr., na Netflix, em que eu também participei da trilha sonora”.
“É continuar trabalhando e colhendo os frutos, como sempre fiz. Eu sempre gosto de falar que eu fico me desafiando, não desafio ninguém. Eu vejo o cenário da música, e eu fico feliz com as conquistas de todos. E eu tenho, hoje, vários amigos na cena, então é muito legal estar participando e podendo somar também com projetos da rapaziada e tal. E eu estou sempre ali, trabalhando, porque é o que eu gosto de fazer mesmo. É uma coisa natural, vem de mim”.
“E sigo continuando. Vou seguir tentando me conectar cada vez mais e expandir cada vez mais o meu som, que é o que eu sempre quis. Eu sou muito feliz com tudo que eu fiz no Brasil. Tenho 20 anos de carreira – completo agora, em janeiro de 2026. Então, desde que eu fiz meu primeiro beat, em 2006, quando tinha 18, 19 anos, eu nunca mais parei. E, se depender de mim, eu não vou parar. Vou continuar aí, conquistando, desafiando e realizando meus objetivos e meus sonhos. Pelo menos é o que eu espero”.
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