Entrevista: Maneva celebra 20 anos de carreira e projeta futuro do reggae nacional

Com 20 anos de estrada e uma história sólida dentro da cena do reggae brasileiro,...

Foto: Divulgação/Créditos: Paulo Grotto

Com 20 anos de estrada e uma história sólida dentro da cena do reggae brasileiro, o Maneva celebra sua trajetória com a turnê especial “Maneva 20 Anos, Origem”, que teve início no último dia 25 de abril, em São Paulo. Assim como a letra de “Pisando Descalço”, que reflete sobre a liberdade de seguir o próprio caminho, a banda comemora este marco com um show que une passado e futuro, celebrando o legado construído e a confiança para seguir em frente.

Formado por Tales de Polli, Fernando Gato, Fabio Araújo, Diego Andrade e Felipe Sousa, o grupo descreve esse novo momento como um renascimento artístico e emocional. Em entrevista ao Tracklist, os integrantes falaram sobre a sensação de liberdade ao olhar para trás com orgulho e confiança, e ao mesmo tempo mirar o futuro com entusiasmo e maturidade.

Além da turnê, a conversa também abordou o Dia Nacional do Reggae, comemorado em 11 de maio, e as influências que moldaram o som do Maneva ao longo dos anos. Com mais de 100 faixas inéditas no arquivo e novos projetos a caminho, a banda promete seguir espalhando sua mensagem com verdade e conexão por muitos anos.

Liberdade, raízes e futuro: Maneva revisita trajetória e projeta novos capítulos no reggae brasileiro

Recentemente vocês deram início às comemorações pelos 20 anos de carreira. E o Tales comentou que a sensação de completar esse tempo de banda é de liberdade. O que representa essa liberdade hoje para vocês, como artistas e como banda?


É muito massa poder olhar para a nossa trajetória com um olhar mais maduro, mais experiente. É libertador, sabe? Representa a confiança de seguir em frente sabendo de onde viemos, com orgulho do que construímos. A sensação é de dever cumprido, com a conquista do nosso espaço e orgulho pelo trabalho que vem sendo realizado.

Vocês descrevem essa nova fase como um “renascimento”. Quais mudanças internas ou externas impulsionaram esse novo momento do Maneva?

O renascimento vem de uma nova fase do Maneva. São 20 anos de estrada, né? Temos muito orgulho do legado que construímos. Esse novo ciclo volta para as nossas raízes, mas também olha pra frente, com vontade de evoluir e experimentar. Temos muito a fazer e entregar!

A escolha de começar a turnê em São Paulo foi simbólica. Que lembranças vocês têm do início da trajetória na cidade e como foi voltar a ela agora com duas décadas de estrada?


São Paulo sempre nos recebe de braços abertos. O público paulista consome o reggae de uma forma única, é uma troca muito intensa e especial. Há 10 anos, fizemos um dos primeiros grandes shows da nossa carreira no antigo Espaço das Américas, atual Espaço Unimed. Ter voltado a esse mesmo palco agora, com uma turnê que celebra 20 anos de história, mais sólidos e com um show totalmente novo, bateu aquele sentimento de nostalgia boa e a certeza de que a caminhada valeu e está valendo muito a pena.

Em entrevista, vocês comentaram que cada integrante escolheu músicas de gosto pessoal para o repertório do show. Como foi esse processo de escolha?

Esse repertório abraçou todas as fases do Maneva e teve participação de todos nós. Foi um processo muito bacana, inclusive de resgate de alguns tesouros escondidos ali da nossa discografia. Trouxemos as faixas favoritas de cada um e aquelas que não tocávamos há um tempo, mas que ainda têm um lugar especial no nosso coração. O resultado foi um setlist único, que reflete a essência da banda e ficou ainda mais especial por ter essa mistura de passado e presente.

E tem alguma faixa que vocês nunca se cansam de tocar porque sempre traz boas memórias?

Difícil escolher só uma (risos). Mas podemos dizer que as faixas do álbum “Tempo de Paz” marcam uma grande virada de chave na nossa trajetória. Elas sempre trazem uma conexão muito especial com o público. São músicas que nos transportam direto para o começo de tudo, os primeiros shows. E o mais legal é que o público canta com a mesma energia de sempre, é uma conexão que nunca envelhece.

Vocês sempre foram muito conectados com o público. Como foi pensar em um show que respeita essa memória afetiva dos fãs, mas que também aponta para o futuro do Maneva?

Nossos fãs são o coração do Maneva. A gente tem uma relação de muita parceria e troca com eles, e essa turnê foi pensada justamente para abraçar todo mundo — quem tá com a gente desde o comecinho, com aquele ‘Manevão’ raiz, e também quem chegou mais recentemente e se conectou com as músicas novas. O show é uma verdadeira celebração que une passado e presente no mesmo palco. É emocionante ver essa mistura acontecendo ao vivo.

Aliás, essa comemoração acontece em paralelo com o Dia Nacional do Reggae. Quais artistas de reggae, tanto nacionais quanto internacionais, influenciaram o som do Maneva e sua trajetória ao longo dos anos?

Vários nomes foram fundamentais para moldar o nosso som. Nossos parceiros Natiruts, por exemplo. Cidade Negra, Tribo de Jah e Planta e Raiz também, que chegaram fortalecendo a cena do Reggae no Brasil. Internacionalmente, Bob Marley, Steel Pulse e Max Romeo sempre serão lembrados.

Hoje, o Maneva é uma das maiores bandas de reggae do Brasil. Qual é a sensação de fazer parte de um movimento tão significativo para a música brasileira?

Ver o Maneva chegar até aqui, com 20 anos de estrada, sendo reconhecido como uma das maiores bandas de reggae do Brasil, é uma conquista que a gente divide com todo mundo que acredita nesse som. A gente sempre trabalhou com a música pra alma, com a verdade, e saber que isso ecoa nas pessoas, dá sentido a todo esse movimento.

Já há novos projetos em vista após a turnê “Maneva 20 Anos, Origem”? O que os fãs podem esperar do futuro do Maneva?

Podem esperar mais 20 anos de Maneva (risos). Temos muitas músicas guardadas ainda, um arquivo com mais de 100 faixas. Podemos dizer que, com certeza, teremos muitos lançamentos, turnês e muito reggae pra galera curtir.

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