Entrevista: KASINO anuncia “Ultimate Tour” com surpresas e relembra meme

Após duas décadas embalando pistas, rádios e corações nostálgicos pelo Brasil, o KASINO flerta com...

Foto: Kasino para "Vai Kasinão: The Ultimate Tour" - Divulgação

Após duas décadas embalando pistas, rádios e corações nostálgicos pelo Brasil, o KASINO flerta com a despedida. A dupla de produtores e DJs, formada por JAMM’ e Ian Duarte, acaba de anunciar a “Vai, KASINÃO – Ultimate Tour”, que se estenderá de setembro de 2025 até dezembro de 2026, marcando o fim de uma era.

A turnê será uma celebração definitiva da jornada da dance music brasileira que marcou uma geração. Com um novo repertório, conteúdos inéditos e a promessa de surpresas, a dupla conversou com o Tracklist sobre essa nova fase e resgatou uma curiosidade: o grande meme que envolve o duo.

Em 2006, o Kasino participou do programa “Sabadaço”, na época comandado por Gilberto Barros. Porém, quem apareceu não foi JAMM’ nem Ian, mas sim Fernando Biscaia, que até então era o rosto do projeto. A apresentação rendeu bordões icônicos, como o “Vai Kasinão” entoado por Barros – não por acaso, é o nome da turnê da dupla -, e até hoje é lembrado nas redes sociais.

Confira o papo completo a seguir!

Entrevista: KASINO anuncia “Ultimate Tour” com surpresas relembra meme com Gilberto Barros

Tracklist: Pessoal, em breve vocês começam uma nova turnê. Pelo que vi, vem aí muitas novidades! Como está sendo o processo de construção desse trabalho?
JAM: Bom, primeiramente é um prazer estar aqui com o KASINO para gente falar sobre essa nova turnê. A “Kasino Ultimate Tour” vem com a proposta de somar ao que já está rolando com a turnê Forever, que se encerra agora em agosto.

Nessa nova fase, estamos trazendo algumas surpresas: efeitos diferentes, equipamentos novos e um repertório renovado. Na verdade, não é totalmente novo, porque a gente sabe que em time que está ganhando não se mexe! Então, o público pode esperar os grandes hits do Kasino, os sucessos dos anos 2000 que todo mundo ama.

IAN: Além disso, vamos começar a apresentar também músicas autorais. O Kasino sempre joga muito para galera, e às vezes acabamos não incluindo tantas faixas do nosso próprio repertório. Agora, queremos que a galera conheça mais esse lado, cante com a gente. Uma festa, uma celebração!

Vários outros DJs reconhecem bastante a influência de vocês, como é o caso do Vintage. Recentemente, vocês estiveram com o pessoal do Dubdogz. Como vocês veem essa nova geração e como avaliam o impacto que tiveram sobre ela?
JAM: Cara, a gente fica muito orgulhoso, né? De ter colaborado de forma positiva e produtiva para que uma nova geração surgisse. É um orgulho enorme passar por essa vida e saber que deixou uma marca. Isso nunca foi um plano inicial, pois musicalmente, o Kasino começou de forma bem despretensiosa. Mas, depois do estouro, quando fomos chamados de fato para o “jogo”, começamos a imprimir uma sonoridade, uma proposta.

IAN: Ver toda uma nova geração reconhecendo isso é muito gratificante. Dá um senso de orgulho e de realização profissional imenso. Quando o Kasino surgiu, a gente não imaginava que ia durar tanto tempo, ainda mais passando por um hiato e voltando ainda mais forte. Muita gente dizia “vocês não vão passar da primeira música” e a gente fez a segunda. Diziam “não passam da terceira” e fizemos a terceira. E estamos aqui, tantos anos depois. Ver essa galera nova, é uma grata surpresa. É algo que mexe com a gente e nos inspira cada vez mais a criar coisas novas, melhores e mais atuais.

A ascensão do Kasino veio com trilhas de novela. Naquela época, isso era um dos principais fatores que ajudavam um artista a estourar. Hoje em dia, isso já não tem o mesmo peso, mas ainda é relevante. Agora, temos os streams, que são algo surreal. Como vocês avaliam essa mudança?
JAM: Eu, Jam, como produtor e alguém que vive o mercado, acho que mudou para melhor. Ele evoluiu muito, mostrou para o mundo que o brasileiro realmente está entre os melhores produtores do planeta, sem falsa modéstia. Hoje temos Alok, Dubdogz, Zeeba, Vintage Culture…. Quando a gente começou, era tudo mato literalmente. Não existia essa quantidade de produtores talentosos, até porque o acesso à tecnologia e ao conhecimento era bem mais limitado.

IAN: O Kasino vê essa transformação de forma muito positiva. Estamos muito otimistas, inclusive em relação ao futuro do nosso projeto. Como um grupo que influenciou gerações de produtores e DJs, a gente quer, a partir de 2026, colocar em prática essa conexão com a nova cena. Essa troca é importante, é um novo ciclo, e estamos prontos para ele.

Vocês já trabalharam com vários nomes da cena pop, o JAM, por exemplo, já colaborou com a Wanessa. Tem alguém da cena atual com quem vocês tenham muita vontade de fazer uma parceria?

JAM: Olha, eu acredito que o cenário pop atual, especialmente de uns anos pra cá, desde o DNA, se desenvolveu muito, né? Uma das responsáveis por isso, obviamente, é a Anitta. É impossível não a mencionar. Acho que ela bebeu muito ali da mesma fonte, apesar de eu acreditar que ela seja uma artista super original e muito inteligente nas estratégias que escolhe.

Tem alguns nomes que eu acharia muito interessante trazer pra uma collab com o Kasino. Eu amaria ver a Luísa Sonza em uma parceria. Acho que a Gloria Groove seria interessantíssima também. A Duda Beat, por exemplo, ela é muito interessante, e com a Duda eu nem apostaria em uma música em inglês não. E, cara, pra fechar uma lista eu diria que a Ana Castela. Acho que ela é um fenômeno. Já tá flertando com o pop, tem uma track com o Diplo, ou seja, já tá abrindo esse espaço.

IAN: Eu adoraria Double You, Lasgo… nossa, imagina? Acho que teria tudo a ver a gente fazer algo junto. Mas a gente sabe que existem dificuldades no mercado, né? Conseguir agentes, permissões, tornar isso viável… é complicado. Mas o desejo existe. Tá todo ele aqui.

Bom, é impossível não falar do meme do Gilberto Barros. Em algum momento essa questão de ter virado um meme incomodou vocês? Hoje vocês conseguem ver de outra forma?
IAN: Olha, durante muito tempo o integrante que estava com a gente na época, o Fer, se incomodou com esse meme. E, internamente, a gente nunca entendeu muito bem o motivo desse incômodo. Depois a gente conversou, ele refletiu, e acabou abraçando isso também.

JAM: Hoje a gente tem um orgulho enorme, porque não é todo mundo que ganha um marketing orgânico e viral que se recicla todo sábado. Se você parar para pensar, um dos motivos de “Can’t Get Over” ser uma das músicas mais usadas no Instagram Music hoje em dia nem é só o Summer EletroHits, é o meme. E toda semana surge uma nova versão, um novo jeito das pessoas brincarem com isso.

IAN: Caiu no nosso colo um gancho de marketing, uma peça publicitária que a gente abraçou e trouxe para o nosso show nessa volta. A vida é cheia de surpresas, né? Imagina: um dia a gente foi lá fazer o programa do Gilberto Barros e não fazia ideia de que, naquele momento, estava nascendo um meme, cara. Pessoas de uma nova geração, que muitas vezes nem tinham nascido naquela época ou não conheciam a gente, passaram a descobrir o grupo por causa do meme. É algo que vai levar o Kasino para outras gerações.

Uma curiosidade, quem canta “Can’t Get Over” é o JAM, certo? De onde surgiu a ideia de colocar uma terceira pessoa para representar o Kasino?

JAM: Então, essa ideia surgiu porque, na época, o Kasino era um projeto de estúdio, algo bem pretensioso, sem rosto. Eu já era o Mr. Jam, o Ian tinha o estúdio dele, mas ele não era um cara que queria estar na frente do palco naquela época. De 2003 a 2005, a gente vinha mandando músicas pra Som Livre, e duas chegaram a entrar em novelas, mas nenhuma estourou. O Kasino não tinha rosto. As músicas eram cantadas por mim, pelo Ian, e pela minha irmã, que fazia parte da banda do Mr. Jam. Ela era uma cantora que a gente sempre trazia para gravar.

A virada foi em 2005, quando a gente recebeu uma encomenda urgente da Som Livre. A música precisava ser entregue em menos de uma hora para sonorizar uma cena da Deborah Secco. A gente não fazia ideia do que estava nascendo ali, e muito menos que isso exigiria botar a cara a tapa. A gente compôs, gravou, mixou e enviou Can’t Get Over em pouco mais de uma hora.

Com o sucesso inesperado da faixa, e como a gente não queria estar à frente do projeto como imagem, veio essa ideia inusitada: chamar o presidente do fã-clube da minha banda dos anos 90, o Fernando Biscaia. Ele sempre pedia uma chance, e o Ian sugeriu fazer um teste de câmera com ele. Assim que viu, falou: “É ele!”

E, cara, ele casou perfeitamente. Sabe quando o vídeo e o áudio se encaixam de um jeito mágico? Foi isso. Uma junção incrível que aconteceu quase por acaso. Esse segredo foi guardado por quase 21 anos. Mas agora, com a volta do Kasino, a gente quis trazer tudo à tona, ser 100% transparente. Conversei com o Ian e falei: “Temos que acabar com esse mito de quem canta o quê.” Nunca foi uma coisa mal-intencionada, tipo “vamos enganar todo mundo”. Foi algo que foi acontecendo, se construindo naturalmente. Agora a gente tá tendo a chance de explicar tudo isso.

Pra gente encerrar esse tópico, se vocês pudessem substituir os vocais do JAM em Can’t Get Over por algum artista que vocês admiram e acham a cara do Kasino, algo “vamos relançar a música em 2025 com uma nova voz”, quem vocês escolheriam?
JAM: Olha, eu sugeriria o Chris Willis. Inclusive, em 2013, eu lancei uma faixa com ele chamada Heartbeat. O cara é incrível, super talentoso, e uma pessoa maravilhosa. Ele deve voltar ao Brasil agora em outubro. Agora se fosse para escolher alguém brasileiro eu sugeriria a Wanessa Camargo.

A Wanessa arrebentaria num nível que eu fico até arrepiado só de imaginar. Acho que ela tem um talento gigantesco. A gente chegou até a abrir conversas para fazer um DNA 2, um tempo atrás, existem umas cinco músicas gravadas. Ela tem um potencial enorme, sem dúvida. E eu acredito que ela poderia estar explorando ainda mais esse lado artístico com uma pegada mais internacional, sabe? Seja comigo ou com qualquer outro produtor. Mas, claro, isso é uma decisão dela. De qualquer forma, ela arrebentaria!

Vocês têm pretensão de lançar material novo? Álbum, EP. O que tá vindo por aí?
IAN: Com certeza! A gente já está em estúdio gravando duas músicas novas. O Kasino vai iniciar uma nova sequência de lançamentos a partir do dia 27 de junho, já temos data marcada pra essa nova faixa. E a partir daí, a cada três semanas, vai ter música nova chegando nas plataformas digitais e nas playlists, além de visualizers para acompanhar os lançamentos.

JAM: Além disso, tem um projeto inusitado que vai ganhar forma ainda este ano, o Kasino Acústico Dance Hits. Vamos gravar um DVD pela primeira vez, algo bem diferente, porque somos uma dupla de DJs e produtores (barra músicos, né?), e vamos levar isso pra um formato mais orgânico. A ideia é fazer um acústico com banda, tocando grandes hits de todos os tempos e, claro, os sucessos do Kasino. Tem muita coisa boa vindo por aí. Fiquem ligados!



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