Em conversa com o Tracklist, a artista falou sobre representatividade, visibilidade e a cultura drag

Para celebrar o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+, neste sábado (28), o Tracklist bateu um papo com Grag Queen sobre representatividade, visibilidade e o impacto da arte drag. Vivendo um dos momentos mais marcantes de sua carreira, a artista refletiu sobre sua trajetória, as conquistas recentes e o papel que ocupa como uma das principais referências da comunidade no Brasil.
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Após encerrar uma turnê pelos Estados Unidos, participar da primeira edição da RuPaul’s DragCon Brasil e marcar presença na Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, a vencedora do reality “Queen of the Universe” e primeira brasileira a apresentar “Drag Race Brasil” afirma viver uma fase de consolidação profissional. Para ela, cada novo espaço ocupado representa também uma oportunidade de ampliar a representatividade LGBTQIAPN+.
Durante a entrevista, Grag Queen também deixou uma mensagem de acolhimento e amor-próprio para a comunidade neste Mês do Orgulho. Confira abaixo!
Você se tornou referência para muitas pessoas LGBTQIAPN+. O que o Dia do Orgulho representa para você hoje, considerando sua trajetória e a visibilidade que conquistou nos últimos anos?
Cara, realmente falando de trajetória, eu acho que nenhuma palavra definiria, dentre luta, poder, lacres, aceitações, nenhuma palavra resumiria a não ser orgulho. Porque eu estava ali atrás dessa persona, Grag Queen, viajando, conversando, conhecendo pessoas, ouvindo histórias por onde eu passo. Isso demanda muita energia e muita maturidade. E eu sinto muito orgulho de ter conseguido agir da forma certa, não me arrepender das coisas e passar pelos objetivos, mesmo calejado, mesmo assim. E, com certeza, pela minha comunidade. Eu amo o fato de ser um artista que traz isso, não só sendo LGBT, mas também fazendo coisas para a arte drag, da qual sou apaixonado, tendo pessoas LGBT na minha equipe. Então, eu sinto muito orgulho disso enquanto criador.
Como você enxerga o papel da cultura drag na construção de pertencimento, identidade e representatividade dentro da comunidade?
A drag está neste lugar de perguntas, de sabotagem de sistema, de estética. Eu acho que toda drag, quando se viu drag pela primeira vez, sabe do que eu estou falando. Seja ela fashion, cômica ou de qualquer esfera, hoje somos bombardeados de drags em todos os lugares. Eu acho que sim, é uma liberdade, é um espaço onde a gente pode se reconhecer, se realçar, se editar e chegar a lugares onde o Gregory não chegou.
Sua carreira transita entre música, televisão e performance. Como esses diferentes espaços ajudam a ampliar sua mensagem?
Além de ser um somatório de mídias, a gente fala muito sobre representatividade. É importante ver uma pessoa como eu, um homem gay do interior, um sonhador, um eterno aprendiz, um brasileiro que não desiste nunca. Então, ocupar esses lugares já é, por si só, um grande ato. E depois entra a parte de ocupar com toda a majestosidade e impecabilidade de trabalho que eu tento ter. Porque, no fim, transitar entre música, televisão e performance me permite ampliar essa mensagem de formas diferentes, alcançando públicos diferentes e mostrando que a arte drag também pode estar em vários espaços. Acho que isso fortalece não só a minha trajetória, mas também a presença da nossa comunidade nesses lugares.
Recentemente, você encerrou uma turnê internacional com apresentações nos Estados Unidos, participou da primeira edição da RuPaul’s DragCon no Brasil e esteve na Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo. Como você avalia esse momento da sua carreira?
Nos Estados Unidos, foi realmente um back to basics, onde eu voltei a me maquiar, diminuí a minha equipe para realmente retornar e ver os fãs de lá e cantar para novas pessoas. Acabou sendo uma surpresa muito maluca, uma viagem para dentro de mim, passando tempo, conversando comigo mesma. E foi uma delícia. Dentro de todas as coisas, mesmo com várias intercorrências, como malas extraviadas e ter que fazer show desmontado, foi um lugar de autoavaliação como artista e entregar a melhor performance que eu podia entregar, porque foram muito bons os shows que fiz por lá.
A DragCon foi um momento maluquíssimo, acho que foi onde a gente se consolidou como polo de arte drag no mundo, felizmente vendo a arte drag brasileira ser celebrada no nosso país. Foi muito legal estar na frente desse evento, comandando, cortando a faixa. Foi um deleite recepcionar as queens estrangeiras, sabe? Me senti bem mãezona.
E a Parada é sempre uma doideira. Fui no trio, cantei, mas depois fui embaixo, curtindo com a minha mãe e a Taiga Brava, que também é uma amiga minha, que apresentou Drag Race México e também ganhou o Queen of the Universe. Então, foi um momento da carreira de muita felicidade, sabendo muito bem o que eu quero e estudando os próximos passos. Muito louca para começar a gravar também esse Drag Race 3.
Ao olhar para sua trajetória, qual conquista considera mais simbólica não apenas para sua carreira, mas também para a comunidade LGBTQIAPN+?
Eu preciso falar que é o título de Queen of the Universe, porque, amor, quando você tem um título desse na sua prateleira, ele vai brilhar mais do que todos, entendeu? Ele nos deu um Drag Race só nosso, ele nos deu uma host brasileira e nos deu abertura dentro da franquia. E, enquanto brasileiro, foi muito legal sair lá fora e literalmente dominar e ganhar o universo. Mudou a minha vida, com certeza, e não tem como não falar disso.
Além disso, acho que essa conquista também teve um peso muito simbólico para a comunidade, porque mostrou que a gente pode ocupar esses espaços com talento, representatividade e orgulho. Foi uma vitória minha, mas também de muitas pessoas que se viram ali e entenderam que esse lugar também pode ser nosso e todas temos capacidade total para isso.
Em uma época de tantas transformações e debates sobre diversidade, qual mensagem você gostaria de deixar para a comunidade LGBTQIAPN+ neste Mês do Orgulho?
Eu deixaria uma mensagem de muito amor e orgulho, mas dessa vez muito para dentro. Sabe? Não só como comunidade, mas o quanto a gente se orgulha da gente, o quanto a gente agradece a gente por ter chegado aqui, intactas ou não, com traumas ou não. Estamos aqui tocando a vida, sendo adultos, dando orgulho para as nossas crianças interiores. Então, que seja um momento de descoberta, de alerta, de ficar atenta às rotinas que a gente tem tido. Acho legal a gente voltar todo esse amor e força que a gente tem enquanto comunidade para o nosso próprio coraçãozinho, para o nosso skin care, para a nossa atividade física, para a nossa rotina, para o nosso bem-estar, porque no fim de tudo o orgulho começa na gente. A gente tem que nos amar, nos unir com nós mesmos, com os nossos pedacinhos. E, realmente, daí sim ficar tranquila para lutar junto. Que a gente se mantenha forte e alerta com essa onda meio conservadora que tenta pairar o nosso país e o mundo, mas estamos aqui, honrando todas as vozes que já vieram antes da gente. Seguiremos gritando muito.
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