Entrevista: Culture Wars fala sobre novo disco, inspirações e mais

O primeiro disco da banda, "Don't Speak", já está disponível em todas as plataformas digitais

Foto: Divulgação

A banda norte-americana Culture Wars vem se destacando no rock alternativo ao combinar a crueza das guitarras características dos anos 90 com uma abordagem contemporânea de produção e composição. Em abril, o aguardado álbum de estreia, ‘Don’t Speak’, chegou a todas as plataformas digitais. Em entrevista ao Tracklist, o vocalista do Culture Wars, Alex Dugan, explicou mais sobre a produção, influências e o processo criativo do trabalho. Confira a seguir!

Entrevista: Culture Wars fala sobre seu novo disco e mais

Tracklist: Olá! Prazer em te conhecer! Como você está?
Alex Dugan: Prazer em conhecer você também. Estou bem. E você?

Estou bem também. Então, antes de tudo, parabéns pelo novo álbum, eu ouvi e gostei muito! Você poderia nos contar mais sobre a produção dele?

Sim! Do ponto de vista da composição, o principal objetivo era simplesmente… quando começamos, pensamos: “Precisamos escrever músicas melhores”. Então, sabíamos que não faríamos nada até termos um álbum, quer dizer, um conjunto de músicas que realmente valesse um álbum e coisas desse tipo.

Decidimos que só escreveríamos músicas usando apenas um violão e uma voz, e só isso. Se a música não fosse boa apenas com esses dois elementos, simplesmente não seguiríamos em frente. Fomos muito, muito rigorosos nesse sentido. E isso nos permitiu simplesmente ter ótimas músicas.

Depois, quando entramos no estúdio para gravá-las com a banda, foi só pensar: “Nós temos ótimas músicas. Todo mundo fez a sua parte. Vamos apenas ser uma banda. Não precisamos reinventar a roda nem nada disso”. Isso permitiu que ninguém estivesse tentando fazer algo maluco. Era simplesmente: “Certo, agora vamos gravar as guitarras. Vamos conseguir o melhor timbre de guitarra que conseguirmos”.

Trouxemos também o nosso amigo Jerry [Ordonez], que é nosso engenheiro de som, e ele é incrível. Ele trabalha com artistas enormes do mundo inteiro, como Foo Fighters, Bon Iver e vários outros, então ele realmente acertou em cheio. O Jerry acertou em cheio. Conseguimos exatamente os timbres que queríamos: acertamos a bateria, acertamos tudo, todos os instrumentos, para que a banda pudesse simplesmente ser a banda. Depois foi só apertar o botão de gravar. Nesse sentido, foi um processo bem simples..

Tentamos adicionar sintetizadores e coisas assim nessas músicas, mas as músicas simplesmente não queriam isso. Nosso guitarrista, que também é nosso produtor, dizia: “Bom, vamos tentar colocar um órgão nessa música”, mas acabamos não mantendo nada disso. Não funcionou. Só guitarras! (risos).

Incrível. Você poderia compartilhar algumas das maiores inspirações por trás deste álbum?

Sim! Acho que o que estávamos buscando eram aqueles álbuns que são realmente álbuns de banda. Sabe, em que o conceito do álbum é simplesmente a própria banda. E isso aparece muito nas bandas de que gostamos. Você vê isso, por exemplo, em “All That You Can’t Leave Behind”, do U2, no primeiro álbum do Third Eye Blind, em muita coisa do Radiohead, do Red Hot Chili Peppers, do INXS… esse tipo de coisa. Quer dizer, muitas referências diferentes. Outro bom exemplo talvez seja Kings of Leon, ou The Killers, ou The Strokes. Muitas, muitas coisas diferentes.

Muitas coisas boas! Você tem uma música favorita do álbum? E por quê?

Sim… acho que “Slowly” e “Tokyo”. Essas duas, para mim. Entre os singles, acho que “Don’t Speak” é, com certeza, a vencedora. Mas “Slowly” e “Tokyo” são duas músicas que, para mim, têm um significado mais pessoal, porque eu me lembro de escrevê-las sozinho no violão, tive momentos muito pessoais com elas. Então acho que isso pesa bastante. Mas parece que o resto da banda também dá a mesma resposta, talvez seja por isso que elas funcionam tão bem. Não sei.

Muito legal. Eu li sobre a música “In the Morning”, especificamente, sobre o quanto ela foi importante e como influenciou as outras músicas do álbum. Você poderia compartilhar mais detalhes sobre isso?
Quando fizemos essa música… na verdade, são “In the Morning” e “Don’t Speak” em que eu sinto que, pelo menos para mim, eu não fiz a maior parte do trabalho pesado, sabe? Quando se trata de escrever a música ou até mesmo gravá-la. Mas “In the Morning” me lembrava essa grande música de rock de estádio, com aquele som metálico, grandioso, quando eu a ouvi.

Isso foi depois de fazermos aquelas turnês mais longas com LANY e Maroon 5 pela Ásia, quando estávamos tocando em arenas e estádios, então já tínhamos vivido essa experiência. A música ainda não tinha sido escrita naquela época, mas a fizemos depois dessas turnês. Quando ela ficou pronta, nós a gravamos e eu a ouvi dessa forma na minha cabeça. Depois, [Caleb Contreras, guitarrista] me enviou a mixagem, e eu disse: “Não, não… espera um pouco. Você lembra quando tocamos na Philippine Arena? Porque aquele lugar tem 65 mil pessoas. É um negócio gigantesco”. Ele respondeu que sim, então eu disse: “Faça essa música soar como a Philippine Arena”. 

No mesmo dia, ele voltou com uma nova mixagem que soava exatamente como todo mundo ouve hoje. E eu falei: “É isso!”. Mas, depois que ele fez aquilo, pensamos: “Ah… agora precisamos voltar e fazer isso no álbum inteiro! (risos)”. Então o Caleb, que é nosso guitarrista, que também é nosso produtor e também quem faz as mixagens… somos muito independentes, nós fazemos tudo sozinhos. Ele voltou e remixou o álbum inteiro com essa ideia em mente. Quando o álbum foi lançado, as pessoas que já tinham ouvido músicas como “Heaven”, por exemplo… elas me mandavam mensagens perguntando: “Tem alguma coisa diferente?”, e eu respondia que sim. Agora tudo soa da maneira que deveria soar.

Bem legal. E como tem sido a recepção do novo álbum até agora? Você comentou sobre essas diferenças… como tem sido a recepção até o momento?
Tem sido ótima. Quer dizer… a internet é a internet, né? As pessoas comentam e tudo mais. É legal, mas continua sendo a internet. É difícil saber o que é real e o que não é. Agora que estamos fazendo shows de verdade e vendo as pessoas pessoalmente, tem sido meio surreal. 

Os caras da banda e eu temos conversado sobre isso como uma espécie de síndrome do impostor. Porque esperamos a vida inteira para conseguir lotar shows, tocar para grandes públicos, e agora estamos fazendo isso, ficamos pensando: “Por que vocês estão aqui? Isso é alguma piada? O que está acontecendo?”. Ainda não estamos acostumados com isso. Mas, até agora, fizemos apenas seis shows dessa turnê. Acho que, no total, essa turnê deve durar quase dois anos quando terminar. Então tudo isso ainda parece muito surreal. Estamos realmente muito felizes. Acho que, quando você vê isso acontecendo na vida real, pensa: “Ah… isso realmente funciona!”. É tudo muito novo! (risos).

Vocês já estão pensando em lançar músicas novas em breve ou, por enquanto, o foco continua sendo este novo álbum?
Nosso foco continua sendo o novo álbum. Quer dizer, passamos tanto tempo trabalhando nele. Estamos chegando perto de começar a escrever de novo. Mas, acho que a principal coisa para mim é que as bandas que sobrevivem tratam cada álbum de uma maneira diferente. E acho que a pior coisa que poderíamos fazer seria dizer: “Ah, isso deu certo. Vamos simplesmente fazer a mesma coisa de novo”. Porque nós já fizemos isso, certo? As pessoas falam de músicas como “Typical Ways” e dizem: “Vocês precisam de mais músicas como essa”. E eu respondo: “Não. É justamente por isso que ela funciona. Por que eu faria isso?”. Primeiro, boa sorte para mim tentando cantar um show inteiro cheio de músicas daquele tipo. Isso nunca iria acontecer! (risos). 

E, além disso, acho que uma banda que faz isso muito bem é o The 1975. Eles continuam se reinventando e fazendo algo diferente a cada vez, e acho que as pessoas querem ouvir coisas diferentes. Hoje todo mundo ouve música de um jeito diferente. Temos a internet, podemos ouvir qualquer coisa, o tempo todo. Não acho mais que seja necessário fazer um álbum em que tudo soe igual. Nós também não queremos fazer um álbum que soe igual ao anterior. Então, para nós, abordar o próximo trabalho de novo… acho que só precisamos de um plano muito bom, e acredito que estamos chegando perto de ter esse plano. Eu diria que, dentro de um ou dois meses, devemos começar a escrever novamente.

Certo. Do jeito que as coisas estão agora, é assim que você enxerga o futuro da banda?
Sim. Quer dizer, continuar… Acho que “Don’t Speak”, provavelmente, foi a última música que fizemos. Imagino que seja nessa direção que as coisas caminhem. Não sempre. E, de novo, cada música vai ser diferente. Cada álbum também vai ser diferente. Mas, para nós… vamos passar este ano inteiro em turnê, e o próximo ano também, estamos organizando isso agora. Vai ser muito tempo na estrada. Na verdade, só precisamos encontrar tempo para escrever e nos concentrar nisso também. Mas acho que vamos conseguir.

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Para a nossa última pergunta: o nome do nosso site é Tracklist. Você poderia compartilhar três músicas que estariam na tracklist da sua vida? E por quê?
Não vale escolher músicas nossas? Músicas de outras pessoas? Porque sinto que não deveria escolher a minha própria.

Você pode escolher as suas também, se quiser. Não tem problema!
Vou te dar uma resposta de verdade, porque isso é importante. Ultimamente tenho ouvido tanta coisa estranha… Quero te dar a melhor resposta possível. 

Perfeito!
Talvez… “Beast of Burden”, do The Rolling Stones, acho que essa é uma boa. Vamos ver, aqui vai uma escolha meio diferente; o Elvis Presley fez um álbum de músicas gospel, minha favorita, talvez seja uma das minhas músicas favoritas de todos os tempos, chama-se “How Great Thou Art”, é uma música antiga, mas na versão do Elvis, eu amo essa música. São duas escolhas bem diferentes uma da outra. E, uma boa terceira, “The Drugs Don’t Work”, do The Verve. Acho que vou ficar com essa, essas são as minhas três.

Boas escolhas! É isso, muito obrigada pelo seu tempo.
Perfeito, obrigado!


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