Entrevista: Budah fala sobre participação no SheRocks!, machismo no rap e mais

Rapper fala sobre machismo na indústria musical e participação no festival que celebra o protagonismo feminino

Foto: Reprodução/Instagram/@budah

Mesmo com cada vez mais mulheres ocupando espaço no rap brasileiro, a caminhada até o reconhecimento ainda passa por desafios dentro de uma indústria historicamente dominada por homens. Entre disputas por visibilidade e a necessidade constante de provar talento, muitas artistas seguem abrindo caminho na cena: uma dessas vozes é Budah, que sobe ao palco do SheRocks! Music & Arts Festival neste domingo (8), em São Paulo.

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O festival, criado em 2024, é um movimento internacional voltado à valorização e amplificação do talento feminino nas indústrias criativas. Presente em diferentes mercados ao redor do mundo, o projeto chega ao país para fortalecer a cena nacional e ampliar sua presença global em um dos polos culturais mais vibrantes do planeta. Por isso, o evento acontece justamente no Dia Internacional da Mulher, reforçando a proposta de celebrar e ampliar a presença feminina na música.

Em entrevista ao Tracklist, a cantora, que vem consolidando seu nome dentro do rap nacional com letras potentes e identidade artística bem definida, refletiu sobre o machismo estrutural ainda presente no gênero e a importância de preservar sua verdade dentro da indústria musical.

Ansiosa para subir ao palco de um evento tão representativo, a artista também adiantou detalhes sobre seus próximos projetos, incluindo o especial “Budah Convida” e o início de uma nova fase em sua carreira musical.

Budah fala sobre machismo no rap e destaca importância do SheRocks!

Em 2024, durante o Som Brasil, Azzy e Lourena falaram sobre o machismo estrutural no rap e no trap e como as mulheres precisaram lutar para conquistar espaço. Na sua visão, essa resistência ainda existe hoje? Em que situações ela aparece de forma mais evidente?

O rap sempre foi um espaço muito dominado por homens, então para as mulheres muitas vezes o caminho acaba sendo mais longo e difícil. É como se a gente tivesse que provar o tempo todo o nosso talento e conquistar cada espaço com muito mais esforço. Mas ao mesmo tempo vejo cada vez mais mulheres fortes surgindo na cena, se apoiando e mostrando que também fazem parte dessa cultura.

Ao longo da sua trajetória, você já sentiu que tentaram moldar sua imagem para caber em um padrão específico da indústria? Ou já percebeu portas se fechando simplesmente por ser mulher?

A indústria ainda tenta colocar artistas, principalmente mulheres, em alguns padrões. Muitas vezes esperam que a gente se encaixe em um certo tipo de estética ou comportamento. Eu sempre tento preservar a minha identidade e a minha verdade artística, porque acredito que é isso que constrói uma carreira sólida de verdade.

No dia 8 de março, você sobe ao palco do SheRocks! Festival, um evento que nasce justamente com a proposta de amplificar vozes femininas. O que significa, pessoal e profissionalmente, se apresentar em um festival com esse propósito no Dia Internacional da Mulher?

Tem um significado muito importante. Quando um festival nasce com a proposta de valorizar e amplificar vozes femininas, ele ajuda a equilibrar um cenário que ainda é muito desigual, principalmente dentro do rap. Estar ali no Dia Internacional da Mulher é também uma forma de celebrar a força e a presença das mulheres dentro da música, mas também de lembrar que ainda existe um caminho grande para garantir mais espaço, visibilidade e respeito.

Você já viveu alguma situação dentro da indústria que te fez perceber, na prática, o quanto espaços como o SheRocks! são necessários?

A gente percebe isso em vários momentos da carreira, principalmente quando olha para os festivais de rap e vê ainda poucos nomes femininos nos line-ups. No meu caso também existe outra camada, porque além do machismo eu também enfrento o racismo por ser uma mulher preta e periférica. E isso é recorrente em ambientes diversos no meio profissional, infelizmente. Por isso, acredito que iniciativas como o SheRocks! são importantes para ampliar a visibilidade e acelerar esse nosso movimento.

Depois do SheRocks!, um dos seus próximos passos é o projeto especial “Budah Convida”, no Festival Movimento Cidade — que já começa forte com a presença da Duquesa. O que você pode adiantar sobre o projeto?

O “Budah Convida” nasce muito dessa ideia de fortalecer conexões dentro da música. Quero dividir o palco com artistas que admiro e que também estão construindo seus caminhos na cena. Começamos com o anúncio da Duquesa, que é uma artista incrível, e a ideia é justamente criar momentos de troca e celebração entre artistas e entregar uma experiência incrível pro público.

Além desse projeto, o que 2026 reserva para a Budah? Podemos esperar novos singles, álbum, colaborações?

2026 marca o início de uma nova fase para mim. Estamos encerrando a era “Púrpura” com muito orgulho de tudo que construímos e já começando a apresentar novos caminhos. Posso adiantar que vem música nova, colaborações e um grande projeto que estou preparando com muito carinho. Estou animada para mostrar essa próxima etapa.


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