Entrevista: Ana Paula Xongani fala sobre experiência no Tiny Desk Brasil e mais

A comunicadora e ativista comentou, também, suas influências e futuros projetos

Vitória RoqueEntrevistasNotícias5 de dezembro de 2025

Foto: Divulgação

A comunicadora Ana Paula Xongani participou, recentemente, da gravação do Tiny Desk Brasil com Sandra Sá! Ativista negra e a primeira comunicadora nativo-digital a se tornar talento Globo pela ViU, ela possui uma relação sentimental com a artista.

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Em entrevista recente ao Tracklist, Ana Paula Xongani falou sobre sua experiência na gravação do programa musical, suas referências e influência da música em sua carreira, projetos para o próximo ano e mais. Confira!

Entrevista: Ana Paula Xongani

⁠Você participou, recentemente, da gravação de um episódio do Tiny Desk Brasil com a artista Sandra Sá. Como foi essa experiência?

“Foi incrível! Um dos pontos altos da participação do Tiny Desk é que não sabemos quem é o artista até ele entrar. Isso gera uma expectativa muito legal. Quando a Sandra Sá entrou no estúdio, eu tive uma emoção enorme, porque eu literalmente escuto ela desde que eu me conheço por gente. Era a música da alegria dos meus pais, principalmente da minha mãe. Sabe aquela artista que você aprende a cantar enquanto está aprendendo a falar? Sandra Sá pra mim é isso. Eu nem lembro quando comecei a ouvir, mas tenho uma memória afetiva e parece que conheço as músicas quase por osmose. A personalidade da artista também me encanta”.

“Eu gosto de observar pessoas, principalmente as mais velhas. Prestar atenção à trajetória, ao caminhar… Aos processos de envelhecer. Aquele envelhecer saudável, potente, pulsante. E a Sandra Sá é exatamente essa representação pra mim. Eu fiquei completamente enlouquecida quando ela entrou, me senti muito grata. E além de tudo, eu estava em lugar muito estratégico, literalmente na frente da artista. Eu e o Roger Cipó brincamos que ela cantou o show inteiro para a gente. É um público muito pequeno e seleto, e nós estávamos olho no olho com ela. Foi muito especial. E eu como apresentadora, sei que a interação da plateia faz muita diferença no resultado final e na nossa entrega. Então eu também me senti responsável, não só sentir, mas de demonstrar pra Sandra Sá a minha verdadeira e genuína emoção de estar ali com ela”.

Você revelou que possui uma relação pessoal com a cantora. Poderia falar um pouco dessa influência? E existe alguma canção da artista que tenha um significado particularmente especial para você?

“Não é uma relação pessoal direta com ela, é mais sentimental. A minha mãe era maquiadora há muitos anos, inclusive da TV Globo. E eu lembro que uma das primeiras pessoas que ela maquiou e chegou em casa vibrando de realização profissional, foi Sandra Sá. Tem inclusive uma foto da minha mãe maquiando a Sandra Sá, e virou como que a foto case da minha mãe, porque ela foi uma das primeiras maquiadoras a se especializar em pele negra aqui no Brasil. Minha mãe teve uma trajetória muito respeitada na maquiagem, e a Sandra Sá foi um dos grandes cases dela. Porque a Sandra é uma grande artista, um ícone, como se ela fosse a Beyoncé da minha mãe! Isso tudo é muito marcante na minha vida”.

Você teve um encontro com a artista após a gravação?

“Não encontramos a Sandra depois das gravações. Ficamos em uma grande confraternização, todos em êxtase conversando sobre o quanto tinha sido incrível”.

Quais outros artistas brasileiros (ou internacionais) marcaram sua trajetória de formação cultural e por quê?

“Sandra Sá, Milton Nascimento, Chico Buarque, Elis Regina, Gilberto Gil, Emílio Santiago e Djavan marcaram muito a minha infância. Quando eu era pequena, meu pai me ensinava sobre música. Ele me ensinava a ouvir músicas como: ‘Construção’ e ‘Meu Guri’, interpretada pela Elza. Ele ia parando a música e me falava: ‘Está vendo esse trecho aqui de Construção? É alguém que trabalha na obra. O que você entendeu dessa música?’. Eu tinha muito esse lance da música. Ela não era só a batida, o entretenimento, a dança. Também era a motivação para a minha percepção do mundo. Meu pai me apresentava as músicas dessa forma”.

“Na adolescência, eu gostava muito de Kid Abelha e Cássia Eller. A primeira artista internacional que conheci foi Lauryn Hill, depois Bob Marley, e por aí vai. Hoje em dia, eu escuto muito Lineker, Luedji Luna, Ludmilla e Iza. As minhas filhas, na verdade, vêm me apresentando muitos artistas novos, como Giveon, BK, YOÙN, Tássia Reis e outros”.

Como comunicadora e ativista negra, você já comentou, em outros momentos, que usa seu espaço para falar sobre beleza negra e representatividade. Para você, qual é o papel da arte para a construção dessa identidade?

“É intrínseco, inseparável. A Lauryn Hill foi a minha primeira referência estética com a mulher negra. Eu uso dreads há 15 anos, totalmente influenciado por ela. Ela foi a primeira pessoa que eu vi sendo comparada como um lugar positivo de beleza. Eu acho a música fundamental na construção, inclusive, desses diálogos sobre autoestima e beleza. No aniversário de 10 anos da minha filha, eu dei pra ela de presente uma música. Eu contratei cantores e uma compositora para fazer uma música pra ela. Justamente pela construção dessa autoestima. E foi um momento lindo pra ela e pra gente. Foi um marco. A gente compartilhou nas redes sociais, inclusive viralizou. Acredito que a música é fundamental na construção de tudo isso”.

Por fim, existe algum novo projeto profissional que você planeja colocar em prática? Poderia detalhar?

“Muita coisa pra 2026. A lista é grande e o planejamento intenso. Eu sou muito dedicada não só em realizar, mas antes em planejar. Então geralmente eu começo meus planejamentos do próximo ano com antecedência. Esse mês inteiro já foi de planejamento, dezembro também será, para eu começar a colocar em prática já em janeiro”.

“Temos muitos projetos pessoais para minhas redes sociais, em parceria com a TV Globo, e também outros parceiros que vão trazer a Ana Paula Xongani como apresentadora. Como apresentadora eu gosto de dizer que faço tudo que eu acredito e gosto. Como eu disse, eu sou uma pessoa muito interessada em pessoas. Então, todos os projetos que vão me conectar com grandes histórias, pessoas incríveis e que eu acho que vai contribuir e me ensinar, eu estou dentro! O Ateliê Xongani está passando por um rebranding, e vamos vir com uma marca muito mais sustentável conectada com discussões e discursos importantes do Brasil e do mundo, pensando em sustentabilidade e moda negra”.

“Esse ano, também fiz muitas coisas incríveis. Apresentei palcos lindos e o desejo é de ampliar minha presença nesses lugares, como o Negritudes e o Festival LED do Futura que apresentei, coberturas que fiz no AFROPUNK… São coisas que quero ampliar muito em 2026″.


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