“O rock está morto!”. Provavelmente você já deve ter ouvido uma expressão desse tipo em...

“O rock está morto!”. Provavelmente você já deve ter ouvido uma expressão desse tipo em uma conversa sobre a música atualmente. Apesar da importância do gênero musical, ele parece ser pouco lembrado nos charts de música ou premiações anuais. Porém, essa afirmação, além de ser completamente equivocada, é refutada diariamente por grandes nomes dentro do estilo – que neste sábado, 13 de julho, comemora o Dia Mundial do Rock.
A data foi escolhida para celebrar o gênero por conta de um festival beneficente, o Live Aid, que aconteceu em 1985. Reunindo milhões de pessoas na Inglaterra e nos Estados Unidos com shows simultâneos, diversos artistas da cena compareceram ao evento, como Queen, David Bowie, The Who, U2, Led Zeppelin, Black Sabbath, Dire Straits, Eric Clapton, Elton John e Phil Collins.
Para provar que o rock definitivamente não morreu, o Tracklist entrou em contato com diversos nomes que marcaram a cena do rock brasileiro em diferentes épocas e recebeu respostas de artistas de bandas como Titãs, Detonautas, Dead Fish, Sugar Kane, Supercombo e The Mönic, que compartilharam suas próprias perspectivas e opiniões sobre o assunto. Confira!
Um dos nomes mais fortes do rock brasileiro nos anos 2000, o Detonautas segue atualmente com uma turnê comemorativa especial de 20 anos do seu disco de estreia, com formato acústico inédito. Por outro lado, apesar dos novos projetos, o vocalista Tico Santta Cruz entende que a luta para manter o gênero vivo, sobretudo entre as novas gerações, é diária.
“Este ano completam 27 anos que o Detonautas iniciou sua trajetória. Sempre fomos inspirados pelo rock brasileiro e, dentro desse cenário, a nossa conversa passa de geração para geração”, diz o músico.
Dado à longa trajetória do grupo, Tico entende a importância de apresentar às gerações mais jovens novas ideias e formas de se conectar com a música do Detonautas. “Quando a gente pensa em um disco, em compor, criar uma nova música ou mesmo revisitar o repertório antigo, como estamos fazendo agora com a ‘Detonautas Tour 20 Anos – Acústico’, sempre buscamos o diálogo com os mais jovens, porque entendemos que sem essa renovação (tanto das bandas brasileiras, quanto do público) fica insustentável o crescimento do gênero”, opinou o artista, que reforça que a relação do grupo com o rock “é no sentido de tentar entender como é que os jovens estão se comunicando”.
A comunicação com o público mais jovem é outro ponto levantado por Pe Lu, vocalista do Restart. A banda fez grande sucesso nos anos 2010 com sua estética colorida única e músicas que encantaram jovens da época. Hoje, o grupo segue com a “Pra Você Lembrar Tour”, uma turnê de reunião e despedida após oito anos de hiato.
Para o artista, o rock nunca vai morrer por se tratar de um gênero que permeia por muitas gerações. “Acho que o rock precisa de juventude como todos os gêneros de música, de gente jovem que entende o que está acontecendo naquele momento da história, e aí conseguir transformar isso em música para pessoas jovens que vão escutar, entrar em contato com o gênero, e depois com as coisas antigas daquele gênero”, explicou.
O músico comenta que, por acompanhar bastante redes sociais como o Instagram e TikTok, está sempre em contato com novas bandas de rock que criam conteúdos para as redes sociais com linguagens que vêm de outros gêneros musicais ou outras tendências, e que acabam trazendo isso para o rock. “Acho que esse é o jeito de um gênero continuar relevante, é você se comunicar com a juventude”, reforçou.
Rodrigo Lima, vocalista do Dead Fish, garante que “só uma parte do rock está cambaleante e quase falecendo” e aconselha: “Se você olhar para o lado e parar de ouvir coisas formatadas para o mercado, inofensivas, você vai ver que o rock vai muito bem”.
Formada nos anos 90 em Vitória, no Espírito Santo, a banda de hardcore segue na ativa até os dias de hoje, inclusive com álbum novo lançado neste ano, o “Labirinto da Memória”. “Manter um legado, no meu ponto de vista, é se manter produzindo [músicas], curioso, pronto para agradar e decepcionar ao mesmo tempo. Aprendi isso ainda molequinho na cena de punk da minha cidade e sigo até hoje”, concluiu.
Já para Paulo Vaz, tecladista do Supercombo, o grande caminho para artistas do gênero é não parar e estar sempre pensando em novos trabalhos. A banda de rock alternativo está na estrada desde 2007 e lançaram novo single em 2024, a música “Tempo de Tela”.
O artista também pontua a importância de manter uma agenda de shows frequente para alimentar essa conexão com os fãs. “Acho que trilhando sempre projetos novos, discos novos, experimentando coisas novas, você consegue manter o rock sempre na ativa sem se repetir e tentando criar algumas alternativas para um caminho que vem de muitos e muitos anos, de décadas em décadas”, contou Paulo ao Tracklist.
Para Alexandre Capilé, vocalista e guitarrista da banda Sugar Kane, o ideal também é se manter focado no trabalho. O cantor defende caminhos como a gravação de novos discos, sair em turnê e encontrar novos públicos, além de dar o espaço para novas bandas e mostrar na prática “que o rock está vivo e em movimento, naturalmente ele se reinventa e retroalimenta”.
“Altos e baixos do gênero são naturais no mercado musical. O rock já foi do povo e para o povo vai sempre voltar”, refletiu Alexandre, que está à frente da banda curitibana que foi fundada em 1997, e é conhecida por ser responsável pela produção do primeiro DVD ao vivo independente do Brasil, em 2004.
Fundada em 1982, a banda Titãs segue como um dos grupos de grande importância para o cenário do rock brasileiro. Em 2023, o Titãs realizou uma turnê de reencontro que contou com a presença de sete dos oito membros da formação clássica do grupo. Foram diversos shows esgotados em diferentes lugares do país – além de encerrarem a turnê como um dos headliners do Lollapalooza Brasil 2024.
“O rock é uma atitude de energia e alegria perante a vida”, celebrou Paulo Miklos, um dos ex-integrantes, em resposta ao Tracklist. “Uma prova disso está em todos os shows que faço pelo Brasil. Canto rock ácidos e canto rock melódicos. A esta altura, com 40 anos de história, tenho repertório para um show de rock completo e eletrizante”, continuou. O músico segue atualmente focado em sua carreira solo, com o trabalho mais recente sendo seu disco ao vivo homônimo, lançado este ano.
Guitarrista e vocalista do The Mönic, Dani Buarque acredita que, no seu caso, não é pensar muito no contexto de reinvenção nos trabalhos da banda, mas sim de observação da própria carreira e suas próprias criações. Um dos nomes que está presente no line-up do Knotfest Brasil 2024, o projeto mais recente do grupo é o disco “Cuidado Você” (2023) e sua versão deluxe, lançado este ano.
“É meio que um processo muito fluido. Os próximos passos são sempre dentro do planejamento que a gente tem a médio e longo prazo da banda, dentro das nossas percepções como artistas e como music business mesmo”, refletiu. Para a artista, o caminho é ver o que funciona, o que conecta mais ao seu público e alinha melhor à proposta artística do The Mönic.
Um dos nomes que marcaram a cena pop rock brasileira na década de 2000, o Hevo 84 voltou à cena em 2022 e lançou disco este ano, o trabalho intitulado “LIVRE”. Para o vocalista Renne Fernandes, é preciso “manter as nossas antenas apontadas para o mundo, nossas mentes interessadas, dispostas a decifrar o que é novo também, não somente os rocks das antigas”.
De acordo com o artista, a estética sonora vai se reinventando, assim como a linguagem, em que tudo se mistura. “Agora, a nossa atitude tem que continuar forte, latente, o tempo é implacável por fora, mas por dentro precisamos lutar todos os dias para mantermos nossos espíritos livres, jovens”, elaborou o artista.
Segundo Yasmin Costa, baterista e vocalista da Jambu, a forma como ela enxerga para manter o gênero vivo, dentro das músicas do grupo, vem muito da atitude da banda. “Quando a gente se junta para fazer música ou para criar alguma coisa, a gente procura não se rotular e se prender a gêneros. Acredito que é isso que faz a gente criar coisas interessantes e inovadoras”, explicou.
A banda indie de Manaus fortaleceu seu reconhecimento nacional ao abrir os shows do artista chileno boy pablo em São Paulo, em 2022. Além disso, contam com um disco recente, o “tudo é mt distante” (2023) e um single inédito lançado este ano, “vc se foi e é tarde”.






